Entrevista

Como prevenir crises de asma

00:00 · 24.02.2018
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Medicamentos para tratar a asma - como bombinhas e outros dispositivos inalatórios - não viciam nem fazem mal ao coração, segundo Dr. Paulo Pitrez, pneumologista pediátrico (HSL/PUCRS)

Na condição de doença crônica dos pulmões, a asma deve ter acompanhamento médico ao longo da vida?

É uma doença tratável, mas que pode comprometer muito a qualidade de vida e oferecer riscos ao paciente quando não há um entendimento adequado da doença e tratamento orientado. Necessita de acompanhamento periódico por toda a vida para que sejam fornecidas orientações continuadas e o uso correto das medicações para o seu controle. Tal conduta pode reduzir significativamente o risco de exacerbações (crises) de asma, particularmente as mais graves.

Esse cuidado deve ocorrer mesmo na ausência de crises agudas? Por quê?

Sim. Revisões periódicas (de 1-4 vezes/ano, dependendo da gravidade da asma), são importantes para reajustes das medicações e orientações específicas. Um paciente que está bem há bastante tempo pode conseguir reduzir doses ou até suspender alguns medicamentos controladores. Medidas de função pulmonar (teste de espirometria) são realizadas periodicamente para auxiliar na avaliação da atividade ou deterioração da doença.

Pode ser confundida com outras doenças do aparelho respiratório?

Sim, mas variam um pouco com a faixa etária. Doenças relacionadas ao tabagismo, imunodeficiências, as pulmonares genéticas (fibrose cística), transtornos de ansiedade, e infecções respiratórias virais recorrentes nos primeiros anos de vida são as mais comuns. Uma criteriosa avaliação médica é essencial para o diagnóstico precoce correto.

A prevenção deve identificar os fatores de risco e quais são os 'gatilhos'?

Os fatores mais comuns são infecções respiratórias (a maioria por vírus respiratórios), exposição a alérgenos (ácaro, fungos) e exercícios físicos. Alguns são fáceis de identificar na consulta médica, como desencadeantes infecciosos ou por atividade física. Em relação a alérgenos, podem ser realizados testes de sensibilização (no sangue ou na pele) para avaliar a que fatores ambientais o paciente é sensível. Reduzir a exposição a alérgenos pode melhorar o controle da doença, apesar de não ser uma medida que por si só seja suficiente para controlar a asma. O uso de medicamentos 'preventivos' é essencial no tratamento na maioria dos pacientes. A causa mais comum de piora dos sintomas ou início de uma crise é a não adesão ao tratamento diário com os medicamentos prescritos ou uso inadequado dos dispositivos inalatórios. Mitos em relação a risco no uso de medicamentos são culturalmente fortes no Brasil, devem ser combatidos. Medicamentos para asma (bombinhas e outros dispositivos inalatórios com broncodilatadores e corticoide) são seguros quando prescritos corretamente pelo seu médico.

A alimentação pode ter relação com as crises de asma?

A alergia alimentar não tem relação com os sintomas de asma na maioria dos casos. A alergia no início da vida (leite de vaca) ou mais tarde (camarão, amendoim, ovo) não costuma comprometer os brônquios nem desencadear as crises. Quando há falta de ar por exposição a um alérgeno alimentar, costuma ocorrer por uma reação alérgica grave, que atinge a laringe (edema de glote), pressão arterial e pele.

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