para a vida

Educar para vivências práticas e saudáveis

Experiências didáticas da e-Nave inspiram jovens a adotarem novas atitudes, como mudança de hábitos

A sala de aula é um grande laboratório. Nela, a disciplina de educação física abre espaço para práticas de meditação, Ioga e alongamento. Além da saúde em si, os jovens ampliam seu repertório para novas formas de aprendizado
00:00 · 26.05.2018 por Giovanna Sampaio - Editora
As aulas do projeto "Leia o rótulo" levam o aluno a questionar sobre a sua alimentação, a exemplo do excesso de açúcar contido em um pacote de biscoito

Como fazer para que os alunos pratiquem uma atividade física se a escola não dispõe de uma quadra esportiva? Lamentar e justificar a impossibilidade de sair do lugar poderia ter sido a primeira reação. Mas não foi isso o que fez Isabel Blanc, professora de educação física na escola de Ensino Médio do Núcleo Avançado em Educação (Nave), no Rio de Janeiro.

A educadora encontrou uma nova função para a sala de aula. Ao afastar as cadeiras e dispor colchonetes no chão, iniciou a vivência na qual jovens, muitos pela primeira vez, conheceram os benefícios do Ioga, relaxamento, respiração, massagem e alongamento.

Não que as aulas de jogos coletivos não sejam necessárias, pois são um hábito saudável a ser incorporado pelos jovens para o resto da vida. "Mas é que existem outras formas de atividade física. São vivências em sala de aula que melhoram as relações interpessoais e ensinam o jovem a cuidar dor corpo", destaca Isabel Blanc.

Corpo em movimento

Chamada de "momento relax", a iniciativa é uma das 40 práticas pedagógicas inovadoras que agora estão sistematizadas no livro digital e-Nave (oifuturo.Org.Br/e-Nave), desenvolvido pela Oi Futuro em escolas públicas do Rio de Janeiro (RJ) e Recife (PE) conforme parceria com as secretarias estaduais de educação. O lançamento aconteceu dia 14, no Rio de Janeiro.

Tais ações foram concebidas no chão da escola e de uma construção coletiva de professores e alunos para viabilizar educação "que dialoga com a realidade", destaca Maria do Pilar Lacerda, diretora da Fundação SM Brasil. Já para Anna Penido, jornalista e diretora do Instituto Inspirare, "é um desafio ver os professores se reinventado em relação ao modelo de escola vigente".

Rótulos de embalagens

Nada mais atual do que falar sobre a bioquímica dos alimentos e a importância de observar atentamente o rótulo das embalagens, principalmente a tabela nutricional e como identificar os altos teores de gordura, sal e açúcar nos produtos industrializados.

Foi com esse desafio que a professora Andrea Piratininga levou para a sala a prática "Leia o rótulo" que trata sobre Biologia Molecular, Bioquímica e Física, ação que repercutiu no estilo de vida dos jovens de 13 e 15 anos.

A leitura atenta das embalagens de biscoitos, salgados e sucos prontos mostrou o quanto esses hábitos podem contribuir para conter o avanço de doenças relacionadas ao consumo exagerado, cujo resultado é o risco de diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares e obesidade.

"As informações do projeto Nave não brigam com o mundo real e fortalecem o professor", conclui Pilar Lacerda.

Fique por dentro

Em sintonia com a realidade atual e a sala de aula

Ensino de robótica (aprendizado mão na massa); o retorno ao analógico (lógica desplugada); trovadorâneos (literatura do século XII); conte uma história (choque de roteiro); aula em jogo ('gammification') são algumas das 40 práticas pedagógicas que estão no livro digital Nave (acesso gratuito).

As iniciativas oferecem uma formação técnica e humana para jovens das escolas Nave do Rio de Janeiro e Recife, mas a ideia é levar essas experiências para todo o Brasil.

*A jornalista viajou a convite da Oi Futuro

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