FENÔMENO DA NATUREZA

Tornados assustam população no Interior

01:38 · 13.03.2009
Desde fevereiro, três minitornados foram registrados no Ceará. Fenômeno é normal e pode voltar a acontecer

Fortaleza. A famosa cena de pessoas fugindo desesperadas de um tornado, comum em filmes norte-americanos, não está tão distante da nossa realidade como se pensava. Desde o mês passado, pelo menos três “minitornados” foram registrados no Ceará. Os mais recentes foram no sábado passado, nos municípios de Jaguaribara e Senador Pompeu, a 227 e 275km da Capital, respectivamente. Em fevereiro, o fenômeno já havia acontecido em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Os dois tornados do último sábado aconteceram à tarde. O de Jaguaribara atingiu a localidade de Vila do Mineiro, a cerca de 35km da sede municipal, e foi registrado em fotos pelo comerciante Raimundo Saldanha. Sem computador, o sertanejo descarregou as fotos na casa do sobrinho, o estudante Luís Antônio Saldanha, na cidade vizinha de Jaguaribe.

Segundo Luís Antônio, o tio narrou que o fenômeno aconteceu duas vezes naquela tarde, desaparecendo em minutos. Quando o fato aconteceu não chovia, mas logo depois da passagem do “vendaval” houve uma chuva muito forte. Inicialmente, os moradores acreditavam tratar-se de ”uma nuvem chupando água”. A ocorrência, porém, não deixou estragos.

Em Senador Pompeu, o mini-tornado aconteceu próximo ao Rio Banabuiú. Segundo o diretor da Rádio Sertão Central AM, Ricardo Coelho, o “funil” se restringiu àquela área, mas fortes ventos atingiram a parte urbana da cidade. “Escureceu de uma hora pra outra. Antes, estava fazendo sol. Então, veio uma chuva forte seguida de ventania, deve ter durado uns 20 minutos”, narra. Conforme o radialista Joalano Tavares, a população ficou em pânico.

Diferente de Jaguaribara, os ventos provocaram destruição. Muros, uma torre de transmissão de internet e uma árvore centenária de eucalipto caíram, a aparelhagem da rádio foi danificada pelos raios que acompanharam a chuva e aparelhos domésticos foram queimados. No bairro de Pavãozinho, choveu granizo, outra característica dos tornados.

Fenômeno comum

Segundo o gerente do Departamento de Meteorologia da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), David Ferran, a formação de tornados é comum durante o período chuvoso, apesar de não ser freqüente. Porém, é difícil aferir se a freqüência deles está aumentando, pois, são muito localizados e duram de dois a três minutos. Assim, os equipamentos metereológicos não conseguem detectar a formação das nuvens associadas aos tornados. “A melhor detecção acaba sendo o olho humano”, diz. A popularização de máquinas digitais e celulares pode explicar a maior incidência de registros no Estado.

Conforme o especialista, os tornados são classificados pela “Escala Fujita” na categorias F0 e F5, do menor para o maior potencial de destruição. Os que vêm acontecendo no Ceará são da intensidade mais baixa, com ventos de 64 a 116 km/h. O encontro de ar seco com ar úmido e de ventos em diferentes direções formam o fenômeno, que geralmente precede a chuva depois de um período seco. Caso os tornados voltem a ocorrer, a dica, conforme Ferran, é procurar locais com estrutura física sólida.

ÍCARO JOATHAN
Repórter


PRECIPITAÇÕES

Inverno está abaixo da média no Cariri


Crato. O inverno no Cariri está abaixo da média. Nos dois primeiros meses do ano, janeiro e fevereiro, e os 13 dias de março foram registrados apenas 271 milímetros, enquanto, em igual período de 2008, foram anotados 598 milímetros. A informação é do escritório regional da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), esclarecendo que o índice pluviométrico varia de um município para o outro.

As chuvas foram intercaladas com períodos de estiagem que prejudicaram o desempenho da lavoura. Os agricultores perderam parte do primeiro e do segundo plantio e agora estão na expectativa da continuidade do inverno para garantir o terceiro plantio realizado no mês de fevereiro.

Irregularidade

O inverno deste ano, de acordo com os técnicos da Ematerce, se caracteriza pela irregularidade. Chove forte numa localidade, enquanto faltam chuvas em outras. O agricultor Cícero Cacheado não tem do que reclamar. A sua roça, localizada na margem da CE-292, que liga os municípios de Barbalha e Missão Velha, ao lado da desativada Usina Manoel Costa Filho, está melhor do que ele esperava.

O feijão plantado numa área de quase um hectare vai ser colhido no fim do mês. “Está garantido o jejum da Semana Santa”, comemora Cacheado. Esta semana, ele juntou a família, os cinco filhos, para limpar o plantio. O agricultor disse que só não plantou mais porque não encontrou terra para trabalhar. Foi obrigado a ocupar um pedaço de terra na faixa de domínio da rodovia.

Bacia do Salgado

A escassez de chuvas reflete nos açudes da Bacia do Salgado, num total de 13 reservatórios públicos gerenciados pela Companhia de Gerenciamento dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh).

Essa bacia apresenta uma capacidade de acumulação de águas superficiais de 447,41 milhões de metros cúbicos. No entanto, até o momento, está com 310.710.00 milhões de metros cúbicos, praticamente o mesmo volume registrado no começo deste ano.

O gerente regional da Cogerh, Yarlei Brito, reconhece que o inverno está fraco na região, mas diz não haver preocupação quanto à reserva de água, mesmo porque a maioria dos grandes açudes da região sangrou no ano passado.

CHUVAS NO CEARÁ

Ibaretama 65mm
Maranguape 60.8mm
Fortaleza 60.8mm
Jij. de Jericoacoara 58mm
Jaguaribe 54mm
Pereiro 53mm
Beberibe 53mm
Granja 49mm
Independência 49mm
Maracanaú 46mm
Pacatuba 46mm
Aracoiaba 43mm
Cascavel 42.1mm
Jaguaribara 41mm
Paraipaba 39mm
Redenção 39mm
Ocara 38mm
Aquiraz 37mm
Crateús 35mm
Baturité 34mm
Pacajus 33.4mm
Caucaia 33mm

Antônio Vicelmo
Repórter

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Funceme: (85) 3101.1126
www.funceme.br

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