Tucunaré é recorde em pesca esportiva no Castanhão - Regional - Diario do Nordeste

esporte e aquicultura

Tucunaré é recorde em pesca esportiva no Castanhão

06.04.2012

Rômulo Patrick mostra tucunaré pesando 11,8kg, antes da devolução ao açude
Rômulo Patrick mostra tucunaré pesando 11,8kg, antes da devolução ao açude
Foto: Divulgação
Rômulo Patrick mostra tucunaré pesando 11,8kg, antes da devolução ao açude
Rômulo Patrick mostra tucunaré pesando 11,8kg, antes da devolução ao açude
Foto: Divulgação
O Castanhão é polo produtivo de pescados, especialmente tilápia, criada em cativeiro. O Ceará é o maiior produtor nacional deste peixe
O Castanhão é polo produtivo de pescados, especialmente tilápia, criada em cativeiro. O Ceará é o maiior produtor nacional deste peixe
FOTO: RODRIGO CARVALHO

A pesca esportiva ajuda a combater a ação predatória nos açudes do País e do Ceará, como o Castanhão

Jaguaribara Pesque, fotografe e solte. E no meio disso a emoção de fisgar o peixe e lutar com ele, mas sem feri-lo e ainda deixar que vá embora. É dessa forma que há quase dez anos o Açude Castanhão, o maior reservatório hídrico do Ceará, está despontando como um dos principais celeiros da pesca esportiva no Brasil. Um tucunaré pesando 11,880kg, ou seis vezes o peso normal, foi fisgado nas águas do açude e está chamando mais a atenção para a pescaria esportiva que tem atraído praticantes de outros Estados e ajuda a combater a pesca ilegal e predatória. É um recorde nacional fora da bacia amazônica. O reservatório também é o principal polo econômico-pesqueiro de tilápia no Estado do Ceará.

A onda de tucunarés gigantes está virando uma febre nas águas do Castanhão. Pescadores esportivos de São Paulo, Minas Gerais e até Paraná estão vindo ao Ceará passar de três a quatro dias concentrados num barco à espera da fisgada perfeita.

O peixe de água doce que, mesmo tendo uma vida sedentária, quando avista uma presa, só descansa quando a alcança, duela com o pescador e sua isca artificial é abocanhada. Ele mexe a cabeça, dá saltos na água e, cansado de lutar, é levado para o barco e erguido pelas mãos do pescador como quem levanta um troféu. De fato o é.

O "medalhão" de escamas é fotografado e, em seguida, para alívio do próprio peixe, devolvido à água. Estava se encerrando o turno da pescaria, com a fisgada de alguns tucunarés pequenos e médios, quando antes de recolher os equipamentos o praticante Rômulo Patrick lançou a última vez o anzol na água.

A força de empuxo no anzol era grande o suficiente para saber que ali vinha um peixe grande, só não esperava que fosse o maior: o tucunaré de 11,880kg e aproximadamente 90 centímetros. Mal cabia nos braços. Era um grande irmão de outros tucunarés gigantes, com tamanhos entre 50 e 60 centímetros - os tucunarés do Castanhão tem tamanho médio de 40cm.

"Estou convencido de que é um recorde de captura de tucunaré fora da região amazônica. É um feito incrível para o pescador e um mérito sem igual para a região em que o peixe foi capturado. Isso é prova que temos um tesouro sem igual aqui no Ceará, que deve ser defendido por todos que amam a pesca esportiva", afirma Yuri Mamede, presidente da Associação dos Pescadores Esportivos do Estado do Ceará (Apeece).

A entidade existe há quatro anos e reúne 65 pescadores esportivos, principalmente de Fortaleza, que viajam pelo Interior atrás de aventura.

O tucunaré é um peixe interessante: alimenta-se de peixes adultos, filhotes, mas se o rio fica cheio e a água turva, ele ataca peixes pequenos para se defender e não para comer. De hábitos diurnos, nos lagos e açudes o tucunaré se alimenta próximo às margens, onde a água é mais fria. O peixe é comum na bacia amazônica, e foi parar no Castanhão com ação de depósito de espécies de alevinos pelo Dnocs. O fato de ser predador de muitos outros peixes levou o órgão federal a adotar o tucunaré para combater as piranhas que têm habitado o açude. O problema é sério e já foi tema na página de Bem-Estar Animal, do Caderno Regional.

