afeto

Coração: abraço que salva

A percepção de alguns sinais auxilia ao rápido atendimento de ocorrências de AVC

00:00 · 03.03.2018

Demonstração de afeto, o abraço é um movimento descrito como o ato de manter alguém próximo ao peito, morada do coração. Quando a pessoa não consegue realizar esse gesto de carinho, indica que algo não está correto. Isso porque a forma como se abraça (e levanta os braços) é considerada um dos sinais de Acidente Vascular Cerebral (AVC). Quando percebido a tempo, possibilita o atendimento adequado, salvando vidas.

Rápida, coordenada e qualificada deve ser a assistência ao paciente com sintomas de AVC, trabalho semelhante ao 'pit stop' de um Fórmula 1. Na corrida, 34 ações, como troca de pneus e limpeza, ocorrem em dois segundos. Ágeis assim precisariam ser os cuidados na primeira hora após o episódio do AVC para evitar consequências severas, chamada como 'hora de ouro'.

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No entanto, cerca de 30% dos fortalezenses ainda chegam ao hospital cerca de seis horas após a ocorrência, segundo Dr. João José Carvalho, neurologista e diretor do Programa de AVC do Hospital Geral de Fortaleza, referência na área.

Observar com atenção

Para viabilizar um ágil atendimento, é preciso ter atenção para o que seu corpo, gestos e sons querem dizer, uma vez que os sinais do AVC podem ser percebidos por meio dessa observação. O evento coronário costuma se manifestar por um ou mais dos seguintes sintomas: perda de força ou sensibilidade de um dos lados do corpo, dificuldade para compreender o que se fala ou falar, perda visual (sobretudo de um dos olhos), tontura ou vertigem ou uma dor de cabeça intensa e sem causa conhecida. Todas essas reações se apresentam de forma imediata, argumenta o médico.

"Diante de alguém que apresenta um ou mais desses indícios, é fundamental agir rapidamente, ligar para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - Samu (192), que encaminhará o paciente para o hospital capacitado para o tratamento de AVC mais próximo", orienta o Dr. João José Carvalho.

Para facilitar a memorização das manifestações do acidente vascular, foi criada a sigla 'SAMU' referenciando cada letra a um indício específico (ver quadro).

Formas para prevenir

Com 400 mil casos anuais no Brasil, o Acidente Vascular Cerebral foi responsável por 100 mil mortes no País somente em 2015. É a doença que mais mata os cearenses. Em Fortaleza, a cada 30 minutos alguém sofre um AVC, sendo realizadas, diariamente, 11 internações.

O AVC pode ser isquêmico ou hemorrágico. Responsável por cerca de 80% dos casos, a forma isquêmica se caracteriza pela obstrução de um vaso sanguíneo no cérebro, bloqueando a passagem de sangue para os neurônios. Nesse tipo, estima-se que um paciente não tratado perde cerca de 1.9 milhão de neurônios por minuto. Já os outros 20% são referentes à forma hemorrágica, em que um vaso sanguíneo se rompe no cérebro, ocasionando sangramento e aumento da pressão no interior do crânio.

Apesar de o envelhecimento ser um fator de risco não-modificável, o AVC pode acontecer em qualquer idade, embora após os 50 anos a incidência de casos duplique a cada década de vida.

"Estima-se que 90% dos casos de AVC possam ser evitados. Daí ser importante observar os outros fatores de risco, como hipertensão arterial, colesterol elevado, uso abusivo de bebidas alcoólicas, diabetes, estresse crônico e arritmias cardíacas (fibrilação atrial", afirma Dr. João José.

Rede AVC

Segundo a Rede Brasil AVC, organização sem fins lucrativos, os hospitais de referência ou de retaguarda para a assistência ao AVC no Ceará são os seguintes: Hospital Geral de Fortaleza (habilitado pelo Ministério da Saúde - tipo III) e o Hospital São Carlos, na Capital. Já no interior do Estado, o Hospital Regional do Cariri atua em Juazeiro do Norte. (Colaborou Tainã Maciel)

atenção para os sintomas

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