Polícia desmonta rinha de canários - Regional - Diário do Nordeste

Crime ambiental

Polícia desmonta rinha de canários

12.08.2008

Ibama combate no Cariri o crime ambiental de comércio envolvendo espécies silvestres, como as rinhas de canários

Crato. A Polícia Ambiental desmontou, nesse domingo, em Juazeiro do Norte, uma rinha de canários de briga que, funcionava numa chácara na Rua Sebastião Mariano, 528, bairro Tiradentes, de propriedade de Cícero Simões de Souza. Na oportunidade, os policiais apreendeu 62 canários, um sabiá e um gola. Além das aves, foram levadas para a Delegacia da Polícia Federal de Juazeiro do Norte, nove pessoas que foram flagradas no local durante a operação ambiental.

O Termo circunstanciado de Ocorrência (TCO) foi feito pelo delegado, Jonas Viana Duarte, que incluiu o infratores no artigo 32, da Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente.

De acordo com o artigo 32, é proibido praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. A pena é de seis meses a um ano de prisão. Os infratores foram ouvidos e liberados em seguida, após pagamento de fiança.

Reserva autorizada

Os canários foram levados em 17 gaiolas para o escritório do Ibama no Crato, que providenciará a libertação das aves numa reserva autorizada, provavelmente no município de Campos Sales. O chefe do escritório, Francisco Sales da Silva, informou que cabe ao setor de fiscalização, em Fortaleza, indicar a reserva, onde as aves deverão ser soltas.

Sales adverte que um dos objetivos das rinhas é ganhar dinheiro com as apostas e com a comercialização das aves, um negócio multimilionário, onde os canários são um instrumento cruel de exploração financeira. O preço de um canário varia de R$ 500 a R$ 2 mil. Ontem pela manhã, foram apreendidas outras aves nos bairros do Crato, que estavam presas em gaiolas em frente às residências. Os ficais do Ibama informaram que a fiscalização terá continuidade na região, onde ainda é comum a venda de animais silvestres nas feiras.

SAIBA MAIS

Dasaparecimento

O canário é um dos pássaros mais comuns e conhecidos no País. A caça predatória, bem como a depredação ambiental, já ocasionaram o seu desaparecimento em várias localidades.

Cantador

Entre os indígenas é conhecido como Guiranheemgatu, que significa pássaro de bom canto. Além de excelentes cantores, são extremamente valentes e combativos, por isso, num ato criminoso, são utilizados em rinhas de Canários.

Machos

É também conhecido como Canário-de-briga e Canário-Chapinha. As fêmeas são levemente mais escuras do que os machos, tendo penas amareladas no corpo, asa e cauda, além das laterais do corpo fortemente riscadas. Já os machos, são de plumagem onde o amarelo é dominante, com tom esverdeado nas partes superiores.

ILEGALIDADE

Aves são criadas para brigas apostadas

Crato. A exemplo das brigas de galo, as rinhas de canários são proibidas por lei. Como esses animais possuem uma natureza um pouco indócil e são bastante ciumentos em relação a suas fêmeas, os criadores se aproveitam disso para colocá-los para brigar. As apostas, nesse casos, rendem bastante dinheiro.

Para atiçar as aves, os apostadores criam os canários machos sem nenhum contato visual com o outro, salvo com as fêmeas. Crescidos, eles são postos em duas gaiolas, lado a lado, e ao abri-las, eles se atiram um sobre o outro. A luta só termina quando um deles se machuca muito, ou foge. As lutas são rápidas, e eles são treinados para isso.

Os animais tem um código de comunicação, que permite um diálogo antes da disputa. Os pássaros eriçam as penas para intimidar o adversário, que também pode fazer sinais de apaziguamento e abandonar o território, pondo termo à disputa. Em algumas rinhas, os canários para briga são alimentados com sementes de maconha ou comprimido de Melhoral.

ANTÔNIO VICELMO
Repórter

Mais informações:
Instituto Brasileiro de Meio Ambiente Recursos Naturais Renováveis (Ibama)
Praça Joaquim Fernandes Teles, 10, (88) 3521.1529


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