'Ceará Filmes'

Obras de cinema, no Crato, seguem paradas desde março

O Crato foi uma das 10 cidades do Interior contempladas pelo projeto Cinema da Cidade

00:00 · 22.08.2018 por Antonio Rodrigues - Colaborador
crato
Crato
No local onde deveriam estar as duas modernas salas de cinema, há areia e tijolos abandonados e o mato tomando conta ( Fotos: Antonio Rodrigues )

Crato. Os tapumes ainda cercam a área onde deveria estar construído o Cinema Padrão deste Município, no Largo da RFFSA, previsto para ser concluído em maio deste ano. No entanto, os trabalhos foram paralisados em março, após recomendação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

No local onde deveriam estar as duas salas climatizadas, ambientadas em instalações modernas, que comportariam 210 e 105 lugares cada uma, há areia e tijolos abandonados e o mato tomando conta.

O Crato foi uma das 10 cidades do Interior cearense contempladas com a construção de um cinema por meio do projeto Cinema da Cidade, da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (Secult), em parceria com a Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Em contrapartida, as prefeituras cederam os terrenos para a edificação do equipamento. Ao todo, serão 20 salas, nos municípios de Amontada, Aquiraz, Canindé, Cedro, Crateús, Iguatu, Itaitinga, São Benedito e Tauá.

A ação faz parte do Programa Estadual de Desenvolvimento Audiovisual e da Arte e Cultura Digital, o Ceará Filmes. O investimento total é de R$ 20 milhões pela Ancine e R$ 12 milhões pela Secult.

A ordem de serviço para a construção do cinema de Crato, orçada em R$ 2.169.524,03, foi assinada em outubro do ano passado, mas, até novembro, o local ainda não havia sido definido.

Em audiência pública, no dia 14 daquele mês, foi discutida a possibilidade de alguns espaços públicos. Inicialmente, o Mercado Central foi escolhido, mas, por opção do prefeito, que pretende revitalizar o equipamento, foi descartado. Então, foi escolhido o Largo da RFFSA, próxima à antiga estação ferroviária - hoje Centro Cultural Araripe.

Naquele local, atende algumas das exigências da Secult e da Ancine, como a proximidade a centros culturais, áreas de periferia, praças, hotéis, restaurantes, pontos de transporte coletivo e fácil acesso.

Baixa renda

"A ideia é trazer a população de baixa renda para o cinema e outros equipamentos da cultura", afirmou Wilton Dedê, secretário de Cultura do Município, já projetando a gestão.

Por outro lado, a Estação Ferroviária possui um conjunto arquitetônico urbano, onde também estão inseridos o armazém ferroviário, a casa do agente, a caixa d'Água e o entorno. Além disso, o processo da tutela pelo Iphan daquele espaço encontra-se em tramitação.

No dia 22 de novembro, o secretário adjunto da Casa Civil, Quintino Vieira, e o secretário da Cultura do Estado, Fabiano Piúba, estiveram reunidos, no Gabinete do Prefeito, para definir o local para a construção das salas de cinema. Em seguida, em comitiva, visitaram o Largo da RFFSA, junto com representantes da gestão municipal, e aprovaram o espaço onde seria construído o cinema. Após 15 dias, as obras começaram.

Paralisação

No entanto, no dia 22 de fevereiro, a Secult enviou à superintendência do Iphan no Ceará o projeto para avaliação do Instituto. Já no dia 2 de março, o órgão federal emitiu um parecer sugestivo, em resposta ao projeto, sendo contrário à construção do cinema no Largo da RFFSA.

A nota técnica, assinada pelo técnico em Edificações Cláudio José Guimarães e pelo arquiteto Francisco Augusto Sales Veloso, diz que o espaço "consiste atualmente num elemento vocacionado a eventos pela amplitude de local aberto, em contraponto com o centro urbano densamente urbanizado que reclama por áreas livres e arborizadas".

Visibilidade

Uma das justificativas contrárias ao projeto de construção é que o cinema poderia comprometer a visibilidade do Largo da RFFSA em suas especificidades e características, assim como sua importância história e econômica no contexto da cidade.

A construção inviabilizaria a existência de um espaço "de chegada e convívio dos pretensos espectadores", afirma a nota técnica. Além disso, a área ocupada pelo cinema reduziria o espaço público existente, comprometendo a área verde. Por fim, o Iphan aconselha que o equipamento seja construído em outro local.

A Secult cumpriu o parecer do Iphan, paralisando a obra desde então, mas, no espaço, continua todo o material de construção abandonado. Em nota, a Pasta disse que aguarda uma decisão do Município acerca da definição de um novo terreno para a construção do cinema.

Por outro lado, o Secretário de Infraestrutura de Crato, José Muniz, afirma que, em nenhum momento, a Prefeitura foi notificada sobre a mudança do local para abrigar o equipamento. "Até agora não recebemos nenhum documento", garante.

Não há espaço

José Muniz acrescenta, por outro lado, que não há nenhum outro terreno da Prefeitura disponível para a construção do cinema no Centro da cidade. O secretário ressalta, ainda, que não há nenhum tipo de tombamento no Largo da RFFSA e que o local já passou por outros tipos de intervenções, como as obras de urbanização e pavimentação, além da construção do Restaurante Popular e da Biblioteca Pública, ambos inaugurados em 2010. "São dois equipamentos modernos", completa.

O titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura ficou surpreso com a paralisação e disse que o Largo da RFFSA é um dos pontos estratégicos e a única área que pertence à Prefeitura apta para receber as novas salas.

Além disso, Muniz descarta que o Mercado Central volte a ser discutido, pois, a gestão está concluindo um projeto de reforma para o equipamento. "A intenção é demolir e fazer um mercado moderno naquele local", finaliza o secretário.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.