MONÓLITOS de QUIXADÁ

Plano de Manejo do Monumento Natural tem início

O estudo será o norteador das ações de utilização e preservação dessa importante área ambiental do Ceará

Desmatamento, queimadas, extração mineral irregular e ilegal, caça predatória, especulação imobiliária, poluição, perfuração de poços, falta de educação ambiental foram apontados como principais problemas ( FOTO: ALEX PIMENTEL )
00:00 · 02.12.2017 por Alex Pimentel - Colaborador

Quixadá. O Monumento Natural Monólitos de Quixadá, uma unidade de conservação de proteção integral, criada por meio de Decreto Estadual, em 25 de outubro de 2002, está sendo alvo de estudo muito específico. Contando com o auxílio de uma instituição especializada em meio ambiente, a Ecossistema Consultoria, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) está realizando o mapeamento e plano de utilização desse polígono natural com 25.305 hectares de área e dezenas de formações rochosas.

Segundo a gestora da Unidade de Conservação (UC), Leyla Barros, o estudo será o norteador das ações de utilização e preservação dessa área ambiental, conhecida como "curral de pedras", considerada a segunda maior unidade no Ceará administrada pela Sema. Quando a UC foi institucionalizada, a missão era de responsabilidade da Superintendência do Meio Ambiente do Ceará (Semace). Criada em 2013, a Sema assumiu o papel de planejamento e a Semace, a fiscalização.

Leyla Barros avalia a missão como um desafio. O trabalho de mapeamento deverá demorar pelo menos um ano para ser concluído, entretanto, quando estiver pronto, funcionará como uma espécie de bússola ecológica. Para esse fim, a sociedade está participando da elaboração do Plano de Manejo, por meio das oficinas promovidas pela Sema. Tudo está sendo analisado cuidadosamente, acrescenta a representante da empresa de consultoria ambiental, Verônica Thuelen.

Nesta fase, a Sema está se fortalecendo mais. Agora, a gestão da UC conta com um espaço físico definitivo para as suas atividades, a Casa de Saberes Cego Aderaldo, no Centro de Quixadá. Nela, ambientalistas, líderes comunitários, representantes de entidades da administração municipal, estadual e federal, estudantes, pesquisadores e esportistas começaram as reuniões com a equipe da Sema para debaterem o Plano de Manejo.

Utilizando uma metodologia indicada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), divididos em grupos, os participantes foram estimulados a apontarem quais são os principais problemas ambientais do Monumento Natural Os Monólitos de Quixadá; o que significa para eles; o que esperam dos monumentos e como podem contribuir para a sua preservação.

As respostas foram muitas. O desmatamento, queimadas, extração mineral irregular e ilegal, caça predatória, especulação imobiliária, poluição, agrotóxicos, perfuração de poços, falta de educação ambiental foram apontados como principais problemas. Quanto ao significado para a cidade, reconheceram ser o cartão de visita, por sua beleza singular, presente de Deus, e motivo de orgulho. O ecoturismo, esportes de aventura, pesquisas científicas e a preservação foram citados e todos podem contribuir sendo conscientes, não degradando esse patrimônio natural.

Raridade e beleza

O Monumento Natural Monólitos de Quixadá foi criado em razão da raridade e beleza cênica de grande valor ecológico e turístico dos campos de inselbergs existentes neste Município distante 168Km da capital cearense, Fortaleza, e da necessidade de proteção à riqueza natural que garante equilíbrio ecológico ao Sertão Central, dada a sua natural fragilidade e permanente estado de risco face às intervenções antrópicas.

Dentre as atividades proibidas na área dessa Reserva de Proteção Natural (RPN), estão a retirada ou desmonte dos campos de monólitos, bem como a implantação de equipamentos em suas estruturas naturais; a realização de obras civis, de terraplenagem e a abertura de estradas e sua manutenção, quando essas iniciativas importarem em sensíveis alterações das condições ecológicas dos campos de inselbergs; a marcação, gravura ou qualquer alteração da formação natural dos monólitos e outras atividades danosas previstas na legislação ambiental.

A gestora da UC acrescentou a parceria com a Prefeitura de Quixadá; Universidade Federal do Ceará (UFC), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) e a Faculdade de Educação Ciências e Letras do Sertão Central (Feclesc) no processo de implantação do Plano de Manejo e na conservação desse conjunto natural reconhecido como uma das Dez Montanhas Famosas do Mundo.

Mais informações:

Casa de Saberes Cego Aderaldo

Telefones: (85) 9 8977-0636 /

(85) 3101-1233

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