doenças dermatológicas

Conheça o novo tratamento contra a dermatite atópica

Novo tratamento, que chegará em breve ao Brasil, busca proporcionar alívio nos sintomas e mais qualidade de vida aos portadores de DA

00:00 · 16.06.2018 / atualizado às 03:10 por Victor Ximenes - Editor Web*

A qualidade de vida dos indivíduos com dermatite atópica (DA) é drenada dia após dia. Os sintomas altamente incapacitantes, sobretudo nos casos mais severos, afetam as relações afetivas, os estudos e o trabalho.

Conforme pesquisas recentes, em torno de 51% das pessoas que apresentam as formas moderada ou grave da patologia manifestam sinais de ansiedade e depressão. Mas, com os avanços científicos, as perspectivas de melhora nesse quadro nunca foram tão grandes.

Crianças susceptíveis

A dermatite atópica está entre as doenças dermatológicas mais comuns. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, afeta 2,4% da população em todas as faixas etárias, sendo mais frequente em crianças (incidência de 13,7%). É uma doença inflamatória crônica, gerada pelo desequilíbrio no sistema imunológico.

Entre os sintomas dessa enfermidade hereditária e não contagiosa estão lesões na pele, coceiras (extremas e contínuas), vermelhidão, ressecamento, rachadura e descamação. Os portadores costumam ter histórico familiar de rinite alérgica ou asma.

Cotidiano difícil

De acordo com a médica imunologista Ariana Yang, chefe do Ambulatório de Dermatite Atópica do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), nas ocorrências mais críticas, o paciente tende ao isolamento, uma vez que as atividades cotidianas podem agravar o quadro alérgico.

"Há pacientes que se coçam 12 horas por dia, inclusive enquanto dormem", afirma a médica. Por isso, segundo ela, é importante a abordagem multidisciplinar no tratamento, com a participação efetiva de profissionais de diferentes especialidades (enfermeiro, nutricionista, psicólogo), a fim de garantir as melhores condições possíveis ao paciente.

Alternativa eficaz

É iminente a chegada ao mercado brasileiro de um medicamento que promete restabelecer a autoestima e elevar a qualidade de vida tão comprometida desses pacientes.

O dupilumabe, um remédio biológico, já é vendido nos Estados Unidos e foi aprovado em dezembro de 2017 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), faltando apenas a definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) para o início da comercialização no Brasil.

O fármaco é indicado justamente para o tratamento de pacientes adultos com dermatite atópica moderada ou grave, quando os tratamentos tópicos convencionais (aplicados diretamente sobre a pele) não atingem resultados satisfatórios. A substância age inibindo a resposta imunológica exacerbada, controlando a inflamação e, assim, reduzindo os incômodos dos sintomas.

Pesquisas

No Congresso da Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica (EAACI), realizado em Munique, na Alemanha, de 26 e 30 de maio, foram apresentados resultados considerados altamente positivos pela comunidade médica em relação ao novo tratamento contra dermatite atópica.

O dermatologista e pesquisador Diamant Thaci, da Universidade de Lübeck, na Alemanha, enfatizou a rapidez com que os sinais de melhora surgem mediante a ação do novo medicamento. As estatísticas apresentadas por ele indicam que, após quatro semanas de tratamento, dois em cada três indivíduos (de um grupo de 2.119) tiveram melhora de 75% nas lesões.

Esse índice também foi assinalado a longo prazo, considerando um ano de inclusão da terapia. Mas as respostas iniciais surgem logo na primeira semana de uso.

A redução na coceira, sintoma descrito pelos pacientes como o mais doloroso e angustiante da DA, é um dos principais resultados alcançados.

Para o Dr. Diamant Thaci, tal evolução é "importante a fim de resgatar a qualidade de vida dos pacientes". Segundo ele, a medicação inaugura um período animador para médicos e pacientes, pois passa a existir um tratamento realmente eficaz.

Elena Rizova, diretora-médica global de dermatologia da Sanofi, empresa que desenvolveu o medicamento, afirma que ainda não há data oficial de comercialização do produto no Brasil. O preço a ser praticado no País também não foi divulgado. Nos Estados Unidos, o tratamento anual com as injeções de dupilumabe custa em torno de US$ 36.000.

O que evitar

Ressalta-se que a doença tem vários estágios de gravidade, devendo o paciente procurar ajuda médica para definir o tipo de tratamento mais adequado a seu caso.

Conforme a Sociedade Brasileira de Dermatologia, os tratamentos normalmente incluem o uso de hidratantes e sabonetes especiais para aliviar os eczemas. Cremes ou pomadas (corticóides), assim como anti-histamínicos (por via oral), também são usualmente recomendados.

O contato com água quente deve ser vetado, assim como a ingestão de alimentos que possam desencadear reações alérgicas. Frio intenso e baixa umidade do ar são outros aspectos que podem agravar as crises.

Recomenda-se evitar também o uso de roupas de lã e de tecido sintético, bem como o contato com detergentes e produtos de limpeza em geral. Episódios de estresse emocional também são relatados e podem incitar os sintomas da dermatite atópica.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.