A presença de piranhas tem afastado até mesmo as aves que têm a água doce como habitat parcial. O peixe é bastante arisco e corta linha de anzol e até rede de pesca. O gado que faz a travessia em trechos inundados pelo grande reservatório também são vítimas das piranhas, que mordem a teta das vacas.

A boca do tucunaré é cheia de membranas. As iscas são de garapeias. Quando o peixe abocanha a isca artificial, ele tenta comê-la por sucção, daí ela ficar presa em sua boca, mas sem feri-la como acontece com iscas perfuradoras. A Apeece divulga a prática o ano inteiro, tentando tornar o Ceará num polo da modalidade. A melhor propaganda é a frequência de tucunarés gigantes no Castanhão.

Reservatório assume destaque na piscicultura

O Castanhão foi criado para reserva hídrica do Ceará e como controlador de cheias. Mas da sua função de abastecimento humano pouco se imaginava que, em uma década, o açude colocaria o Ceará entre os maiores polos pesqueiros do País. Antes mesmo da pesca esportiva, a pesca comercial - especialmente de tilápia - desponta na região.

Hoje o Ceará é o maior produtor nacional de tilápia. Em todo o Estado, a produção desse peixe deve aumentar 50%, chegando a 30 mil toneladas.

Enquanto leem esta matéria provavelmente milhares de leitores aguardam ou já apreciaram peixe no almoço desta sexta-feira santa. Frito ou cozido, marinado (de molho de um dia para o outro) ou não, a tilápia é um dos principais pescados na mesa do cearense. E daqui diretamente para a mesa de outros Estados brasileiros. De cada 10 quilos de tilápia no País, dois são produzidos no Ceará, também o maior Estado consumidor dessa cultura. A produção de tilápia tanto desponta no Castanhão que movimenta outros segmentos da cadeia produtiva. Há dezenas de produtores de artesanato gerando renda, tendo como matéria-prima o couro da tilápia, para calçados e acessórios, como roupas e cintos.

Conforme dados da Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará (Adece), 60 açudes em 57 Municípios cearenses produzem a tilápia em cativeiro, por meio de tanques-redes.

E foi nesse contexto que o tucunaré gigante surgiu no Castanhão, até ganhar status de medalhão na pescaria esportiva. Foi depositado, com outras espécies de alevino, no leito do Açude Castanhão, que recebe as águas do Rio Jaguaribe, manancial que um tempo atrás brigou com o Nilo (Egito) o status de rio mais seco do mundo (em período de estiagem). E quando a "peste" de piranhas invadiu o açude e surpreendeu os produtores, o Dnocs encontrou no tucunaré um dos predadores naturais desse outro peixe que, embora menor, está prejudicando o equilíbrio da fauna e da flora no reservatório.

Um incidente ocorrido com o maior tucunaré já pescado no Castanhão é que o animal faleceu após a pescaria e sessão de fotografias. A própria associação de pescadores alimentou o peixe. De acordo com o praticante João Bezerra, o animal teria ficado muito tempo fora d´água, mas até o autor da pescaria, Rômulo Patrick, tentou, sem sucesso, ressuscitar o bicho.

Os tucunarés passaram a se reproduzir e, hoje, são facilmente encontrados nadando manso em águas jaguaribanas. Quando avista de longe uma possível presa se mexendo, tenta ir pelas sombras para não ser visto e realiza um ataque surpresa. Quando é surpreendido é pelos pescadores esportivos, que o fotografam e o devolvem à água.

No final do mês de abril acontecerá campeonato de pescaria esportiva no Açude Castanhão. O torneio é realizado anualmente e reunirá integrantes da Associação dos Pescadores Esportivos do Estado do Ceará (Apeece). Outro certame que acontece todos os anos ainda reúne mais pescadores esportivos. É o CastPesca, também nas águas do Castanhão.

Mais informações:

Pescaria esportiva no Açude Castanhão
João Bezerra
Telefones: (85)9947.8914
(85) 8826.2838

MELQUIADES JÚNIOR
REPÓRTER

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