SEGUNDO ESTUDO

Endometriose: prevenção inclui mais frutas cítricas

Estudo revelou que o consumo de vegetais crucíferos aumentou em 13% o risco de ter essa doença inflamatória

00:00 · 05.05.2018
Suco de laranja
A laranja se destacou na pesquisa. É importante ressaltar que os benefícios foram maiores quando consumida in natura. O suco também ajudou na prevenção, mas em menor escala

Um estudo publicado na revista acadêmica Human Reproduction, da Universidade de Oxford, apontou que o consumo de frutas é capaz de reduzir em até 22% as chances de a mulher ter endometriose. Alguns vegetais crucíferos, no entanto, podem aumentar o risco de desenvolver esse processo inflamatório decorrente do crescimento das células do endométrio.

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores coletaram durante 20 anos informações demográficas, antropométricas e sobre o estilo de vida de 70.835 mulheres com idade entre 25 e 42 anos. Sobre a dieta, foram verificadas a frequência com que elas ingeriam 130 alimentos, incluindo bebidas. O uso de suplementos nutricionais também foi monitorado para evitar distorções.

Resultados distintos

As participantes que relataram consumir frutas e outros vegetais de três a seis vezes ou mais vezes por dia tiveram 9%, 10%, 18% e 12% menos risco de endometriose no comparativo com as que afirmaram comer duas ou menos porções diárias.

Analisados separadamente, no entanto, frutas e demais vegetais apresentam resultados distintos. Ao passo que o consumo de três porções de frutas ao dia diminui em 14% o risco em relação às mulheres que consomem uma ou menos, a quantidade dos outros vegetais não influiu na incidência do problema.

"Até então não havia estudos tão robustos sobre alimentação e endometriose. Havia apenas pesquisas pequenas e muitas inconclusivas", afirma o ginecologista Marco Aurelio Pinho de Oliveira, chefe do ambulatório de endometriose do Hospital Universitário Pedro Ernesto (UERJ).

A vez dos cítricos

As frutas cítricas foram o grupo alimentício que mais atuou na prevenção da endometriose: mulheres que incluíram na dieta pelo menos uma porção diária apresentaram 22% menos risco de ter endometriose do que as que consumiam menos de uma vez por semana.

Conforme os pesquisadores, a provável responsável pelo benefício é a substância beta-criptoxantina, que tem propriedades anti-inflamatórias transformadas pelo organismo em vitamina A.

Vegetais de risco

Os vegetais crucíferos, em especial couve-flor, brócolis e couve-de-bruxelas, aumentaram em 13% o risco de desenvolver endometriose.

São necessárias pesquisas adicionais para esclarecer se os crucíferos causaram aumento real no número de casos ou apenas facilitaram o diagnóstico. Esses vegetais potencializam as dores abdominais.

Sem exageros

O ginecologista Marco Aurelio Pinho de Oliveira afirma que os resultados são extremamente interessantes, mas alerta que não deve haver exagero. "Os vegetais crucíferos são fontes de fibras e possuem nutrientes que trazem vários benefícios à saúde. Deixar de consumi-los é contraproducente. Da mesma forma, frutas cítricas em excesso podem acarretar dores abdominais e diarreia", pondera.

Recomendações

O médico recomenda às mulheres incluir na dieta alimentos ricos em ômega 3 (sardinha, atum, salmão, castanhas e amêndoas), assim como evitar adoçantes (com exceção da estévia) e reduzir açúcares e farinhas brancos.

É preciso priorizar hortaliças, carnes magras, ovos, queijo cottage, azeite de oliva, feijões e frutas (caju, goiaba, limão e abacate) capazes de reduzir a resposta inflamatória. Óleos hidrogenados, sal refinado comum e temperos prontos devem ser substituídos.

Fique por dentro

Doença aflige milhões de brasileiras

A endometriose é um processo inflamatório causado pelo crescimento das células do endométrio, tecido que reveste o interior do útero, em outras regiões. Órgãos do sistema reprodutivo (intestino, bexiga e áreas distantes) podem ser acometidos. São sintomas dores no período menstrual, nas relações sexuais. A infertilidade é uma queixa frequente.

Para o diagnóstico, leva-se em conta a história clínica (cólicas menstruais fortes e progressivas), a ressonância magnética e a ultrassonografia transvaginal, recursos que nem sempre conseguem identificar lesões inferiores a um centímetro.

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