Pipeiros continuam movimento

Paralisação deixa comunidades sem água no Ceará

Sem abastecimento há oito dias, as localidades rurais enfrentam o agravamento da crise hídrica

Ontem, houve paralisação nos açudes Orós, Trussu, Castanhão, Banabuiú e em pontos de coleta de água em Madalena, Maracanaú e Caucaia ( Foto: Honório Barbosa )
00:00 · 14.11.2017 por Honório Barbosa - Colaborador

Orós. Uma semana após iniciar a paralisação por tempo indeterminado, no Ceará, os pipeiros (condutores de carros-pipa) promoveram concentração, ontem, em seis cidades do Interior, para reforçar a pauta de reivindicações ao Ministério da Integração e ao Exército. A novidade foi um apelo da categoria e das comunidades rurais ao governo do Estado por uma intermediação junto ao governo federal.

Sem abastecimento há oito dias, as localidades rurais enfrentam o agravamento da crise hídrica. "O problema deve piorar se não houver uma resposta positiva do governo federal", disse o diretor do Sindicato dos Pipeiros do Estado do Ceará (Sinpece), Edvan Rifane. "A paralisação vai continuar e vamos bloquear rodovias", ameaçou. Na manhã de hoje, haverá reunião entre os representantes dos pipeiros e o comando da 10ª Região Militar, em Fortaleza.

No Ceará, segundo o Sinpece há cerca de 1.900 caminhões cadastrados na Operação Pipa. Desse total, pelo menos 1.800 aderiram à paralisação. Mais de 800 mil pessoas estão afetadas sem a distribuição regular de água em 130 municípios do Interior. Além do Ceará, pipeiros entraram em greve no fim de semana passado em Pernambuco e na Bahia. Os pipeiros lamentaram o sofrimento das comunidades rurais desabastecidas. "Dói em cada um de nós, mas se não fizermos isso, não seremos atendidos em nossas reivindicações", explicou Antônio Wilson Leal.

Nesta segunda-feira, houve paralisação nos açudes Orós, Trussu, Castanhão, Banabuiú e em pontos de coleta de água nas cidades de Madalena, Maracanaú e Caucaia. As reivindicações do Sinpece incluem cumprimento do prazo de pagamento, organização de prestação de contas, utilização de dois meios de comprovação de entrega da carga de água e reajuste do valor pago pelo quilômetro rodado.

Além do atraso do pagamento, os pipeiros reclamam do equipamento que faz o controle de deslocamento dos veículos do ponto de captação de água até a comunidade atendida por meio do Gpipa. "O rastreador é ofertado pelo consórcio TBK, de Pernambuco, contratado pelo Exército, mas é ruim, apresenta problemas, erros, e as carradas não são pagas", frisou Rifane. Segundo o Sincepe, o prejuízo ultrapassa 10%, somente com os erros do equipamento, além do valor do quilômetro que permanece em R$ 0,49, defasado. "Quando começamos, o litro do óleo diesel custava R$ 1,98 e agora é R$ 3,40", observou Brasil.

Calamidade

A paralisação dos carros-pipa traz reflexo direto nas comunidades rurais, principalmente as localidades mais afastadas e com maior dificuldade de acesso. "Os apontadores estão desesperados, ligando para nós, relatando o caos, a situação de calamidade", disse Antônio Wilson Leal.

A líder comunitária na Lagoa dos Milhomens, zona rural de Icó, Josefa Lopes, disse que, nas casas e na cisterna, não há mais água. "Estamos desesperados, sem saber o que fazer", disse. José Bonfim, da localidade de Sant'Ana, apela para o governo do Estado. No Baixio dos Lourenços, no distrito de Icozinho, Marlene Pedrina, também confirma as dificuldades que as famílias estão enfrentando.

O vice-presidente da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece) e prefeito de Cedro, Nilson Diniz, disse que as Prefeituras sozinhas não têm condições de atender a demanda de água.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.