prejuízo hídrico

Vazamento é constante em adutora de Caririaçu

Segundo o Dnocs, a água que é desperdiçada pelo equipamento chega a ser 50% do que é retirado do açude

Há oito dias, uma moradora registrou o estouro de um dos canos da rede atual de abastecimento. O jato d'água chegou a uma altura de cerca cinco metros
00:00 · 01.03.2018 por Antonio Rodrigues - Colaborador

Caririaçu. Inaugurado em 1985, o Açude Manoel Balbino, construído no leito do Riacho dos Carneiros, ficou popularmente conhecido como Açude dos Carneiros. O reservatório, responsável pelo abastecimento deste Município no Cariri cearense, hoje está com apenas 2,52% de sua capacidade e não teve aporte com as chuvas, segundo a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), no mês de fevereiro. Como se não bastasse, o abastecimento, há alguns anos, está comprometido com o vazamento da atual adutora.

A Cogerh instalou o equipamento emergencialmente, enquanto o permanente era concluído. Prevista pra funcionar em 2015, até agora, a rede de abastecimento de água não foi construído. Com isso, a tubulação provisória apresenta vazamentos em boa parte de sua extensão, desperdiçando um alto volume de água.

Há oito dias, uma moradora registrou o estouro de um dos canos da rede atual de abastecimento. O jato d'água chegou a uma altura de cerca 5 metros. Segundo o coordenador regional do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), Lailton Alencar, o desperdício causa preocupação. "A água que poderia ser aproveitada, hoje se perde 50% pelo caminho", lamenta.

Orçada em cerca R$ 13,2 milhões, a construção da rede de abastecimento de Caririaçu está paralisada. Pouco mais de 40% da obra foi concluída. Em novembro de 2017, foi retomada após uma renegociação entre a Prefeitura, Ministério Público do Ceará e a empresa responsável, que previu o pagamento de uma dívida de R$ 800 mil da antiga gestão com a construtora.

De acordo com o gerente regional da Cogerh, Alberto Medeiros, apesar do Açude Manoel Balbino não ter tido recarga, o São Domingos II, também em Caririaçu, apresenta um bom volume de água. Com as chuvas de fevereiro, o reservatório teve 295.071 m³ de aporte e está com 20,4% de sua capacidade. "Essa recarga, junto com o Açude Manoel Balbino, consegue atender até o fim do ano. Ele já tinha garantia até junho", tranquiliza, Alberto.

O diretor administrativo do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto de Cariraçu (Semae), Cícero Soares, responsável pelo abastecimento no Município, explica que, hoje, apenas o Açude dos Carneiros abastece a sede da cidade. O São Domingos II atende as comunidades pequenas e tem água até novembro.

Manutenção

O equipamento emergencial, que deveria atuar até dezembro de 2015, tem uma durabilidade maior em locais planos. Não é o caso de Caririaçu. A tubulação percorre, paralelamente, a CE-060, com subida e cheia de curvas. "Todos os dias, estouram canos duas ou três vezes. É preciso parar constantemente a fim de fazer a manutenção. Com isso, atrasa o abastecimento de água no Município", explica.

Desde 2013 foi adotado, em Caririaçu, um racionamento. Tem localidades que, segundo os moradores, passam 30 dias sem receber água. "Esse racionamento vai permanecer até que se resolva o problema da adutora", acrescenta Cícero.

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