ICAPUÍ

Pescadores discutem preservação da lagosta

01:03 · 24.09.2009
( )
Técnicos da UFC e da Universidade de Havana buscam uma solução para os conflitos sem afetar meio ambiente

Icapuí. Os pescadores artesanais de lagosta, na Praia de Redonda, estiveram reunidos na tarde da última terça-feira com professores e especialistas do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC), e da Universidade de Havana, em Cuba. Pesca sustentável da lagosta e uma solução para os problemas entre os pescadores estavam na pauta da reunião, que acontece menos de uma semana após os últimos conflitos que trouxeram pânico a este município na última sexta.

Este ano, só o Ceará já exportou 700 toneladas de lagosta. Mas, mesmo após o período do defeso, a lagosta está cada vez mais difícil de encontrar. A competição ficou mais acirrada entre os que realizam a pesca artesanal, com manzuás, e os que fazem a pesca com equipamentos proibidos pelo Ibama. "A falta de proteção e de cumprimento das leis faz diminuir o número de lagostas no mar", afirma Raul Cruz, do Labomar, para uma platéia feita por pescadores artesanais. Estima-se que 80% dos pescadores de Icapuí utilizam marambaias, feitas do reaproveitamento de tambores para óleos e que, instalados no fundo do mar, tornam-se nichos, abrigando as lagostas, que são lá mesmo capturadas.

Menos degradação

O especialista do Centro de Investigações Marinhas da Universidade de Havana, em Cuba, Raul Cruz, explica que o Brasil tem a vantagem de não competir na captura com outros países vizinhos. "Os problemas só precisam ser resolvidos internamente, e a situação da produção da lagosta piorou desde que começou a diminuir a pesca com manzuá". Em seu país, cerca de 80% da pesca é feita com refúgios artificiais - como a marambaia - mas de forma bem diferente da brasileira. Os equipamentos são de madeira, cimento ou plástico, e manejados de forma a não degradar o ecossistema que se encontra no mar. Segundo o pesquisador, diminuiu de 2kg para 0,23kg de lagosta por manzuá na costa cearense. A maior parte desse pescado se concentrou para as marambaias.

O conflito entre pescadores artesanais e os que fazem a pesca "alternativa" já causou destruição de barcos e até mortes. "Queremos que haja um consenso, o mais importante é que as coisas sejam resolvidas de forma pacífica", afirmou Geraldo Menezes, diretor do Grupo de Desenvolvimento do Turismo de Icapuí, idealizador do Festival da Lagosta, que acontece de 2 a 4 de outubro e contará com programação nas áreas de higienização, manipulação de alimentos e turismo, com foco na consciência o ambiental.

Mais informações
Labomar - Instituto de Ciências do Mar da Universidade Federal do Ceará (UFC), (85) 3242.6422

MELQUÍADES JÚNIOR
COLABORADOR

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.