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Esquizofrenia sem estigmas

Pacientes com transtornos mentais desenvolvem trabalhos em pinturas e expõem na Casa José de Alencar. A iniciativa faz parte do projeto Artes em Esquizofrenia, do Ambulatório de Saúde Mental do Hospital Universitário Walter Cantídio

00:00 · 20.01.2018 por Cristina Pioner - Repórter
Esquizofrenia
Exposição reúne 100 telas pintadas por pacientes em tratamento. As imagens expressam diversos sentimentos e um pouco da história de cada um ( Foto: Reinaldo Jorge )

A forma como cada um se expressa é única. Uns revelam traços abstratos, outros delineiam o coração. Uns pincelam o universo com tons escuros, outros buscam o sol nas cores quentes. Uns retratam elementos da natureza, outros preferem as curvas do corpo humano. Uns transitam pela arte naif, outros se encontram no impressionismo de Claude Monet.

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Neste imenso quadro de talentos, todos têm algo em comum: a esquizofrenia, doença ainda hoje estigmatizada pela sociedade. Para quebrar essas barreiras, pacientes com transtornos mentais participam da primeira exposição Todos Envolvidos na Livre Artes (Tela), uma mostra artística realizada por meio do projeto Artes em Esquizofrenia (artES), do Ambulatório de Saúde Mental do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC). Ao todo são 100 trabalhos, incluindo alguns produzidos por pacientes oriundos do Caps IV, do Instituto Dr. Vandick Ponte e do Abrigo Desembargador Olívio Câmara (Adoc).

De acordo com Laura Serafim, psicóloga e coordenadora do projeto, o foco era trabalhar apenas com pessoas diagnosticadas com quadro de esquizofrenia. Entretanto, a partir da parceria com outras unidades de saúde, foram incluídos diferentes tipos de transtornos psicopatológicos.

"Independentemente do quadro apresentado, pacientes em tratamento costumam chegar às oficinas de arteterapia com sintomas de tristeza e desânimo", diz a psicóloga. Por outro lado, ela destaca o quanto que é gratificante acompanhar a evolução de cada indivíduo por meio das artes.

"Temos um paciente que faz a sua tela, mas ao final ele cobre tudo com uma só cor de tinta. Esta atitude também é uma forma de expressão", explica Laura, apontando para o conjunto de quadros monocromáticos presente na exposição.

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