Poluição atinge Rio Jaguaribe - Regional - Diário do Nordeste

LIXO ORGÂNICO

Poluição atinge Rio Jaguaribe

15.03.2007

MELQUÍADES JÚNIOR
O Rio Jaguaribe fica irreconhecível neste período de chuvas, tamanha é a poluição de suas águas

Limoeiro do Norte. O problema existe desde que começou a ocupação urbana, mas quando chega o período de chuvas é que se agrava. As margens do Rio Jaguaribe, no trecho que passa por Limoeiro do Norte, recebem lixo orgânico do açougue que fica na própria margem. Ossadas de bois e pedaços de peixe aumentam a fedentina no local e a proliferação de mosquitos. As águas das chuvas arrastam as putrefações para o rio, que fica irreconhecível neste período.

O trecho mais poluído em Limoeiro (que corta em 15 km o Jaguaribe) se dá na divisa da zona urbana com a localidade de Sítio Ilha. Os fundos do mercado da carne ficam às margens do rio. Nesse trecho, é quase impossível chegar às águas sem enfrentar, pelo menos, 50 metros de material de construção civil, ossadas de boi, escamas e cabeças de peixe, vasos sanitários, pias, sandálias, restos de frutas e verduras podres e os mosquitos que “moram” no lugar, além de dividir a visita com cachorros abandonados na área.

O popular Mercado da Carne e do Peixe existe há décadas nas margens do Rio Jaguaribe, no Centro da cidade. Mas a situação de poluição piorou nos últimos anos. Mesmo com o recolhimento diário do lixo orgânico pela Prefeitura Municipal, muitas pessoas jogam o material dentro do rio, ou nem isso, já que basta encostá-lo no calçamento em declive que a chuva trata de levar.

A vizinhança reclama, mas ela própria também erra, na medida em que as casas estão construídas na margem ribeirinha. Feirantes entrevistados pela reportagem denunciam os açougueiros, que denunciam os donos de frigoríficos, que, por sua vez, colocam a responsabilidade nos açougueiros. Ambientalistas culpam a população e o poder público. A Prefeitura Municipal recolhe, diariamente, o lixo orgânico depositado pelos açougueiros em tonéis, mas o que está no chão continua no local.

A aposentada Maria Aparecida é enfática: “tô para não agüentar, o fedor é muito grande, os mosquitos ficam zunindo direto. Mas eu vejo muito o pessoal do mercado jogar as coisas aí”. O açougueiro José Estevão trabalha há 30 anos no mercado. Diz que de lá não sai mais lixo para o rio, pois diariamente a Prefeitura recolhe o material no depósito.

Semana da Água

O maior rio do Ceará sofre de poluição, degradação das margens e assoreamento. Como parte das comemorações da Semana da Água, acontece hoje, em Russas, a 1ª Reunião Ordinária do Comitê da Sub-Bacia Hidrográfica (CSBH), Baixo Jaguaribe. Serão discutidas saídas para os problemas enfrentados pelo Jaguaribe. E no trabalho de conscientização será lançada a educativa “Cartilha das Águas”: “Da Volta de Ciço Nino pra com Jaguarino buscar a conservação do Jaguaribe, o maior rio do Ceará”. O primeiro seria o Padre Cícero menino, e o Jaguarinho trata de uma figura mitológica na região.

Melquíades Júnior
Colaborador

Mais informações:
Para denunciar casos de poluição em Limoeiro do Norte, falar com a Central de Informações da Prefeitura Municipal
(88) 3423.1965

ENQUETE
Situação é insuportável

Luciano Ribeiro - Feirante
Não tem quem agüente. A gente vê mais lixo que rio. Tem gente jogando ossada lá embaixo sabendo que tá errado´.

José Estevão - Açougueiro
Faz algum tempo que o mercado não joga mais lixo no rio. Colocamos num tonel na porta de entrada e todo dia vêm buscar´.


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