Unilab

Segue polêmica sobre benefícios estudantis

Novos estudantes estrangeiros não terão mais direito a benefícios. Reitoria alega falta de recursos

00:00 · 11.07.2017 por Renato Sousa - Repórter
Image-0-Artigo-2267529-1
Professores e estudantes se disseram surpresos com o aditivo ao edital de concessão de benefícios a estudantes de baixa renda que determinou que estrangeiros não teriam mais acesso aos programas de assistência ( Kléber A. Gonçalves )

Redenção. Estudantes e docentes da Universidade da Integração da Lusofonia Afrobrasileira (Unilab) prometeram manter mobilização pela revogação das novas regras para a concessão de auxílio estudantil para estudantes estrangeiros. "A gente vai se reunir várias vezes até conseguir o diálogo", declarou o coordenador do curso de Administração Pública da Unilab, Pedro Magrini. Segundo o docente, a categoria está convocando uma reunião nesta semana para tratar do tema.

A motivação do encontro é um aditivo, lançado na última semana, ao edital de concessão de benefícios a estudantes de baixa renda que determinou que alunos estrangeiros não poderão mais ter acesso aos programas de assistência estudantil da Universidade. Os valores podem ultrapassar R$500.

"Esses auxílios, sozinhos, não garantem a estadia do aluno, mas ajudam muito", declara a professora Rosalina Tavares, diretora do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas. Segundo ela, os corpos docente e discente ficaram surpresos com o lançamento do aditivo. A mudança nas regras para a concessão do auxílio, segundo ela, vai de encontro ao projeto da Unilab. "Isso foge à nossa missão, porque uma universidade criada para interiorizar o ensino superior não pode pensar na elite", diz. Tanto ela quanto Magrini garantem que a imensa maioria dos alunos da Unilab vem de famílias pobres.

A médio e longo prazo, segundo os docentes, o impacto na Instituição, caso a nova política seja convertida em regra, pode ser imenso. "Trata-se da extinção da vinda de alunos da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, grupo de onde se originam os alunos estrangeiros da Unilab), ou a elitização desses estudantes", disse Magrini. Segundo ele, a Universidade foi criada com o objetivo de ser uma instituição internacional e "a existência desse projeto, que é diferente de qualquer outra universidade no Brasil, necessita desse tipo de bolsa".

Dificuldades

A tese foi confirmada por um aluno moçambicano, que conversou com a reportagem sob condição de anonimato. Segundo ele, teria sido "muito difícil" poder estudar na Instituição sem a concessão do benefício. O aluno afirma que, em Moçambique, ele estudava graças a um atestado de comprovação de pobreza. Aqui, ele precisa dos recursos de assistência estudantil, um total de R$530. "Esse valor nos ajuda muito nas despesas. Nós pagamos xerox, material, conta de água, luz", declarou.

Estudantes brasileiros também criticam a medida. Matheus Maciel, coordenador do Centro Acadêmico de Administração Pública, também afirma que o fim da assistência para os alunos estrangeiros atenta contra o projeto de internacionalização da Instituição. "A Unilab percebe que os seus alunos são pobres, filhos de agricultores, da classe trabalhadora, que não têm como se sustentar dentro da Universidade", diz. Ele afirma que o movimento estudantil da Instituição também deve continuar manifestando-se contra a medida. Amanhã, deve ser realizada assembleia estudantil.

Empurra-empurra

Não será a primeira manifestação. Na sexta-feira (7), ele diz que estudantes tentaram entregar as reivindicações ao reitor, Anastácio Queiroz. No fim, acabou ocorrendo um empurra-empurra envolvendo estudantes e o dirigente universitário. Duas alunas e o próprio Queiroz foram levados para prestar depoimento na Polícia Federal. Segundo Maciel, os relatos são de que o reitor teria empurrado as duas.

A Assessoria de Imprensa da Unilab, em nota, diz que, "a despeito de a manifestação discente ter ultrapassado todos os limites de urbanidade e democracia que devem pautar a vida acadêmica", não houve agressão.

O aditivo, segundo o texto, foi apresentado em razão de dificuldades financeiras. O orçamento para assistência estudantil deste ano é de R$8,5 milhões. Até junho, mais de R$6,5 milhões tinham sido gastos. A Universidade precisaria de, pelo menos, mais R$5 milhões apenas para assistência. "Todo esse déficit vem sendo coberto por verbas de investimento, remanejando-se do capital - obras, equipamentos, sala de aula etc - para assistência estudantil".

A Unilab diz que está aberta para debater o assunto. A nota declara que três reuniões da Reitoria - com alunos, professores e servidores - serão realizadas para debater o assunto, além de um novo Conselho Universitário (Consuni), instância máxima da Universidade, marcado para sexta-feira (14).

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.