Envelhecimento

Exposição solar pode causar danos à pele

Alguns efeitos do sol em excesso surgem de imediato, outros podem persistir e danificar o material genético

00:00 · 20.01.2018
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A contadora Germana Lima tem consciência dos danos que os raios ultravioleta podem causar quando há uma exposição excessiva ao sol, sem o uso devido de proteção solar. Por isso, ela está atenta para curtir as férias no litoral do Ceará

As consequências da radiação solar são cumulativas, elas podem surgir anos depois. Porém, nos primeiros 20 minutos de exposição ao sol, a pele já começa a sofrer oxidação por conta dos radicais livres, que geram vasodilatação, inflamação e vermelhidão de acordo com a potência dos raios.

Portanto, segundo a dermatologista Dra. Thais Pepe, o ato de aplicar o protetor solar somente quando chegar na praia ou na piscina deve ser evitado. Isso porque há necessidade de, pelo menos, 20 a 30 minutos para que o filtro solar comece a agir e, nesse período, já acontece um 'ataque' importante em relação às células da pele.

A médica explica que, após três horas de exposição, esse dano imediato da radiação se intensifica. A partir de então, a célula inicia um processo de maior danificação, causando a mutação do material genético, no qual há produção de dímeros no DNA, isto é, a troca de informações de ligação, desestabilizando o material genético.

"Todo dano ao DNA leva à expressão do P53, uma proteína que em alta quantidade é ruim, pois vai gerar deficiência de agentes antioxidantes, genes que provocam a morte celular, resultando no envelhecimento da pele", conta.

Além disso, de acordo com a Dra. Thais, a formação de dímeros cria alteração significativa e irreversível, principalmente no melanócito. Ou seja, a célula protetora de cor, que continua por até três horas. Por isso, a pele fica vermelha, tendo lesões posteriores e que podem, inclusive, gerar um processo de cancerização.

Bronzeado transitório

O melanoma é um câncer de pele extremamente agressivo com alta capacidade de metástase e é oriundo das células denominadas melanócitos. Conforme Dra. Thais Pepe, o bronzeado transitório do rosa avermelhado ao dourado ocorre nas primeiras horas depois da exposição solar.

Porém, somente após 48 a 72 horas é que acontece a produção da melanina, seja ela castanha enegrecida ou amarela avermelhada, dependendo do fototipo do paciente. O bronzeado se deposita na pele como uma resposta fisiológica contra a agressão sofrida.

Isso ocorre quando há a exposição solar de um dia. O bronzeado pode durar até três ou quatro semanas e depois, pelo próprio processo natural de renovação da camada mais superficial da pele, há uma perda gradual da pigmentação.

"Outro dado importante e comum nas peles fotoenvelhecidas, aquelas que se expuseram muito ao sol, é a presença das sunburn cells, as células queimadas pelo sol", afirma a especialista.

Alterações na pele

Segundo a médica, as 'sunburn cells' aparecem quando há quebra da barreira. Ou seja, a pele não conseguiu se proteger, o filtro solar estava aquém da necessidade para aquele fototipo ou o estímulo solar foi prolongado. Outra possibilidade é a de o filtro solar não ter sido reaplicado.

Por conta disso, a pele sofre uma série de alterações, todas decorrentes de um processo inflamatório, onde ocorre o eritema, a vasodilatação, o aumento da perfusão sanguínea e a sensação de calor local. Logo após surge a ardência, seguida da oxidação, que é a formação dos radicais livres e superóxidos, alguns dos fatores responsáveis pelo envelhecimento precoce das células.

Exibição contínua

"Pela exposição solar contínua deixamos de ter a defesa imunológica feita pelas células de Langerhans, e quando isso acontece aumentamos a chance de cancerização da pele", alerta a profissional.

Por fim, a médica chama atenção para a importância da proteção. O filtro solar deve ser passado na pele do corpo todo sem qualquer vestimenta, trinta minutos antes da exposição solar e reaplicado a cada duas horas em média, com uso de chapéu, roupas específicas e óculos.

"Aqueles que querem ir à praia, devem respeitar os horários recomendados que são: até 10h da manhã e depois das 4h da tarde", finaliza a dermatologista Dra. Thais Pepe.

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