CENTENÁRIO

Sobral: Marco de mudança nas Ciências

00:00 · 19.05.2018
Planetário
O museu mantém lunetas e mapas estelares utilizados pelos cientistas para provar a teoria ( Foto: Emerson Ferreira de Almeida )

Sobral. Com a observação de um eclipse solar, a teoria que comprova a relatividade geral, do físico Albert Einstein, derrubou ideias fundamentais da Física Clássica, ao mostrar que o espaço não era absoluto e o tempo não corria de modo uniforme, mas eram grandezas relativas, que dependiam do ponto de vista do observador.

Antes dessa comprovação, a teoria especial da relatividade, a primeira elaborada pelo renomado físico, utilizava apenas referenciais que se moviam com velocidade constante, sem levar em consideração a gravidade. Além da comprovação da deflexão da luz, verificada com o eclipse de Sobral, a teoria da relatividade ainda serve de expoente para diversos estudos da área.

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Assim como a teoria do Big Bang, que se utiliza vários postulados da Relatividade Geral para tentar entender como o universo se originou. A previsão da existência de ondas gravitacionais, já citadas em importantes trabalhos, e não levada muito em consideração, pelo próprio Einstein, voltou a chamar a atenção de cientistas que anunciaram ao mundo sua existência, em 2016.

"Esse é o fruto mais recente das comprovações de Einstein, que também complementam teorias mais atuais. Por isso, esse legado ainda vai resultar muitas descobertas importantes para a humanidade", afirma Daniel Brito de Freitas, doutor em Astrofísica e professor do Departamento de Física da UFC.

A Praça do Patrocínio, demarcada simbolicamente em Sobral como ponto da observação, remonta, por meio de maquetes e dos instrumentos astronômicos utilizados na época, como se deu a comprovação. No momento em que a Lua cobriu o Sol, várias chapas fotográficas, de câmeras acopladas a telescópios, foram tiradas em sucessão, para registrar a posição das estrelas que estivessem próximas à borda do Sol. O eclipse teve início às 8h55, durando 5 minutos e 13 segundos. A conclusão foi a de que Einstein estava certo. Em alusão à data, Sobral fundou, em 1999, o Museu do Eclipse. O local auxilia estudos de Ciências e Geografia das escolas de Ensino Fundamental do Município e mantêm lunetas e mapas estelares utilizados pelos cientistas para provar a teoria.

Pesquisa

"Esse espaço exibe a memória, por meio de fotografias, dos eventos relacionados ao eclipse, a vinda das expedições britânicas, a montagem dos equipamentos, enfim, de todos os envolvidos direta ou indiretamente nessa confirmação", diz Emerson Ferreira de Almeida, diretor do Museu e Planetário de Sobral. Ele explica porque a cidade foi escolhida para a observação do fenômeno. "Henrique Morize, engenheiro civil francês, naturalizado brasileiro, que foi diretor do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro, conhecia o Município, por já ter mapeado, quando jovem, diversas regiões do Norte e Nordeste para a montar estações meteorológicas. O contato que ele tinha com as pessoas e a infraestrutura que a cidade tinha, com sua linha férrea e modernidade para a época, facilitou a escolha de Sobral como local adequado para instalar esse ponto de observação", finaliza Emerson.

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