Entrevista com Prof. Dr. Renan Montenegro Jr - Endocrinologista

Estratégia para tratar o diabetes tipo 2

A prevenção e o controle metabólico são feitos com mudanças em diferentes aspectos do estilo de vida

00:00 · 12.05.2018

Dr. Renan Magalhães Montenegro chama atenção para a necessidade de sempre individualizar as recomendações nutricionais

Qual a importância da incorporação do índice glicêmico no planejamento dietético de pacientes com diabetes tipo 2?

O índice glicêmico é uma estratégia nutricional que pode ser utilizada no plano alimentar de diabéticos tipo 2 desde que esteja aliado à carga glicêmica e levando em consideração a qualidade e quantidade de carboidratos e demais nutrientes.

Como é feita a prevenção e o controle metabólico?

Pode ser prevenido ou retardado por meio de modificações do estilo de vida (alimentação saudável, atividade física e exercícios, perda de peso etc) e/ou medicamentos. A primeira estratégia é em geral a mais recomendada e deve ser conduzida sob orientação de profissional habilitado, de forma individualizada, considerando outros fatores de risco, comorbidades, faixa etária, sexo, hábitos e costumes.

Há porções ideais de consumo de doces por esses pacientes? Quais tipos de doces e suas respectivas quantidades são indicadas por dia?

A Sociedade Brasileira de Diabetes (2018) considera que 5% do valor calórico total ingerido pelo indivíduo possa advir de sacarose. Entretanto, tal medida deve ser sempre individualizada, não havendo, portanto, porções ideais de consumo de doces nessa população. Em relação à ingestão de frutas, recomenda-se o consumo mínimo de duas a quatro porções diárias, sendo pelo menos uma rica em vitamina C. Algumas frutas impactam na glicemia dos pacientes, mas utilizando estratégias nutricionais adequadas e aderindo à porção indicada pelo profissional o seu consumo pode ser feito. Quanto aos carboidratos, é indicado que essa ingestão não seja inferior a 130 gramas por dia, tendo como fonte os alimentos integrais, os vegetais, as frutas e os produtos lácteos.

E no caso específico de produtos regionais, a exemplo da rapadura? Ela pode ser consumida desde que sejam observados a quantidade do doce e o restante dos alimentos da dieta?

É preciso individualizar as recomendações. Alguns pacientes podem consumir caso estejam com o controle glicêmico adequado, tenham uma alimentação saudável e façam o tratamento medicamentoso prescrito pelo médico.

Qual é o impacto glicêmico do consumo de um pedaço de rapadura simples (sem a adição de outros ingredientes) logo após uma refeição, como o almoço?

Em geral, a rapadura eleva muito a glicemia e de forma rápida, mas seu impacto pode variar entre indivíduos. Cada paciente pode ter uma resposta glicêmica distinta a depender de vários fatores, como tempo de doença, tipo de tratamento medicamentoso, prática de exercícios. Ingredientes adicionados como os que contêm gorduras e proteínas (castanha, coco e amendoim) ajudam a reduzir esse impacto glicêmico (faz com que a glicemia do paciente não suba tão rapidamente). Contudo, mesmo nessa composição, a ingestão pelo diabético tipo 2 deve ser limitada. A sua utilização como sobremesa, após o almoço, pode resultar em elevação menor da glicemia quando comparado ao seu consumo isolado, desde que respeitada a porção e que haja adequação da refeição na composição de nutrientes.

Há outros alimentos regionais que podem ser consumidos por quem tem predisposição ou que seja portador de diabetes tipo 2?

Novamente é preciso individualizar a recomendação nutricional e conhecer qual o impacto de cada alimento na glicemia do paciente. Cada indivíduo pode responder diferente às porções ingeridas. Assim, vale ressaltar que o monitoramento glicêmico (as medidas de glicose no sangue utilizando tiras e aparelhos portáteis ou sistemas de monitoramento contínuo), são fundamentais.

*Colaborou Natasha Albuquerque, mestranda em Saúde Pública (UFC) e nutricionista do Centro de Endocrinologia Renan Montenegro

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