Vaquejada renova tradição - Regional - Diário do Nordeste

Regional

Vaquejada renova tradição

19.09.2009

Apesar da prevalência da cultura urbana, vaqueiros do campo e da cidade buscam manter o esporte vivo

Fortaleza A lida diária com o boi criado solto no sertão deu origem a uma das manifestações mais tradicionais da cultura popular nordestina. Em ano bom, depois que a chuva vinha, o pasto crescia e o boi engordava, os vaqueiros reuniam o rebanho e mostravam suas habilidades como forma de lazer e descontração, dando origem à vaquejada. Hoje, seja em circuitos profissionais ou amadores, com grande estrutura ou feita de forma simples, a vaquejada contraria a tendência da urbanização da cultura e do desaparecimento de manifestações tradicionais, conquistando um número cada vez maior de adeptos e espectadores.

"Para você ter uma idéia, 90% dos nossos associados são de Fortaleza, só o restante que é do Interior. Tem estudante, médico, dentista, administrador. Alguns sequer tiveram contato com o meio rural na infância, outros já vêm de uma linhagem de vaqueiros que depois se mudou para a Capital. A vaquejada é uma coisa que, uma vez que você entra em contato, acaba se apaixonando", relata o diretor da Associação dos Vaqueiros Amadores do Estado do Ceará (Avace), Tadeu Lima, demonstrando a força que o esporte tem mesmo com as mudanças sociais e culturais no passar do tempo.

Atualmente, a entidade conta com cerca de 150 membros. A ideia é que o associado ligado à entidade não tenha nenhum vínculo profissional com o esporte, atuando apenas pelo prazer de competir.

"Para entrar no circuito amador de vaquejada, a pessoa tem que ter o próprio cavalo, bancar a inscrição e não ter sido vaqueiro profissional. Até decidimos reduzir o valor da premiação a um limite que dê apenas para cobrir as despesas para a participação", ressalta.

Para ele, o período chuvoso deste ano teve aspectos positivos e negativos. Apesar de ter prejudicado a realização de eventos no início do ano por conta das enchentes e das estradas cortadas, ele acredita que a temporada de vaquejadas do semestre seja emendada com a do ano que vem. "Nos outros anos, a temporada costuma terminar em novembro, mas este ano vai ser diferente. O nosso maior desafio para manter a vaquejada é o boi. Hoje, as boiadas que participam vêm de outros Estados, como o Pará". Além da Vaquejada de Itapebussu, que ocorre este mês, ele informa que haverá eventos em Cascavel (em novembro) e no Clube do Vaqueiro de Fortaleza (em dezembro).

Para quem considera a vaquejada um esporte violento, Tadeu Lima também destaca que há regras para não prejudicar o animal. "A gente preza o animal, temos regras muito claras. Se bater no boi, não tem pontuação", alerta Tadeu. Não há um registro preciso da origem das vaquejadas. Na década de 40, o esporte era conhecido como corrida de mourão e tornou-se popular no Nordeste brasileiro. Naquela época não eram competições, e sim apresentações onde os vaqueiros mostravam como faziam na lida do gado. A vaquejada atual é bem diferente. Os vaqueiros de hoje são verdadeiros atletas, que já não usam vestimentas dos antepassados. Muitos ganham a vida nas competições que ocorrem durante o ano. A forma de disputar também é bastante diferente, seguindo regras bem definidas.

Vocação

Considerada uma representante da velha guarda, a vaqueira Dina Maria Martins Lima, de 55 anos, não esconde o gosto que tem pela vaquejada. As mãos já não têm a mesma força da juventude e o corpo traz as marcas físicas dos anos dedicados à derrubada de boi tanto na caatinga quanto em competições. Mas ainda assim ela continua praticando. "Já não tenho força para derrubar o boi, agora atuo como batedora de esteira, que é o vaqueiro que pega o rabo do boi para o outro derrubar", afirma a vaqueira e Mestre da Cultura.

Filha e viúva de vaqueiros, Dina diz que é vaqueira desde criança, apesar da relutância do pai. "Aos 7 anos eu comecei. Meu pai não queria, mas teve que dar o braço a torcer quando viu que eu levava jeito", conta Dina, que é a única vaqueira mulher do Nordeste. "É uma vida sofrida, um trabalho feito na caatinga, com sol quente e que não tem reconhecimento. Mas sou a pessoa mais feliz do mundo por ser vaqueira e ter tantos amigos queridos nesse meio".

