Colesterol sob controle

Ainda são poucos os brasileiros que sabem os valores do seu LDL e quais as medidas preventivas necessárias

00:00 · 18.03.2017 por João Lima Neto - Repórter

A maioria dos brasileiros até sabe a importância de medir as taxas de colesterol e mantê-las sob controle, mas poucos conhecem, efetivamente, qual o índice atual de LDL (colesterol ruim) e HDL (bom). Foi o que mostrou a pesquisa "O que o brasileiro sabe sobre o colesterol", do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia, feita pelo Instituto Ipsos a pedido da Sanofi.

O estudo, realizado nas cinco regiões brasileiras, com 850 entrevistados, entre 31 de janeiro e 6 de fevereiro, revela que 67% da população ignora sua atual taxa de colesterol, um tipo de gordura produzida no fígado que está presente em todas as células do corpo e exerce funções vitais e esteja diretamente ligado à principal causa de mortes no mundo (as doenças cardiovasculares).

Tendência mundial

Os dados da pesquisa refletem resultados preocupantes de uma tendência mundial que já havia sido retratada no estudo "Think Again About Cholesterol" (TAAC), realizado em 2015 em 12 países.

"Foi revelado que apenas 8% das pessoas sabiam os valores de seu LDL, bem como que se preocupavam muito mais com a possibilidade de desenvolver um câncer do que sofrer uma complicação cardíaca", diz o cardiologista Henrique Tria Bianco, da SBC e um dos profissionais responsáveis pela pesquisa.

No estudo feito no Brasil, "muitos não conhecem suas próprias taxas. É preciso que o assunto seja cada vez mais divulgado para que as pessoas aprendam a cuidar da própria saúde, atinjam suas metas de colesterol e, como consequência, mais vidas sejam salvas", complementa o especialista.

Do conhecimento até tomar uma atitude (medir periodicamente as taxas de colesterol) há um longo percurso. A pesquisa mostra que 89% dos entrevistados acreditam que todas as pessoas, inclusive as crianças, precisam realizar essa aferição periódica.

No entanto, apenas 15% declara saber sua taxa de LDL (colesterol ruim); 32% dos brasileiros reconhecem as doenças cardiovasculares como a principal causa de morte no Brasil; 65% só realizaram exames depois de adultos, e outros 11% nunca mediram o colesterol na vida. Entre os avaliados, apenas 11% tomam medicamento para colesterol, enquanto 49% não têm conhecimento de que se trata de um tratamento contínuo.

Diferentes biotipos

Os pacientes que sofrem com o descontrole das taxas de colesterol passam a contar com mais uma alternativa de tratamento. A Anvisa aprovou o produto biológico, denominado de alirocumabe (resultado da parceria entre a Sanofi Aventis e Regeneron), em agosto de 2016 (a comercialização acontece este mês). A nova opção de tratamento atenderá uma demanda de aproximadamente de 800 mil brasileiros que enfrentam problemas de colesterol (LDL).

Os biótipos mostram que alguns pacientes necessitam de uma 'ajuda extra' para gerenciar o colesterol. "Há substâncias como as estatinas, usadas há mais de 30 anos para reduzir elevações de colesterol. O problema é que nem sempre funcionam", diz Jay Edelberg, responsável pelo desenvolvimento do produto biológico. Pontua que "o medicamento bloqueia a proteína PCSK9 que pode contribuir para níveis elevados de LDL".

Qualidade de vida

Para o presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia, André Faludi, o avanço nas pesquisas com o tratamento por meio do alirocumabe oferta mais qualidade de vida para os pacientes com o colesterol elevado.

"Trata-se de uma alternativa de tratamento importante para um grupo de pacientes que pode sofrer infarto, derrame ou que não suporta o tratamento com estatinas em função dos efeitos adversos", aponta o especialista.

A medicação está disponível nas dosagem de 75 mg e 150 mg, o Praluent deve ser administrado a cada duas semanas (aplicação única de 1 ml). A substância é injetada por meio de um 'caneta', podendo ser aplicada na região da perna ou na barriga.

Um desafio para os pacientes será o preço. Conforme a diretora médica da empresa na América Latina, Luciana Giangrande, o medicamento representa um investimento de R$1.287,13. "A intenção é que esse valor caia com o resultado das parcerias (ainda em curso) com o setor público junto do Sistema Único de Saúde (SUS", destaca.

Eficácia

Para avaliar a segurança do medicamento foi desenvolvido um conjunto de estudos clínicos, o Programa Odyssey. Desde 2003, foi identificada a PCSK9, proteína presente no sangue que reduz o número de receptores de LDL nas células do fígado. A inibição da PCSK9 amplia a disponibilidade dos receptores LDL nas células, reduzindo o nível de colesterol ruim no sangue e melhorando o ciclo do HDL.

Hoje, cerca de mil pacientes participam dos estudos clínicos, inclusive o Ceará. "Realizamos uma seleção cuidadosa dos centros que receberão a pesquisa. Serão agregados novos centros com o avançar dos estudos", descreve Renato Lopes, da Duke University Medical Center e coordenador da pesquisa no Brasil.

Fique por dentro

Muitos nunca fizeram exame na vida

Doença silenciosa, o colesterol alto só pode ser identificado com exames de sangue, sendo um importante fator de risco para as doenças cardiovasculares, que também podem ser controlados, a exemplo da obesidade, a hipertensão, diabetes e tabagismo. Quando em excesso, o colesterol ruim (LDL) forma placas de gorduras na parede das artérias dificultando o fluxo sanguíneo, podendo até mesmo obstruir essa passagem e ocasionar o infarto e derrame.

Outra forma de manifestação da doença do colesterol alto é a chamada Hipercolesterolemia Familiar (HF). Trata-se de um distúrbio herdado de parentes de 1º grau (pai, mãe, irmãos e avós) e apesar de não ser uma doença rara, ela é raramente diagnosticada, segundo destaca a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Daí a importância do acompanhamento médico periódico.

Para aumentar os níveis de colesterol HDL (bom) no organismo, é indicado controlar o peso, manter uma alimentação pobre em gorduras, assim como praticar exercícios físicos regularmente. Em contrapartida, ter o colesterol HDL baixo no organismo é prejudicial à saúde. O ideal é tê-lo sempre acima de 40mg/dl.

O colesterol LDL (ruim) é considerado alto quando é igual ou superior a 130 mg/dl. Para reduzir esse índice é preciso seguir uma dieta pobre em açúcar e gorduras. A prática de alguma atividade física - pelo menos três vezes por semana - também é uma premissa essencial.

*O repórter viajou a convite do Labotório Sanofi

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