produção de silagem

Produtores apostam no uso do capim-elefante

O maior benefício é a alta produção de massa, sem a exigência grande de volume de água como em outras culturas

Por causa das condições de clima, a produção no Ceará tende a ser boa ( Fotos: Natinho Rodrigues )
00:00 · 27.08.2018
A apresentação de técnicas de cultivo e benefícios do capim-elefante ocorreu na Fazenda Sossego, em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza

O Ceará é local perfeito para a produção de capim-elefante. A planta foi desenvolvida por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Gado de Leite, em Juiz de Fora (MG) e é uma alternativa de baixo custo para a suplementação na alimentação de gado. Segundo o engenheiro agrônomo da Embrapa Gado de Leite, Paulino José Melo Andrade, o Estado poderá, em breve, possuir uma produção bastante elevada em relação a outros locais do País.

"Aqui no Ceará a gente tem uma expectativa muito boa, considerando que o produtor tenha condição de fazer irrigação. É possível a gente conseguir uma produção ainda mais interessante ou maior do que a gente consegue na região Sudeste por causa das condições de clima, como luminosidade e temperatura", explicou ele durante apresentação no último sábado (25) de técnicas de cultivo e benefícios, na Fazenda Sossego, em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza.

De acordo com ele, o capiaçu começou a ser trabalhado no início da década de 90 e que só no ano de 2016 ele foi oficialmente lançado. "Quem trouxe isso para o Ceará foram os produtores daqui. Nós trabalhamos na região costeira de todo o Brasil, inclusive no Nordeste. Quase todos os estados do País foram contemplados com esses estudos da Embrapa", completou.

Paulino também reiterou que a adesão dos produtores cearenses é bem positiva. "A gente já tem verificado uma adesão muito grande em todo o País e acreditamos que o mesmo vai ocorrer aqui, uma vez que o material chegou no Ceará. A expectativa é que a planta se propague o mais rápido possível".

Benefícios

O capim-elefante possui alto rendimento para produção de silagem e picado do cocho, com elevado potencial de produção e bom valor nutritivo. Pelas características já citadas e pela tolerância ao estresse hídrico, produtores do Ceará a introduziram em suas fazendas, a partir de março deste ano. Já são 32 propriedades no Estado produzindo.

Para Manoel Belarmino, proprietário da Fazenda Sossego, o maior benefício é a alta produção de massa, sem a exigência grande de volume de água como em outras culturas.

"Nós podemos cultivar durante o ano todo usando apenas 5mm de água por hectare ao dia. Três meses é o básico para a gente atingir essa silagem, coisa que em cultura nenhuma ninguém faz isso", opinou.

Segundo ele, entre outros benefícios, há ainda o menor custo de produção. "Além disso, há o maior volume de produção, sem a exigência hídrica e a propagação que pode ser muito rápida. Então eu acho que isso já sintetiza tudo que é a partir para a prática e ver o resultado. Já tem muita gente neste caminho. Dentro desse grupo que está aqui, pelo menos 20 produtores vão sair com a cabeça pronta para plantar", destacou.

Belarmino é pioneiro no cultivo de capim-elefante. "A gente começou com poucas mudas. Eu e o grupo da Associação dos Produtores de Leite do Estado do Ceará (Aprolece) trouxemos um pouco de mudas, dividimos entre nós e a gente está fazendo essa propagação. Hoje, posso dizer para você que sou o maior produtor de mudas aqui no Ceará", garante, ao frisar que já tem três hectares irrigados, prontos para receber esse plantio. A gente vai ampliando lentamente porque requer um certo custo, não de investimento, mas por conta da mão de obra que é complicada. Até o fim deste ano eu já quero ter os três hectares", comentou Belarmino.

O presidente da Aprolece, Alexandre Gontijo, afirmou que já está realizando a disseminação das mudas pelo Estado. "Nós estamos divulgando a cultura, fazendo palestras. O capiaçu é um capim altamente produtivo, fácil de lidar e de irrigar. A gente está disseminando a cultura entre os produtores porque existe um ganho de produtividade e você consegue produzir em um pequeno espaço e ter um volume muito grande. E como os pequenos produtores têm um espaço reduzido a cultura é bem vantajosa", disse.

De acordo com Gontijo, o Ceará produz atualmente 1,5 milhão de litros por dia. "Com o capim esse volume pode aumentar. Não somente por causa do capim, mas também a partir de outras tecnologias. O primeiro item é o conforto para a vaca e depois a alimentação de qualidade", acrescentou.

Dia de campo

Para mostrar esse trabalho, a Associação dos Produtores de Leite do Estado do Ceará (Aprolece), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Ceará (Sebrae-CE) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), promoveram o 1º Dia de Campo do Projeto Pró-Leite - BRS Capiaçu - cultivar de capim-elefante, com palestra do engenheiro agrônomo da Embrapa Gado de Leite Paulino José Melo Andrade, na Fazenda Sossego.

Os sócios da Aprolece têm uma produção de leite diária em torno de 100.000 litros. A Associação é composta de grandes, médios e pequenos produtores, tem convênio com o Sebrae-CE e Senar-CE, com a prestação, aos associados, de serviços de assistência técnica e gerencial, por meio de um veterinário e um agrônomo.

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