esporte e exercício físico

Crossfoot: a bola da vez

Programa de treinamento físico, o crossfoot utiliza o futebol como modelo para intensas e lúdicas rotinas de exercícios. A 'academia' é ao ar livre

00:00 · 24.03.2018
Crossfoot
Alegria define a sensação de jogar de Cybele Bandeira, 51 anos ( Foto: José Leomar )

Dizem que ano de Copa do Mundo reaviva a paixão dos brasileiros pelo futebol. Já outros afirmam que esse amor pelo esporte nunca morre por aqui. A bancária Cybele Bandeira, 51, faz parte desse segundo grupo. A menina que brincava de bola na infância, hoje, encontrou uma forma de aliar o lúdico à manutenção do condicionamento físico por meio de uma prática ainda pouco conhecida: o crossfoot.

Promovida em Fortaleza pelo ex-jogador de futsal Airton 'Viola' Setúbal, a atividade é realizada ao ar livre e busca unir exercícios funcionais aos princípios do futebol. Segundo Cybele, que pratica a atividade há cerca de três meses, a experiência proporciona maior vigor para enfrentar a rotina. "A alegria está entre os benefícios, porque só fazer exercício sem diversão não dá", justifica.

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Praticado ao ar livre, o crossfoot "tornou-se uma divertida opção de prática de exercícios para aqueles que não gostam dos tradicionais locais fechados de treinos, cujas rotinas de atividades, geralmente, são monótonas e repetitivas", justificam os professores do curso de Educação Física da Universidade de Fortaleza (Unifor), Wilson Sabóia e Walter Cortez.

Primeiros passes

Segundo Viola, que já participou de campeonatos internacionais de futsal, o crossfoot surgiu durante as folgas das competições. A ideia de manter a disciplina de atleta, mas sem deixar de lado a diversão com os amigos, tomou forma e hoje Viola e seus assistentes Rafael Setúbal e Manuel Sousa contam com 12 alunos.

Foi por meio da indicação de colegas que o comerciário Cristiano Araújo, 38, começou a dar seus primeiros passes no crossfoot. A prática de exercícios físicos ajudou a recuperar sua agilidade. "Sei que não vou ter a explosão muscular dos 18 anos, mas tenho a disposição de me abaixar e levantar sem dor nas articulações".

Voltar a brincar

Seja no campinho perto de casa ou nos intervalos da escola, o brincar de bola até hoje faz sucesso entre a criançada. Para o psicanalista e psicomotricista Genivaldo Macário, 54, também é o resgate de um passado feliz e ativo. Acostumado a realizar atividades físicas pela manhã devido ao trabalho, Genivaldo encontrou no esporte o que procurava para manter-se sempre em movimento.

"Já fiz pilates por 10 anos e frequentava a academia, mas cansei. Quando conheci o crossfoot entendi que aqui reúno tudo que eu preciso. Uma das coisas melhores pra mim é a dinâmica", ao destacar o trabalho coletivo dos treinamentos.

Prazer de jogar

Já o motoboy Willame Matias, 26, participa do projeto organizado por Viola desde o início, há cerca de um ano, e enumera as mudanças. "Quando comecei pesava 102 kg e com três meses eu perdi 12 kg. Agora é manter o foco".

Viola atribui a motivação dos praticantes ao simples prazer de jogar. "Cada avanço é uma vitória. Quando você assiste uma partida pela televisão ou ao vivo, acha aquelas finalizações difíceis e tudo muito distante, mas quando os alunos têm o primeiro contato com a bola cria-se um vínculo e vira uma grande diversão".

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