Paredões voltam a ser vendidos - Regional - Diário do Nordeste

quixadá

Paredões voltam a ser vendidos

30.12.2013

As vendas desse tipo de acessório automotivo tendem a aumentar até 10% no período do pré-carnaval

Quixadá. Após uma queda acentuada nas vendas, provocada principalmente pela “tolerância zero” aos paredões de som, o número de pedidos destes equipamentos está voltando a crescer nas lojas deste município.
Conforme os montadores especializados na cidade, a estimativa de crescimento nas vendas desse tipo de acessório automotivo nesse período do pré-carnaval é de 10%.

Apesar do som potente incomodar a muitas pessoas, os equipamentos são bastante procurados no município. Aliás, quem estiver interessado no período das eleições também já deve começar a agendar o pedido foto: Alex Pimentel

Quem estiver interessado nas eleições também já deve começar a agendar o pedido. Apesar de discriminado, por ser considerado desagradável para quem não gosta de badalação, o hobby está crescendo no Interior.

Essa é a opinião do empresário e montador de paredões de som, Marcondes Moreira. Com mais de 20 anos dedicados à sonorização de automotores e montagem de acessórios, ele está otimista quanto ao retorno do crescimento dos negócios.

“Os clientes estão se conscientizando e procurando clubes especializados para se divertirem. Os pedidos, inclusive de outras cidades e até de outros Estados, estão ocorrendo novamente”.

Ele já montou paredões até de R$ 150 mil, de um cliente paulista. Mas quem preferir um mais simples poderá desembolsar a partir de R$ 5 mil.

Outro lojista da cidade, Wandenberg Calixto, resolveu entrar no ramo há cerca de quatro anos, quando a febre dos “paredões” chegou ao Interior. Segundo ele, naquela época montava até 40 caixas de som por semana. Além do lucro, era garantia de emprego para carpinteiros, soldadores, pintores, técnicos e auxiliares de montagem.

Com a proibição, sua loja quase fechou. Houve a necessidade de disponibilizar outros serviços, como a aplicação de película escura nos vidros dos veículos. Agora, além de ser especializado em sonorização, ele também instala DVDs, alarmes e acessórios para tunar os carros da clientela.

Público

Sobre quem vai à loja a procura de paredões, o perfil dos clientes é de quem pretende aproveitar a vida nas turmas de amigos ouvindo música. Tanto Marcondes quanto Wandenberg consideram a curtição um hobby. Eles comparam o gosto ao mesmo de quem tem preferência pelas vaquejadas ou as provas de motocross.
Em matéria de decibéis, são tão barulhentas quanto os equipamentos sonoros automotivos ligados nos reboques ou nos porta-malas dos carros. O objetivo é o mesmo, atrair o público. Com os paredões não é diferente.

“Basta escolher um bom hit, ligar os amplificadores e aumentar o volume. Logo gente de toda idade começa a se aproximar. A maioria para dançar, se divertir, e outros apenas para observar. Um veículo bem equipado atrai muitas pessoas, principalmente as garotas”, ressaltam.

Para os montadores, com o melhor conhecimento das normas legais, os clientes estão voltando aos poucos. Buscando se adequar às leis, e não provocar poluição sonora, nas duas maiores cidades do Centro do Estado foram criados espaços especiais para quem pretende exibir a potencia do seu equipamento.

Em Quixadá, os grupos se reúnem no Badallo, um clube situado a cerca de 5Km da área urbana. Na cidade vizinha, Quixeramobim, os adeptos desse hobby têm como opção o Curral do Som, também situado distante de áreas residenciais.

De qualquer maneira os dois lojistas sugerem às autoridades a realização de campanhas educativas ao invés de apenas apreenderem as aparelhagens sonoras.

Na avaliação deles muitas vezes os policiais agem com arbitrariedade, quando bastaria apenas orientar o proprietário a baixar o volume ou não utilizá-lo em um determinado local, para não incomodar a vizinhança.

“Quando vão tomando conhecimento das proibições e das consequências ao infringi-las os proprietários dos paredões e dos veículos com aparelhagem sonora mais potente se conscientizam e buscam lugares adequados para estacionarem e ligarem seus aparelhos”, avaliam.

Apaixonado por som, Paulo de Freitas Gomes pretendia instalar autofalantes mais potentes no porta-malas do seu carro. Ele mora na Bahia. Veio ao Ceará para passar as férias e as festas de fim de ano, em Quixadá. Soube da qualidade do serviço na cidade. Vai voltar para Salvador com o veículo mais equipado.

“É importante respeitar o sossego dos outros. Tudo tem sua hora e seu momento. Até mesmo em Salvador, uma das cidades mais festivas do Brasil, os motoristas, inclusive dos mega trios elétricos, sabem onde podem ser ligados”, diz.

Alex Pimentel
Colaborador

Mais informações

Marcondes Som
Rua Autran Moreno, 44
Quixadá
Sertão Central
Telefone: (88) 9933.8887




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