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Falta suporte nutricional nas UTIs

A sepse pode afetar todo sistema imunológico e dificultar o funcionamento dos órgãos. O organismo provoca mudanças na temperatura, pressão arterial, frequência cardíaca, contagem de células brancas do sangue e respiração
00:00 · 13.01.2018

É no mínimo preocupante: 57% dos pacientes brasileiros em estado grave - em unidades de tratamento intensivo (UTIs) estão de moderadamente a gravemente desnutridos. Foi o que mostrou o estudo observacional multinacional que investigou a situação nutricional de internos em 116 hospitais de oito países da América Latina ((Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Panamá e Peru).

Esses resultados integram o projeto Screening Day na América Latina, que faz parte da iniciativa "Unidos pela Nutrição Clínica", lançada em 2015 pela Fresenius Kabi. O objetivo foi entender a situação da desnutrição hospitalar em pacientes graves da AL, identificando as alternativas para melhorá-la. O estudo foi publicado recentemente na renomada revista médica Critical Care.

Pacientes graves

O estudo aconteceu em um dia de identificação (conhecido como 'Screening Day') e no dia anterior a este, que avaliou 1.053 pacientes graves que receberam nutrição enteral (sonda) e/ou parenteral (veia) nesses dias.

A desnutrição não tratada em hospitais leva a um maior risco de resultados clínicos deficientes, maior taxa de retorno ao hospital e elevado risco de aumento da mortalidade.

Nutrição parenteral

"A desnutrição é um problema sério da rotina clínica", diz a Dra. Karin Papapietro Vallejo, chefe de terapia de nutrição do hospital da Universidade do Chile e uma autoras do estudo, "os achados mais recentes revelam o valor da nutrição parenteral particularmente em pacientes na unidade de tratamento intensivo".

Esta informação destaca a importância de implementar um protocolo de nutrição de acordo com diretrizes e recomendações para melhorar a ingestão energética e proteica dos pacientes graves que estão hospitalizados.

Dra. Karin Vallejo ressalta que a forma mais eficaz de suporte parece ser a nutrição parenteral complementar, uma vez que aumenta a possibilidade de os pacientes atingirem suas metas energéticas diárias em 64%.

Em comparação com a nutrição enteral sozinha, a nutrição parenteral complementar amplia as chances dos pacientes atingirem as metas energéticas e proteicas em 56%.

Combater a sepse

Uma reação exagerada do organismo a uma infecção (sepse) é uma das condições frequentes para a qual são necessários cuidados nas UTIs, embora o paciente também possa desenvolver essa condição fora do ambiente hospitalar. Detalhe: a sepse mata mais do que infarto do miocárdio e do alguns tipos de câncer.

Seja contraída no hospital ou fora dele, a verdade é que a maioria da população nunca ouviu falar sobre essa doença, que também já chegou a ser denominada como septicemia.

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Latinoamericano de Sepse (Ilas), apenas 30% a 40% dos casos são provenientes do hospital, 60% a 70% das pessoas com sepse desenvolveram a doença a partir de bactérias, vírus e fungos contraídos fora do ambiente hospitalar.

O Brasil registra uma das mais altas taxas de mortalidade do mundo pela sepse. Estima-se que 400 mil novos casos são diagnosticados por ano e 240 mil pessoas morrem anualmente. O Dia Mundial da Sepse acontece dia 13 de setembro.

A desnutrição não tratada no âmbito hospitalar eleva o risco de resultados clínicos ineficientes

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