FIQUE POR DENTRO
A competição é realizada em uma pista de 120 metros de comprimento por 30 metros de largura. O boi tem que ser derrubado entre duas faixas de 10 metros. Nesta área será válido o ponto somente quando o boi, ao cair, mostrar as quatro patas e levantar-se dentro das faixas de classificação. O boi será julgado de pé; deitado, somente caso não tenha condições de levantar-se. Entretanto, o animal que cair em cima da faixa receberá nota zero. Cada dupla tem o vaqueiro de esteira, cuja tarefa é ajudar o puxador, ajeitando e alinhado o boi na pista, e o competidor que segura o boi pelo rabo e derruba entre as linhas determinadas. Para a escolha do campeão de um circuito, a disputa é feita na decrescente, ou seja, da última colocação para a primeira.

Mais informações
Associação dos Vaqueiros Amadores do Estado do Ceará
(85) 8663.1313

ITAPEBUSSU 2009
Programação variada para a festa público

Fortaleza Realizada há 64 anos, a Vaquejada de Itapebussu, no município de Maranguape, é uma das mais aguardadas festas da temporada. Uma celebração que procura reunir a adrenalina do esporte, elementos da tradição nordestina, grandes shows e uma intensa programação cultural. Este ano, o evento acontece entre os dias 24 e 27 de setembro, no Parque Novilha de Prata.

Na edição 2009 do evento, dois palcos vão receber atrações musicais nacionais e locais: Victor & Léo, Garota Safada, Taty Girl, Forró Sacode, Lagosta Bronzeada, Márcia Fellipe e outros grupos prometem eletrizar o público, estimado em 350 mil pessoas circulando durante os quatro dias de festa em Itapebussu.

Uma das grandes novidades este ano é o Camarote 20 Poucos Anos Itapebussu 2009. O espaço trará para dentro do evento uma grande festa temática que conta com um público fiel. O camarote terá programação própria com atrações de renome nacional, como Willie Oliveira, cantor do Rádio Taxi, além de palco exclusivo com shows, lounge e boate com VJ. O público do 20 Poucos Anos ainda terá acesso ao camarote front-stage. Outra novidade é o Pagode dos 14 que promove excursão, dia 26, partindo de Fortaleza em dez ônibus com ar-condicionado. Em Itapebussu, o público será recepcionado com uma feijoada, a partir das 15 horas, ao som de muito pagode com as bandas Mesura e com os 14, que traz o mais tradicional pagode dos sábados de Fortaleza para Itapebussu.

Novidades

Na área da vaquejada, haverá arquibancadas cobertas com capacidade para mil pessoas, prontas para receber um público que se renova a cada ano. Enquanto em 2008 foram distribuídas 700 senhas para os vaqueiros participantes, a expectativa é que na edição de 2009 este número aumente para 900. As inscrições permanecem abertas até o início da vaquejada, e podem ser feitas no local da vaquejada.

De acordo com o diretor de marketing da DSA Produções, Pedro Augusto, que organiza o evento, a grande novidade deste ano na vaquejada será a implantação de um telão de lead de alta resolução. A estrutura servirá tanto como um placar eletrônico para que o público possa acompanhar a pontuação dos vaqueiros quanto para rever os melhores momentos. Esta é a primeira vez que uma vaquejada no Brasil conta com este tipo de equipamento. No gramado do Parque, as tendas culturais movimentam o dia, levando alegria e tradição ao público. Enquanto isso, no barracão, o som da zabumba, do triângulo e da sanfona dos trios pé-de-serra fazem a alegria dos vaqueiros.

O investimento em segurança é outro destaque para Itapebussu 2009. Já que a festa acontece em diversos horários e locais, a equipe de estrutura do evento preparou o efetivo de 800 seguranças particulares. O parque foi dividido em setores: vaquejada, área cultural, clube e inscrições. Considerando que cada área tem suas particularidades e necessidades específicas de segurança, cada espaço foi tratado de forma independente. Sem contar que o trabalho ostensivo e preventivo será feito em conjunto pela Polícias Militar, Civil e Comando de Policiamento Rodoviário (CPRV), assegurando diversão e tranqüilidade para a festa.

KAROLINE VIANA
REPÓRTER

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