Política

Eleições estaduais são o centro das discussões

00:00 · 30.12.2017 / atualizado às 00:36 por Edison Silva (Editor) e William Santos (Editor Assistente)

Ano de 2017 também foi atípico em relação à sucessão estadual de 2018, posto a antecipar da movimentação política, tanto em relação à formação das prováveis alianças quanto à de chapas majoritárias e proporcionais no âmbito estadual.

As chapas e coligações só serão homologadas no início do segundo semestre do ano que chega, mas o processo até aqui desenvolvido sinaliza para a disputa pelo Governo do Ceará por apenas dois candidatos competitivos, mesmo as oposições locais podendo apresentar dois concorrentes ao Executivo estadual para enfrentarem Camilo Santana.

A oposição, dependendo dos nomes escolhidos, sempre pode ameaçar a quem se encontra no Poder, mesmo estando encolhida como a atual.

Mas a eleição não é apenas estadual. A presidencial também vai motivar a política cearense, em razão da postulação de Ciro Gomes, pela terceira vez, ao Poder Central. Além do fato de militar na política local, Ciro é um dos líderes da maior força política do Estado e, consequentemente, o principal adversário de todos os oposicionistas locais, ligados a outros candidatos à Presidência da República, como o ex-presidente Lula, o governador de São Paulo, Gerardo Alckmin, e o deputado federal Jair Bolsonaro.

Parlamentares

Nesse campo, serão todos contra Ciro. O resultado eleitoral que ele conquistar influenciará o futuro da liderança que seu grupo hoje exerce no Ceará. O PT e o PSDB desenvolverão todos os esforços para garantirem votações expressivas para os seus nomes, posto a importância que o resultado emprestará às duas lideranças locais para futuras disputas, notadamente a do campo municipal, no qual é considerável a força governista de Ciro e de seu irmão Cid Gomes.

O momento político brasileiro, com o recrudescimento do combate à corrupção e o envolvimento de inúmeros políticos com desvio de recursos públicos e outras mazelas, reclamará dos candidatos estratégias diferentes de convencimento do eleitorado para conquistar o voto, principalmente o proporcional, de deputado estadual e federal, pelo grande número de candidatos e a exposição maior que eles precisam ter no curso da campanha eleitoral.

Por isso, ser relativamente grande a expectativa quanto à renovação tanto da Assembleia Legislativa cearense quanto da representação do Estado na Câmara dos Deputados nas eleições de 2018.

Os parlamentares, também pelas restrições constitucionais, pouco produzem ao sentir da população. A expectativa é de uma renovação de aproximadamente 60% na Assembleia e um pouco menor na bancada federal do Ceará, mesmo que o novo chegado ao Parlamento não represente melhoria de qualidade da representação, posto as suas ligações familiares ou não com os políticos tradicionais.

Teremos uma disputa, para os cargos de presidente da República, Governador do Estado, dois senadores, 22 deputados federais e 46 deputados estaduais, diferentemente das últimas realizadas no País em razão das alterações feitas na Legislação eleitoral no decorrer de 2017, a partir do financiamento da campanha e de outras que reclamam muita atenção dos candidatos em face da vigilância da Justiça Eleitoral, organizada para combater as velhas infrações eleitorais.

Ampla vantagem

O grupo governista atual do Ceará, pela costura política feita ao longo dos últimos meses, deverá sair do pleito de 2018 com uma ampla vantagem no Legislativo estadual e na bancada federal. Minguada, a oposição apresentará uma relação muito pequena de candidatos competitivos ao Legislativo. Por certo, a acomodação da bancada estadual nesta legislatura está diretamente ligada ao grande contingente de governistas, mais interessado em satisfazer os interesses do governante do que propriamente legislar e fiscalizar.

Propostas factíveis

Embora os discursos da campanha venham a ser carregados de otimismo, os candidatos não poderão se omitir quanto à discussão da realidade da futura administração estadual.

Hoje, o Ceará tem situação privilegiada no contexto da gestão pública, fruto da responsabilidade fiscal imposta pelos últimos governantes, a conjuntura nacional, que já atingiu a maioria dos estados brasileiros, não mais o favorecerá, reclamando dos candidatos a governador propostas factíveis, realistas.

O Executivo estadual tem recursos suficientes para fazer as obras da campanha de 2018, e não serão poucas, mas não são tão favoráveis as perspectivas para o vitorioso no próximo pleito eleitoral, daí a importância de os candidatos serem parcimoniosos nas promessas que venham a fazer ao eleitor.

Em novo mandato, desafio é 'superar o primeiro'

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Na noite do dia 1º de janeiro, Roberto Cláudio (PDT), aos 41 anos, tomou posse para o segundo mandato à frente da Prefeitura de Fortaleza. Em sessão solene conduzida na Câmara Municipal pelo presidente da Casa, o vereador Salmito Filho (PDT), o prefeito fez um discurso voltado a ações que transformem Fortaleza em uma cidade pacífica e mais competitiva. O vice-prefeito Moroni Torgan (DEM) também foi empossado na ocasião.

Aos presentes, Roberto Cláudio sustentou que "o segundo mandato deve superar o primeiro" e, para isso, afirmou que a gestão buscará inovações. A posse do prefeito, precedida pela dos 43 vereadores da Capital, reuniu o governador Camilo Santana (PT), o ex-governador Cid Gomes (PDT), o presidente da Assembleia, deputado Zezinho Albuquerque (PDT), e o procurador-geral de Justiça, Plácido Rios. Outros 183 prefeitos cearenses tomaram posse neste ano.

Novela do TCM chega ao fim

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Após nove meses desde que uma primeira Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi aprovada, em dezembro de 2016, pela Assembleia Legislativa, uma decisão do Supremo Tribunal Federal confirmou, no dia 27 de outubro de 2017, a extinção do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM)

A decisão diz respeito a uma segunda PEC, aprovada com amplo apoio da base governista em 8 de agosto, que, assim como a primeira, foi alvo de ação no STF. Os conselheiros da Corte extinta estão em disponibilidade. Ernesto Saboia foi o único já alçado ao Tribunal de Contas do Estado, que assumiu as funções do TCM, em 2017.

Construção da aliança entre ex-adversários

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Adversários na disputa eleitoral pelo Governo do Estado em 2014, o senador Eunício Oliveira (PMDB) e o governador Camilo Santana (PT) protagonizaram em 2017 uma reaproximação até então tida como improvável.

A primeira manifestação pública de uma aliança eleitoral que se desenha entre os dois foi a presença do peemedebista no lançamento do programa "Juntos por Fortaleza", realizado no Palácio da Abolição em 17 de novembro. Antes, informações de bastidores já davam conta de conversas reservadas entre os dois.

Embora não admitam ainda a aliança, na ocasião, Camilo e Eunício trocaram elogios e defenderam união de esforços pelo Ceará, o que voltou a ocorrer em eventos nos quais dividiram palanque no Interior do Estado.

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