Pesquisa

Frutas cítricas reduzem risco de endometriose

Pesquisa analisa os benefícios de uma dieta rica em frutas semiácidas e cítricas para a saúde da mulher, mas sem excesso

00:00 · 18.08.2018

O consumo de frutas cítricas (laranja, tangerina, limão e abacaxi) ou semiácidas (caqui e maçã verde) ajuda a reduzir em até 22% as chances de a mulher desenvolver endometriose, processo inflamatório decorrente do crescimento das células do endométrio, tecido que reveste o útero, condição que compromete a fertilidade.

Foi o que comprovou uma pesquisa da Universidade de Oxford (USA), publicada na última edição da revista Human Reproduction. Mostrou que os vegetais crucíferos, em especial brócolis, couve-flor e couve-de- bruxelas, podem aumentar o risco em 13% de a mulher desenvolver endometriose.

Sobre a pesquisa, embora os resultados sejam 'extremamente interessantes', explica o ginecologista Marco Aurélio Pinho de Oliveira, do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), não deve haver exagero. Mesmo porque, comenta, os vegetais crucíferos são fonte de fibras e nutrientes benéficos à saúde. Deixar de consumi-los é contraproducente. Da mesma forma, frutas cítricas em excesso detêm a acarretar dores abdominais e diarreia.

Dieta prescrita

Para avaliar a relação entre o consumo de frutas cítricas e a endometriose, os pesquisadores da Universidade de Oxford coletaram (durante 20 anos) dados demográficos, antropométricos e sobre o estilo de vida de 70.835 mulheres com idade entre 25 e 42 anos.

No tocante à dieta, foi observada a frequência com que as mulheres ingeriram 130 itens alimentícios, inclusive bebidas. O uso de suplementos nutricionais também foi monitorado para evitar possíveis distorções nos resultados.

As participantes que relataram consumir frutas e outros vegetais três, quatro, cinco, seis ou mais vezes por dia tiveram, respectivamente, 9%, 10%, 18% e 12% menor risco de endometriose se comparado com as que disseram comer duas ou menos porções/dia.

Se analisados separadamente, no entanto, frutas e demais vegetais apresentaram respostas distintas. Ao passo que o consumo de três porções de frutas/dia diminuiu em 14% o risco em relação às mulheres que consumiram uma ou menos. A quantidade dos outros vegetais não influiu na incidência do problema.

Para prevenir

As frutas cítricas, que possuem maior concentração de ácido cítrico e vitamina C, integram o grupo alimentício que mais atuou na prevenção da endometriose. Conforme os pesquisadores, é provável que este se deva ao benefício da beta-criptoxantina, substância com propriedades anti-inflamatórias.

Outro destaque do estudo foi observar que os vegetais crucíferos aumentaram o risco de endometriose. Os autores, no entanto, reconhecem a necessidade de pesquisas adicionais a fim de esclarecer se os crucíferos causaram aumento real no número de casos ou apenas facilitaram o diagnóstico, tendo em vista que eles tendem a potencializar as dores abdominais características da endometriose.

O Dr. Marco Aurélio Pinho de Oliveira recomenda às mulheres incluir na dieta alimentos capazes de reduzir a resposta inflamatória: os ricos em ômega 3 (sardinha, atum, salmão, castanhas e amêndoas); evitar adoçantes (com exceção da estévia); diminuir açúcares e farinhas brancos; priorizar hortaliças, carnes magras, ovos, queijo cottage, azeite de oliva, feijões e frutas (caju, goiaba, limão e abacate).

Fertilidade em risco

Não há dados oficiais sobre a incidência da endometriose no Brasil. Como o diagnóstico da doença é cirúrgico, é difícil avaliar a incidência real dessa doença. Mas é observada uma estreita relação com doenças autoimunes, como o lúpus.

O diagnóstico exige do profissional uma formação longa, oferecida por poucos centros, e equipamentos que não estão disponíveis em todas as localidades. "Para se ter quase certeza, são necessários ultrassonografias ou ressonâncias magnéticas com preparo intestinal. A conclusão é obtida com biópsia por videolaparoscopia ou cirurgia robótica. Assim, muitas mulheres passam anos sofrendo, sem saber a razão da dor nem como tratá-la, o que pode agravar o quadro", alerta o médico ginecologista.

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