Influência positiva

A importância de bem informar à população

Pesquisa dimensiona os desafios da mídia em discutir temas relacionados às doenças infecciosas no Brasil

00:00 · 23.12.2017 por Zilda Queiroz - Especial para o Vida

Informar sobre temas relacionados à saúde com embasamento científico, credibilidade e, ainda, de forma clara, precisa, objetiva e acessível a todos. Essa foi uma das conclusões do evento Journalists Workshop Infectious Diseases Brasil, promovido pelo Américas Health Foundation AHF.

Para que a informação chegue à população e promova mudanças positivas de comportamento e hábitos de vida, é preciso que a divulgação seja continuada e não apenas em ocasiões especiais, afirma a Dra. Ana Escobar, coordenadora da disciplina de Pediatria Preventiva e Social da Universidade de São Paulo (USP). No caso, as datas especiais dizem respeito aos 'meses coloridos' para conscientizar a população sobre a prevenção e o diagnóstico precoce de determinadas doenças.

Relação de confiança

"O poder da imprensa de informar em grande escala pode contribuir para influenciar a definição de prioridades e decisões em políticas públicas, alterar comportamentos de modo a afetar a condição de saúde das pessoas e popularizar ideias e conhecimentos", pontua a professora Maria Rosana Ferrari Nassar, da Pontifícia Universidade Católica (PUC- Campinas).

Segundo ela, temas relacionados à alimentação, a exames periódicos, à atividade física, estética e a medicamentos ocupam bons espaços na mídia, ao passo que outras, a exemplo das doenças infecciosas, nem tanto como deveria.

Para que a comunicação seja eficaz, Rosana Nassar diz ser fundamental estabelecer uma relação de confiança com o público, assim como anunciar os fatos com clareza e transparência; compreender o público-alvo (levar em conta suas crenças e atitudes); proporcionar cobertura aprofundada sobre os temas; e aprimorar a apuração criteriosa e crítica sobre os assuntos tecnicamente complexos.

Pesquisa revela

O câncer (incidência, formas de tratamento e medicação) é o tema que ocupa mais espaço na mídia, seguido das doenças cardiovasculares. Já entre as doenças epidemiológicas, a dengue registra maior interesse, assim como os serviços públicos, a nutrição e obesidade.

Esses são os principais achados da pesquisa realizada pela Américas Health Fundation AHF e apresentada por Verônica Barranco, diretora da agência In Press Porter Novelli. Em outubro, foram ouvidos 123 jornalistas brasileiros que fazem a cobertura da área de ciência e saúde, cujo objetivo foi compreender como esses profissionais observam seu papel no controle das doenças infecciosas (gripe, febre amarela, dengue, chikungunya e zika vírus).

Foram observadas poucas referências sobre centros de estudos epidemiológicos no Brasil. Para 43 jornalistas, a Fiocruz é citada em primeiro lugar, seguida do Instituto Emílio Ribas, e da Universidade de São Paulo, enquanto a maioria dos profissionais não soube informar sobre referências mundiais. Também ficou evidenciado um distanciamento das fontes privadas (indústria farmacêutica).

Doenças infecciosas

Segundo a pesquisa, apenas 10% dos jornalistas afirmaram não ter dificuldade de produzir matérias sobre doenças infecciosas. Ao que parece, as informações existem, mas não estão bem organizadas, não geram confiança nem estão em linguagem apropriada para os jornalistas que cobrem a área de saúde, enquanto os institutos de pesquisa e o governo estão entre as fontes mais utilizadas. No mundo, as organizações internacionais de saúde figuram em primeiro lugar, enquanto os institutos de pesquisa são importantes para 36% dos entrevistados.

Os entrevistados têm um nível de satisfação mediana em relação à informação sobre as doenças infecciosas e ao grau de conhecimento sobre o tema. Médicos e pesquisadores são as fontes mais relevantes para os jornalistas, o que não ocorre com o crédito dado às fontes da indústria e de organizações de saúde.

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