Cálcio

Desordens do metabolismo mineral e ósseo

Campanha incentiva a população ao consumo adequado de cálcio e, assim, evitar fraturas e osteoporose

00:00 · 15.09.2018
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Para o indivíduo adulto, o consumo mínimo de cálcio por dia é de 800 a 1.000mg , o que equivale a cerca de duas a três porções de laticínios

A baixa ingestão de cálcio por parte dos brasileiros, principalmente crianças e adolescentes até 18 anos, preocupa a comunidade médica. Isso porque, segundo a Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso), a ausência desse mineral na alimentação é porta aberta para uma série de doenças. Para alertar a população, foi lançada a Campanha "Quanto Cálcio", que antecede o Dia Mundial de Combate a Osteoporose, comemorado em 20 de outubro.

Compor a estrutura do esqueleto é uma importante função do cálcio. Nas crianças, a deficiência do mineral fragiliza a formação óssea, além de causar raquitismo e déficit de crescimento. A partir da meia-idade, elas podem ter osteoporose e fraturas.

Para um adulto, o consumo ideal de cálcio é de 800 a 1.000 mg por dia, o equivalente de duas a três porções de laticínios. Importante: uma dieta comum sem laticínios já possui cerca de 250 mg de cálcio (um copo americano de leite tem 200 mg do mineral).

A absorção do cálcio pelo organismo é facilitada com a exposição ao sol. Níveis normais dessa vitamina no sangue são vitais para a saúde dos ossos. No entanto, esse composto lipossolúvel não está presente na maioria dos alimentos e a principal fonte para o organismo é a fabricação de vitamina D na pele do corpo exposto à luz do sol.

Conforme a Abrasso, é importante tomar sol por 15 a 20 minutos diariamente, entre 9 e 15 horas, pelo menos três vezes por semana, com roupa adequada, de forma a manter os braços e as pernas expostos.

Perda óssea

A osteoporose (ou doença osteometabólica) está entre as principais desordens do metabolismo ósseo e mineral e, consequentemente, de maior prevalência no Brasil, segundo a médica endocrinologista Catarina Brasil d'Alva, professora adjunta do Departamento de Medicina Clínica da Universidade Federal do Ceará. Ocorrem, sobretudo, em função das alterações involutivas e hormonais associadas ao curso do envelhecimento.

A perda da produção de estrógenos após a menopausa causa um desbalanço no processo de renovação do tecido ósseo, resultando em perda de massa óssea, tendo a fratura como principal consequência.

Somados a isso estão fatores como a hereditariedade, hábitos de vida (dieta pobre em laticínios, sedentarismo, tabagismo, alcoolismo) e a perda de massa muscular. O resultado é um menor estímulo para a formação dos ossos.

A Dra. Catarina d'Alva explica que os estados de hipercalcemia (elevação do cálcio na corrente sanguínea) também representam anormalidade frequente do metabolismo mineral, embora sejam pouco diagnosticados por serem comumente sinais assintomáticos.

"São causados pelo hiperparatireoidismo primário (resultante da produção excessiva de paratormônio pela glândula paratireoide, que reabsorve cálcio do tecido ósseo) e pelas doenças malignas, justifica a doutora em endocrinologia pela Universidade de São Paulo.

Em números

Sobre as fraturas do quadril, alguns estudos nacionais que avaliaram mulheres maiores de 60 anos mostraram incidência de 50 casos/10 mil mulheres/ano, em Marília (São Paulo). No Ceará, o resultado foi de 20 casos/10 mil mulheres/ano, em Sobral, e de 27 casos/10 mil mulheres/ano em Fortaleza.

As fraturas são mais susceptíveis em mulheres magras, sedentárias, tabagistas, com idade avançada, assim como as com histórico familiar de osteoporose e lesões ósseas.

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