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Excesso no uso da testosterona

Os fins - estéticos - não justificam os meios. SBEM alerta que não há evidências científicas de eficácia desse hormônio

00:00 · 12.08.2017

Ouso indiscriminado de hormônios tem sido visto com muita preocupação pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Para retardar o envelhecimento, é crescente o número de pessoas que utilizam essa substância para melhorar o desempenho esportivo e da libido (mulheres), aumentar a massa muscular e o emagrecimento.

"No entanto, sem indicação clínica ou acompanhamento médico, causa irritabilidade, acne, queda de cabelos, dificuldade para ter filhos e problemas no fígado. Em adolescentes pode retardar o crescimento", alerta o presidente da SBEM, Dr. Fábio Trujilho.

O uso de testosterona para fins estéticos será tema do Congresso Brasileiro de Atualização em Endocrinologia e Metabologia, que acontece, de 16 a 19, em Fortaleza.

A testosterona é essencial para o corpo do homem: ajuda a produzir proteínas; vital para a atividade sexual; massa muscular. Afeta atividades metabólicas como a produção de células do sangue na medula óssea, formação do osso, metabolismo de lipídios e carboidratos, função hepática e crescimento da próstata. Na mulher, a testosterona é importante para manter a massa muscular e estimular a libido.

Efeitos adversos

Com o passar dos anos é normal que produção de testosterona caia em homens e mulheres. Mas a reposição desse hormônio é tema de constante discussão entre os especialistas.

Reposição restrita

A terapia de reposição hormonal só deve ser feita em homens com os sintomas (dificuldade de ereção, falta de concentração e capacidade intelectual, perda de pelos, ganho de peso, redução de massa e força muscular, irritabilidade, insônia) e que não tenham contraindicações para seu uso.

No caso das mulheres, a questão é ainda mais complexa. Uma das dificuldades da terapia com androgênios na mulher é fazer o diagnóstico da deficiência desse hormônio. "Os níveis nas mulheres são muito baixos e os testes laboratoriais não são capazes de fornecer um resultado confiável para valores abaixo de 100ng/dL", pontua Ricardo Meireles, diretor da SBEM.

As dosagens de testosterona são úteis para diagnosticar excesso de androgênios e não sua falta. Daí o uso extremamente restrito e só deve ser feito com acompanhamento de um médico especialista.

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