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Hábito japonês: bem-vindos, sem calçados

Tradição milenar japonesa, o hábito de tirar os sapatos antes de entrar em casa pode reduzir carga de bactérias e fungos levada nos solados

( Foto: Fernanda Siebra )
00:00 · 03.02.2018 por Cristina Pioner - Repórter

Após um dia exaustivo de trabalho, nada melhor do que chegar em casa, tirar os sapatos, soltar a bolsa ou mochila e lavar as mãos. Atitudes simples do dia a dia que vão nos deixar bem mais leves e limpos! Entretanto, o costume de deixar os sapatos na porta de casa é tema controverso. Há quem considere isso bobagem, mas o médico infectologista Guilherme Henn afirma que tal prática pode reduzir os microrganismos (principalmente bactérias e fungos) que se acumulam nas solas dos calçados.

"Embora a maioria desses microrganismos ambientais sejam inofensivos aos seres humanos, o chão que pisamos por aí pode albergar bactérias patogênicas, bem como cocô e xixi de cachorro e de outros animais, restos de matéria orgânica, e até cusparadas que as pessoas dão no chão", ressalta Guilherme Henn, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC).

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Dessa forma, o costume de tirar os calçados pode, em tese, diminuir a carga de microrganismos levada para dentro de casa. Segundo o infectologista, o potencial que o hábito tem em reduzir doenças, embora não seja tão grande, pode fazer a diferença no caso de pessoas mais suscetíveis a problemas de saúde, a exemplo dos bebês.

Para as crianças em fase de engatinhar, recomenda-se atenção especial, pois elas adoram pôr as mãos na boca, ocasionando a ingestão de germes. A maioria dessas bactérias é inofensiva, motivo pelo qual não ser preciso "enlouquecer" nem tomar medidas extremas. Basta adotar ações preventivas. "Desta maneira, podemos reduzir o risco de gastroenterites nos pequenos, que resultam da ingestão de bactérias patogênicas, como Escherichia coli e Salmonella", explica Henn.

Na casa do médico de família Leopoldo Jacomel, os calçados ficam todos antes da porta de entrada. Pai de Mateo, 8, Noan, 5, e Iara, de 1 ano e meio, ele acredita que esse contato dos pés com o chão é muito bom para o desenvolvimento motor da criança, que passa a ter maior autonomia. "A Iara sobe, pula e escala as paredes. É uma questão de liberdade e de sentir melhor onde se está pisando", justifica Leopoldo Jacomel.

Esse tipo de comportamento, na avaliação do médico, é importante para a saúde das crianças que, ao mesmo tempo, vão desenvolvendo suas defesas. "Todos andam muito à vontade aqui em casa", diz.

Embora não tenha um móvel próprio para deixar os sapatos na porta, na família Jacomel todos andam descalços em casa. "Acho que é uma questão cultural, meus pais e meus avós tinham essa tradição lá no Sul do Brasil. Era um sapato para andar fora e ou outro só para dentro de casa", comenta.

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