atividade física

Crossfoot: passes, dribles e gols para entrar em forma

Os treinos visam obter condicionamento físico voltados para a saúde e não apenas para a performance esportiva

Segundo os professores Wilson Saboia e Walter Cortez, a prática de crossfoot deve ser devidamente planejada e orientada por profissionais de Educação Física registrados nos conselhos regionais
00:00 · 24.03.2018

O futebol é considerado unanimidade nacional. O que vem mudando é a forma como esse esporte coletivo vem sendo visto tornando-se uma opção à prática de atividades físicas em locais fechados. 

O crescimento do mercado relacionado ao fitness explica o surgimento dessas novas práticas. Isso ocorre “em função da necessidade de se praticar exercícios com objetivos de condicionamento físico para a saúde, e não apenas para a obtenção de performance esportiva”, explicam Wilson Sabóia e Walter Cortez, ambos professores do curso de Educação Física da Universidade de Fortaleza.

> Crossfoot: a bola da vez

O primeiro é técnico da Seleção Brasileira de Futsal Feminino, mestre em Educação e responsável pelas disciplinas de Estágio Esportes de Rendimento e Metodologia do Futebol e Futsal, enquanto o segundo é mestre em Saúde Coletiva e ministra as disciplinas Biodinâmica do Corpo Humano I e II e de Aptidão Física e Saúde II. 

Sem monotonia

O crossfoot faz parte das diversas modalidades e modelos de treinamentos físicos que são frequentemente criados para diversificar tais práticas. “Isso faz com que os frequentadores de academias e centros de treinamentos físicos se mantenham praticando sem ‘enjoar’ de suas atividades e sem que estas fiquem monótonas”, definem Wilson Sabóia e Walter Cortez. 

“Foram aproveitados dois dos grandes modelos de exercícios comumente utilizados pelo público em geral, que são o crossfit e o velho ‘racha’, em uma única atividade que simula os treinos dos jogadores profissionais de futebol. Trata-se de uma rotina dinâmica e divertida, indicam os professores. 

Cadeias musculares

Correr pra frente, de lado e para trás. Isso sem contar com os saltos, freios e mudanças de direção realizados durante as corridas. Essas são algumas atividades que trabalham as cadeias musculares durante a prática do crossfoot. 

Tais cadeias musculares envolvem toda a musculatura dos membros inferiores, sendo os músculos anteriores das coxas e os posteriores dos quadris os mais solicitados durante o programa de exercícios. 

“Em segundo plano estão os músculos abdutores e adutores dos quadris, bem como as panturrilhas que agem nos gestos de aceleração e nos saltos. Não podemos desprezar também a participação de músculos estabilizadores dos tornozelos e dos pés nas mudanças de direção, a exemplo dos músculos fibulares”, destacam.

Limites e excessos

Para todo exercício há indicações e contraindicações. Mas antes de tudo é importante salientar que qualquer exercício físico de intensidade elevada reduz os benefícios ao corpo. 

“Isso dá lugar a riscos de lesões agudas, crônicas, além de situações deletérias à saúde do praticante”, segundo Wilson Saboia e Walter Cortez. Um desses perigos é o “sobretreinamento”, também chamado de overtraining, que ocorre quando os treinos se tornam demasiados, trazendo prejuízos ao invés de benefícios.

Faixas etárias

Quando essas atividades são praticadas por indivíduos “que ainda estão em processo de maturação biológica, podem ser extremamente prejudiciais e afetar os processos fisiológicos relacionados ao crescimento e irão de encontro à uma ideia inicial de saúde”, 

É importante a prática de exercícios nas faixas etárias mais jovens - quando o indivíduo ainda está em formação orgânica - mas deve haver cuidados quanto aos excessos. 

Nesse sentido, Wilson Saboia e Walter Cortez atentam para programas como o crossfoot. “Se não for devidamente planejado e supervisionado, entrará nesse contexto. Essas atividades devem ser planejadas, supervisionadas e orientadas por profissionais da área devidamente registrados nos Conselhos Regionais de Educação Física. (Colaborou Tainã Maciel)

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Piso e calçados adequados

Desviar de cones, saltar, correr com (ou sem) a bola, agachar e driblar são algumas das muitas manobras realizadas nos treinos de crossfoot, além - é claro - de tentar fazer gols.  

A prática pode ser realizada em diferentes tipos de piso - seja grama sintética ou natural - isso não chega a ser tão essencial ou comprometer o resultado final do condicionamento físico. O mais importante é que o profissional de Educação Física planeje a atividade e faça adaptações para adequar os exercícios ao ambiente. Não esquecer do uso de calçados adequados ao tipo de piso é uma dica.

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