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Hipertensão arterial na infância

00:00 · 01.09.2018

Estima-se que de 6% a 8% das crianças e adolescentes sejam portadores de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) no Brasil. É provável que esse número tenha dobrado nas últimas décadas entre sete e 20 anos de idade, sendo a obesidade infantil um dos principais preditores para essa doença cardiovascular, caracterizada pelos níveis de pressão persistentemente elevados, acima dos limites da normalidade.

A maioria das crianças e adolescentes com HAS é assintomática, sendo necessário aferir a pressão arterial (PA) nas avaliações clínicas de rotina em crianças maiores de três anos de idade (esse é um conceito recente).

Trata-se de um procedimento essencial para evitar complicações, embora o grande número de pacientes em hospitais públicos dificulte ainda mais a prática desta rotina, diz a Dra. Klebia Castello Branco, chefe do Serviço de Cardiologia Pediátrica do Hospital de Messejana e doutora em Cardiologia pela FMUSP/SP. Sintomas como cefaleia, tonturas ou sinais de lesão de órgão-alvo são geralmente tardios ou surgem quando a HAS é secundária a outras doenças.

Fatores determinantes

Vários fatores estão associados com a gênese da HAS, devido à interação entre genéticos (histórico familiar ) e ambientais.

A prevalência de HAS na infância no mundo oscila de 3% a 5%, embora não existam dados epidemiológicos que abranjam todo o território nacional. Conforme estudo de Sônia Lopes Pinto e Rita de Cássia Silva, publicado na Revista de Ciências Médicas e Biológicas (2015), o índice varia de 2% a 44% no Brasil.

Em Fortaleza (Chaves, Lopes e Araújo/ 2006), o estudo com amostra de 179 crianças concluiu que a prevalência, em pessoas entre 12 e 18 anos, foi de 7% a 8%. Em 2008, os mesmos autores registraram o índice de 44,7% de HAS, numa amostra de 342 crianças de 6 a 18 anos.

Por crianças mais ativas

A avaliação clínica periódica deve ser feita por um cardiologista pediátrico. Essa conduta é vital para a prevenção e o tratamento adequado, indica a Dra. Klebia Castello Branco, que tem formação em terapia intensiva pediátrica (Unifesp/ SP) e pediatria (Hospital das Clínicas - USP).

Segundo a cardiologista, a adoção de hábitos saudáveis deve ser a abordagem inicial em crianças e adolescentes com HAS primária.

Seria necessário reduzir o peso corpóreo em crianças com excesso de peso; maior consumo de vegetais frescos, frutas e leite e derivados desnatados; diminuir a ingestão diária de sódio; praticar exercícios físicos (30 a 60 min na maioria dos dias da semana ); reduzir drasticamente atividades sedentárias (televisão e eletrônicos) para menos de duas horas por dia.

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