físico e mental

Benefícios terapêuticos de exercícios em grupo

A atividade física promove o processo de agregar, socializar, interagir e vivenciar o bem-estar

A psicologia explica: em grupo, há a motivação recíproca, o apoio e a força de todos juntos em prol de uma mesma meta. Cercado de pessoas, torna-se mais difícil 'abandonar' um projeto, treino, uma meta ou missão
00:00 · 16.12.2017

Praticar exercícios físicos tem um impacto social altamente positivo na vida do indivíduo. Isso ocorre porque essas atividades liberam endorfina, substância natural produzida pelo organismo, que ajuda a gerar o sentimento de pertença e de superação, o de se sentir agregado a um grupo e de se entusiasmar com os ganhos obtidos.

A promoção da saúde acontece em vários níveis, pois controla as doenças crônicas, degenerativas e musculares, a exemplo da hipertensão arterial, diabetes e do sistema ósseo.

Humor bem regulado

"A melhora da depressão e ansiedade é possível com a prática de atividade física. Tanto assim que é indicada para pacientes em tratamento. Isso não só pela questão física ou química do organismo, mas porque essas pessoas estariam interagindo com outros indivíduos. É sinônimo de saúde", justifica o psicólogo e psicanalista Daniel Franco, membro da Liga de Neurologia e Psiquiatria Infantil (UFC) e do Centro Interdisciplinar de Saúde na Primeira Infância.

Sobre a ação da endorfina, Daniel ressalta a sensação de bem-estar, relaxamento, prazer, satisfação, conjunto que provoca a regulação do humor (emoções). Tal condição também ajuda a elevar a autoestima, a regular o sistema digestivo e fortalecer o sistema imunológico e, assim, reduzir o risco de adoecimento.

A prática de atividade física tanto é causa quanto consequência da liberação da endorfina no organismo. Isso ocorre da seguinte forma: "se eu me submeto a essa prática, naturalmente meu organismo vai produzi-la e liberá-la. A partir do momento que eu produzo e libero endorfina, estou propiciando mais condições ainda de aderir aos exercícios físicos. É como se fosse uma motivação natural", diz o psicólogo que integra o Centro Interdisciplinar de Saúde na Primeira Infância (ProCria).

No social e profissional

A atividade física é terapêutica por promover o processo de se sentir agregado, de socializar e de interagir com o meio social. Adepta de corrida de rua em grupo há quatro anos, Thais Araújo, advogada, 32 anos, é uma prova disso: "A maior diferença que vejo é a capacidade de dizer 'não' para o lazer em prol de um objetivo maior (uma prova ou um treino na manhã de um sábado qualquer). Acredito que tenha me tornado uma pessoa mais focada nos meus objetivos".

Para Homero Santos, representante comercial, 52 anos, são múltiplos os benefícios, a começar pelo físico, pois a prática contínua (com uma assessoria esportiva) o fez perder 12 quilos, assim como a "experiência de fazer novos amigos e compartilhar experiências de vida e de superação".

A disciplina e foco no trabalho também são destacados por Homero. "Nada mais eficaz e contagiante do que pessoas unidas por um objetivo comum. Isso acontece muito bem no esporte", afirma.

'Contágio' do bem

Quando está sozinho, o indivíduo 'funciona' diferente de quando se encontra inserido em um grupo. Isso vale para o esporte e outros grupos também. "Em situações como essa, a pessoa pode se sentir motivada pelos outros integrantes a aderir, persistir e manter, determinada atividade. É como age o 'efeito contágio'.

Daniel Franco cita o mecanismo de identificação que é desenvolvido dentro de grupos. Você encontrará entre adolescentes e crianças na escola, no condomínio, no parque, e na prática de atividade física, a exemplo da corrida de rua, assim como em times de basquete e vôlei, por exemplo.

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