descendência

Constelação familiar

Por que comportamentos, crenças e conflitos se repetem de geração em geração? Saiba como tratar

00:00 · 11.08.2018 por Giovanna Sampaio - Editora

A família é o vínculo mais profundo que liga os seres humanos. Mas também, ao mesmo tempo, é a fonte primária de doenças, neurose e sofrimento psíquico, não porque as pessoas sejam más, mas porque na família atuam destinos que concernem, tocam e influenciam a todos.

> Constelação pode mediar conflitos 
 
“Começa com os pais, esses, por sua vez, também têm pais e provêm de famílias com os seus próprios destinos, e isso repercute na nova família”, afirma Natalia Aguiar, psicóloga, psicodramatista e consteladora familiar em formação pelo Instituto Hellinger.

Questão de linhagem

Isso explica por que nossa herança não se restringe à genética. Herdamos as crenças e os comportamentos que são válidos neste sistema familiar.

“Há pesquisas em andamento que buscam a comprovação científica de que esses comportamentos possam influenciar o próprio genoma, ou seja, modificam inclusive as nossas células”, diz a psicóloga, que em outubro participa do “Hellinger Camp”, na Alemanha, maior evento internacional de constelação familiar.

O vínculo familiar, pontua Natalia Aguiar, faz com que os destinos sejam compartilhados por todos. “E, se aconteceu algo grave numa família, existe ao longo de gerações uma necessidade de compensação”, descreve Natalia, que há três anos, junto à médica psiquiatra Marilene Queiroz coordenam o grupo “Psicodrama Transgeracional”, cujos encontros acontecem no primeiro sábado de cada mês. 

Autoconhecimento

Aprofundar a compreensão que se tem da vida em família é o ponto de partida da constelação familiar. “O trabalho desenvolvido pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger “não é um ofício nem tampouco um método. É um caminho para um outro nível de consciência”, afirma a psicóloga. 

Trata-se de uma ferramenta para o desenvolvimento humano, cuja prática tem sido usada na melhoria da saúde, das relações afetivas, sociais e familiares, assim como na formação de líderes e aplicada nas áreas de Educação, Direito e Administração. 

Com relação aos temas que podem ser trabalhados, a consteladora familiar cita algumas situações nas quais o indivíduo precisa “abrir novos caminhos”. É o caso, por exemplo, quando a pessoa sente a necessidade de encontrar soluções, ter a sensação de alívio, entender o outro ou qualquer assunto que possa ser abordado no âmbito terapêutico. 

Ampliar o olhar 

Natalia ressalta “que as constelações jamais atuam de forma exclusiva em relação à medicina e a outros métodos terapêuticos que têm o olhar para a cura. É justamente o contrário. A proposta é a de oferecer uma possibilidade para o indivíduo observar sua doença/conflito e ampliar o olhar para médicos e terapeutas”.

Esclarece que essa abordagem não tem relação com o sobrenatural e técnicas de sugestão, muito menos sobre alguma religião ou credo. “Também não pressupõe a necessidade de que o cliente creia em nada de antemão. É uma forma empírica e baseada na própria percepção do cliente (constelado) e dos representantes”, descreve a psicóloga e psicodramatista Natalia Aguiar.

Temas constelados

Problemas no relacionamento (afetivo, familiar, geral);
 
Doenças crônicas, distúrbios alimentares (obesidade / anorexia);
 
Fobias, medo, traumas, depressão;
 
Vícios (drogas, alcoolismo);
 
Dificuldades financeiras e questões com herança, fracassos;
 
Fecundidade, abortos e adoção;
 
Desenvolvimento profissional, questões empresariais, entre outros 

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