comportamento

Ida ao cardiologista deve ser obrigatória

A jornada tripla das mulheres aumentou o estresse e a ansiedade, deixando-as suscetíveis aos eventos cardíacos

00:00 · 03.03.2018

Elas são realmente o sexo mais frágil, pelo menos quando se trata de eventos cardiovasculares. A alta incidência se dá por uma série de fatores; o menor calibre dos vasos coronários é um deles. Isso ocorre porque as placas ateromatosas (depósito de gordura formado no interior das artérias) tendem a fechar mais as artérias das mulheres do que a dos homens (o problema é mais localizado). Isso faz com que a obstrução das artérias seja mais grave (extensa) tornando as mulheres mais propícias a oclusões arteriais.

> Coração: abraço que salva

Outro fator que aumenta a vulnerabilidade do sexo feminino ocorre na menopausa (quando há uma queda progressiva na produção de estrôgeno). Esse hormônio exerce função vasodilatadora (de efeito protetor) nos vasos coronários, além de evitar o acúmulo do LDL (colesterol ruim) que forma as placas de gordura, e aumenta o HDL (colesterol bom).

Fatores de risco

Se engana quem acha que fazer reposição hormonal pode ser a solução. "A medida é muito prejudicial, pois acaba por gerar o problema de coagulação, fragilizando a saúde da mulher ao criar outros riscos, a exemplo da trombose venosa e infarto agudo do miocárdio", justifica o Dr. Leopoldo Piegas, coordenador do Programa de Infarto Agudo do Miocárdio do Hospital do Coração (HCor/SP).

Controlar os fatores de risco pode realmente fazer com que elas deixem de ser vítimas em potencial. Controlar o peso (ingestão de alimentos gordurosos e açúcar), tratar a hipertensão arterial, diabetes, peso corporal, assim como banir definitivamente o cigarro.

Educar e educar

Apesar de todos os alertas, poucas mudanças têm sido observadas no estilo de vida das mulheres quanto à prevenção das doenças cardiovasculares. "Só a educação pode modificar esse comportamento. O nível de conscientização para os fatores de risco não está mudando como gostaríamos", afirma o Dr. Leopoldo Piegas.

Embora a consulta ao ginecologista seja anual para a maioria das mulheres, o mesmo não ocorre quanto a ida ao cardiologista. É essencial.

Elas sentem diferente

O que preocupa os médicos é que, ao contrário dos homens, elas nem sempre percebem os sinais de alerta como o colesterol (o HDL acima de 50 mg/dl; LDL, abaixo de 100 mg/dl).

"As mulheres se queixam mais de dores nas costas, cansaço, queimação no estômago e náusea, sinais que nem sempre são relacionados ao coração. Eles fazem com que elas associem o mal-estar a problemas gastrointestinais ou ortopédicos, o que as levam a procurar socorro médico mais tardio", alerta o cardiologista.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.