Até fevereiro

Repasse de R$ 65 mi garante as obras do CAC

O dinheiro será aplicado no Trecho 1, que possui cinco lotes, mas será concentrado no eixo emergencial, 1, 2 e 5

No Cinturão das Águas, os trabalhos seguem conforme o previsto. Já as obras de transposição, continuam em ritmo lento ( Foto: Antonio Rodrigues )
00:00 · 05.01.2018 por Antonio Rodrigues - Colaborador

Juazeiro do Norte. O Ministério da Integração Nacional repassou, no último dia 28 de dezembro, R$ 65 milhões para as obras do Cinturão das Águas do Ceará (CAC). Com o valor, o orçamento previsto no cronograma anual foi cumprido. No entanto, cerca de R$ 42,5 milhões serão para pagamentos das construtoras que trabalharam entre outubro e dezembro de 2017. Até a próxima semana, estas dívidas serão quitadas. O restante, cerca de R$ 22,5 milhões, servirá para execução nos meses de janeiro e fevereiro.

O dinheiro será aplicado no Trecho 1, que possui cinco lotes, mas será concentrado no eixo emergencial, nos lotes 1, 2 e 5. Com 53Km de extensão e 68% concluídos. Este setor, de canais, túneis e sifões, levará água do Rio São Francisco até o Açude Castanhão, que abastece Fortaleza. Toda a primeira etapa, que vai de Jati até Nova Olinda, tem 149Km e pouco mais da metade foi feito.

O lote 1 está 87% concluído e possui 285 trabalhadores. Já o lote 2, que está com 52% de suas obras prontas, terá um aumento de mão de obra. Antes, eram 100 homens, agora, em janeiro, 322 estarão contratados. Enquanto o lote 5, que são túneis, é o mais avançado, já tendo sido feitos 93% do previsto. Lá, trabalham 481 pessoas. Os lotes 3 e 4 estão parados, mas apresentam 19% e 4,2%, respectivamente.

Segundo a Superintendência de Obras Hídricas (Sohidra), a previsão é de que, até maio de 2018, estes 53Km sejam concluídos e a água possa chegar até o Riacho Seco, em Missão Velha. De lá, percorrerá 13Km até o Rio Salgado, seguindo por gravidade até o Rio Jaguaribe, que abastecerá o Açude Castanhão - hoje, com menos de 3% de sua capacidade.

O diretor de águas superficiais da Sohidra, Antônio Madeiro de Lucena, acredita que, com uma vazão de 12m³/s da Transposição do Rio São Francisco, garantiria água para Fortaleza. "Mesmo que haja perda de água no trajeto de, aproximadamente, 3m³/s, a capacidade do Castanhão poderia dobrar da atual em até dez meses recebendo água", garante.

Antônio Lucena acredita que, com um repasse de R$ 20 milhões mensais, dá para entregar o eixo emergencial neste primeiro semestre de 2018 e retomar os lotes 3 e 4. "De Jati a Brejo Santo são pequenos serviços. O lote 2 é que está bem atrasado, mas agora terá mais homens. Por outro lado, com as chuvas, não adianta contratar porque só vamos trabalhar no duro a partir de abril", explica.

Somando o último repasse, o Governo Federal fecha 2017 com R$ 209,5 milhões investidos no CAC. A entrega da quantia está sendo acelerada no último biênio, onde o montante já atingiu R$ 469,3 milhões, quase o dobro dos anos de 2014 e 2015. De acordo com o Ministério da Integração, o recurso tem sido intensificado pela preocupação com a seca que o Ceará vem passando no últimos anos.

Segundo a Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH), reuniões periódicas estão sendo realizadas com o Ministério da Integração Nacional, em Brasília, para garantir os prazos da obra. Dentre das pautas destes encontros, está o cronograma dos repasses para 2018, que ainda será elaborado. A expectativa do governo cearense é receber o próximo aporte em março.

Visita

Preocupado com a chegada das águas ao Açude Castanhão, o governador Camilo Santana visitou, no último dia 23 de dezembro, as obras da Transposição do Rio São Francisco. De helicóptero, o chefe do Executivo cearense foi até Salgueiro (PE) e sobrevoou a construção. Em seguida, pousou em Jati e, de lá acompanhou, de carro, os lotes em construção do CAC até Missão Velha.

Transposição

A Transposição do Rio São Francisco é que segue incerta. Nas obras do eixo-Norte, que levará água até o CAC, o cenário é de paralisação ou ritmo lento, com reduzido número de operários e ausência de máquinas, em Penaforte (CE) e Salgueiro (PE). Em alguns trechos, o mato já toma conta do eixo central do canal. Havia a promessa do Ministério da Integração de o trabalho acontecer em três turnos, incluindo a noite, mas, em Salgueiro, por exemplo, as obras só são tocadas pela manhã.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.