Negócios

Turismo: nova página no Ceará

00:00 · 30.12.2017 / atualizado às 00:35 por Regina Carvalho (Editor) e Yohanna Pinheiro (Repórter)

O ano de 2017 marcou o início de uma nova era para o turismo, a aviação e a economia no Ceará. Começou com o arremate, em 16 de março, do Aeroporto Internacional de Fortaleza - Pinto Martins pela operadora alemã Fraport. Com projeção de investimentos iniciais superiores a R$ 600 milhões, o terminal vislumbra o início das obras para expansão e melhoramento da qualidade das instalações ainda nos primeiros meses de 2018, o que já começou a atrair empresas aéreas para ofertar mais rotas, nacionais e internacionais, partindo da capital cearense.

A escolha do Aeroporto de Fortaleza como sede do centro de conexões aéreas do grupo franco-holandês Air France-KLM no Nordeste, em setembro, consolidou essas expectativas com o oferecimento de três voos semanais para Amsterdã e dois para Paris, além de uma ampliação de 35% das rotas nacionais da Gol no terminal para abastecer e distribuir os passageiros das rotas internacionais.

Com a perspectiva de criação de ainda mais voos, as novas rotas para a Europa começam em maio, mês em que também será iniciada uma segunda frequência da Capital para Miami (EUA), pela Latam. A companhia também dará início a uma rota para Orlando (EUA) em julho, partindo de Fortaleza.

Todas essas mudanças devem colocar Fortaleza, e o Estado como um todo, numa posição de maior evidência no turismo internacional, atraindo principalmente visitantes europeus. A expectativa do governo estadual é que a movimentação anual de turistas estrangeiros no Aeroporto Internacional de Fortaleza - Pinto Martins - cresça aproximadamente 40% nos próximos dois anos, o que deve impactar positivamente em toda a cadeia de turismo (rede hoteleira, restaurantes, comércio e serviços de transporte, dentre outros).

Somente em Jericoacoara, com a inauguração em junho do Aeroporto Regional Comandante Ariston Pessoa, a previsão do setor hoteleiro é ver crescer em 20% o número de visitantes na localidade. Hoje, já conta com rotas regulares de Congonhas (SP), Guarulhos (SP), Campinas (SP) e Recife (PE), e o governo negocia a captação de voos internacionais para o terminal. Uma nova página no turismo do Estado passa a ser escrita.

CSP agrega valor

A economia cearense também se viu impactada pelo primeiro ano de exportações da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), que modificou o perfil da balança comercial do Ceará. Se, nos últimos 20 anos, itens como castanha de caju, couros, peles e calçados de plástico ou borracha dominavam as exportações cearenses, hoje, são as chapas de aço da CSP que respondem por metade de tudo o que o Estado exporta. O principal responsável por essa mudança é o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), que inclui a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) Ceará, onde está instalada a siderúrgica.

'Trinca de hubs'

Três projetos estratégicos para o Estado tiveram início em 2017: o centro de conexões das companhias aéreas Air France-KLM/Gol; a parceria entre os Portos do Pecém e de Roterdã, que planeja transformar o equipamento em um hub portuário; e o hub de dados viabilizado pelo lançamento dos cabos SACs e Monet, da Angola Cables, ligando o Ceará à África e aos Estados Unidos por meio de cabos de fibra ótica. A expectativa é que cada um desses projetos traga mais oportunidades de negócios ao Estado e potencialize a captação de investimentos externos.

A expectativa é de que a CSP seja a âncora de um polo metalmecânico no Estado, atraindo uma série de outras empresas, como a do setor de autopeças, para o Ceará. Além disso, a própria ZPE tem buscado captar empresas exportadoras de diferentes segmentos para a região.

Reformas

Em 2017, o governo Michel Temer conseguiu avançar com pelo menos uma reforma, a Trabalhista. Quanto às regras da Previdência, o governo continua tentando efetivar as mudanças. A primeira, aprovada em julho pelo Congresso Nacional, entrou em vigor em novembro. A prevalência dos acordos com sindicatos e empregados sobre a legislação foi uma das principais alterações, além da criação e regulamentação do trabalho intermitente e do teletrabalho, mudanças na jornada e extinção da contribuição sindical obrigatória, entre outras. O principal impacto esperado pelo governo e lideranças do setor econômico é a segurança jurídica - o que significa menos despesas com ações judiciais - e a geração de novos postos de trabalho, enquanto a classe trabalhadora teme a precarização das relações laborais e a perda de direitos conquistados. A expectativa de especialistas é que a Justiça leve, em média, um ou dois anos para firmar uma nova jurisprudência em relação à nova legislação trabalhista.

Já em relação à Reforma da Previdência, o governo chegou a modificar a proposta duas vezes, suavizando alguns pontos, mas não conseguiu apoio suficiente na Câmara dos Deputados para votá-la ainda neste ano. Uma das mudanças que o governo tenta estabelecer é a definição da idade mínima para requisitar o benefício em 62 anos para as mulheres e 65 para homens. Após diversas tentativas de colocar a matéria para votação, o governo admitiu que a discussão e a votação da reforma da Previdência no plenário da Câmara ficou para o dia 19 de fevereiro.

Mais investimentos via concessões

Para ampliar investimentos e reduzir despesas dos governos, a concessão de equipamentos públicos à iniciativa privada foi adotada em todos os níveis da administração pública. Em 2017, o Estado iniciou os processos da Usina de Dessalinização, da Linha Sul do Metrô e VLTs, do Centro de Eventos (foto) e de áreas para a instalação de placas solares. Já Fortaleza apresentou a intenção de conceder terminais de ônibus, zona azul e espigões, dentre outros.

Expectativa para implantação de medidas para acelerar crescimento

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No último mês de 2017, o Governo do Ceará lançou um plano com cinco pontos com o objetivo de acelerar o desenvolvimento do Estado. As medidas preveem a simplificação e desburocratização, tornando mais ágil a formação de parcerias com o setor público; Infraestrutura econômica, com investimentos em rodovias, aeroportos, portos, barragens e adutoras; Infraestrutura social, com investimentos em saúde, educação, segurança, assistência social; Economia do conhecimento, com investimentos em pesquisa e desenvolvimento de projetos inovadores e Oportunidades de negócios, a partir de Parcerias Público Privadas (PPPs) e concessões, incentivos fiscais, grandes acordos de investimentos e hubs.

Como resultados dessa política, o governo estadual espera a injeção de R$ 8,7 bilhões em investimentos públicos no biênio 2017-2018, somando 524 mil empregos e R$ 2,6 bilhões em massa salarial no Ceará.

Além disso, projeta um adicional de tributos de R$ 1,8 bilhão oriundos de arrecadações de Cofins, ICMS, Imposto de Importação, PIS/Pasep, IPI, CSSL, IRPJ e outros pagamentos que incidem sobre a produção.

A expectativa para 2018 é constatar se serão consolidadas as conquistas previstas e as pactuações para o fortalecimento econômico do Estado, como por exemplo a atração de uma sonhada refinaria, desta vez com investimento oriundo da China.

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