CENTRO-SUL

Moradores denunciam poluição de açude por lixão

00:48 · 09.04.2011
Lixão localizado no Município de Cedro. As valas estão abertas e sem nenhuma proteção. População reclama da poluição e do mau-cheiro
Lixão localizado no Município de Cedro. As valas estão abertas e sem nenhuma proteção. População reclama da poluição e do mau-cheiro ( fotos: Honório Barbosa )
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O lixão foi instalado há quase 12 anos e, desde o início, causa transtornos para as famílias que residem no seu entorno

Cedro O Ministério Público Estadual (MPE) instalou um procedimento administrativo para apurar denúncias de moradores do Sítio Córrego dos Barros de que o lixão desta cidade, localizada na região Centro-Sul, está poluindo açudes, poços, com dejetos que se infiltram no subsolo e no ar com a fumaça que exala da queima dos detritos.

O lixão foi instalado há quase 12 anos e está situado a três quilômetros do centro urbano. Desde o início do funcionamento causa transtornos para os moradores dos Sítios Córrego, Varzinha, Pereiro, Melão, São Luiz, Varzinha e Planalto dos Lemos, neste Município. São dezenas de famílias atingidas com a fumaça oriunda da queima dos resíduos sólidos no período da noite e pela manhã cedo.

Nos últimos dois anos, a preocupação das famílias residentes no Sítio Córrego dos Barros é com relação à poluição do açude da comunidade e de quatro poços localizados no entorno da barragem, cuja água é usada para irrigação, banho e limpeza. "Antes, a gente bebia dessa água, mas agora está poluída", disse o agricultor Edésio de Alencar Barros. "O lixão fica muito próximo do açude e o nosso temor é que as enxurradas carreguem detritos para o reservatório".

Outra reclamação geral é sobre a fumaça resultante da queima do lixo, que chega às casas no início da noite e pela manhã cedo. "Não é todo dia, mas, quando o vento favorece, a fumaça prejudica os moradores", contou o professor aposentado, Francisco Luís de Alencar. "As roupas, lençóis, redes fica tudo com mau-cheiro. É preciso entrar e fechar as portas de casa".

O professor Francisco Luís depois que se aposentou voltou há dois a morar no Sítio Córrego, onde nasceu e viveu por vários anos. "Construi essa casa para ter sossego, mas agora temo a poluição do meio ambiente provocada pelo lixão. Já tive que fazer um novo poço e uma nova rede de captação de água".

O agricultor Francisco Ferreira é outro prejudicado. "A água que a gente bebia vinha do açude, mas agora está imprestável", disse. No Sítio Varzinha, a aposentada Eunice Lemos contou que no início da instalação do lixão foi encaminhado um abaixoassinado com 190 nomes, solicitando da Prefeitura a transferência do lixão. "Infelizmente, nada foi resolvido até hoje", disse. "Para nós, o principal incômodo é a fumaça".

No Planalto dos Lemos, uma vila na periferia da cidade, os moradores também reclamam da fumaça que chega às casas e causa problemas respiratórios em crianças e idosos. "A questão na é política e nem partidária, mas de saúde pública e defesa do meio ambiente", frisou Francisco Luís Alencar.

No lixão, há valas, mas, durante vários dias, os detritos oriundos das casas, do comércio e até líquido fétido de fossas esgotadas ficam expostos, sem serem aterrados. Embalagens de produtos químicos e lixo hospitalar também são encaminhados para a rampa.

O promotor de Justiça, Leydomar Nunes Pereira, notificou, no início de março, a Prefeitura e a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) para realizarem inspeção técnica e análise laboratorial da água do açude da comunidade Córrego e de poços no entorno da barragem, e apresentarem relatório circunstanciado. A Semace ainda não se manifestou sobre o problema. A Prefeitura de Cedro, por meio das advogadas, Claudia Sampaio de Oliveira e Eliana Tavares, apresentou esclarecimentos ao MP. Informaram que a presença de coliformes totais e da bactéria Escherichia coli encontrados em exame laboratorial de mostra de água coletada no açude e em poços seria proveniente de currais de bovinos e suínos e do acesso desses animais ao açude.

Contestação

O Município contestou, ainda, a poluição por meio de detritos ou infiltração no subsolo, esclarecendo que o lixão dispõe de barreiras de contenção. "A bacia hidrográfica fica distante mais de um quilômetro do lixão e não há contaminação no subsolo", diz o documento.

O promotor de Justiça aguarda avaliação e relatório da Semace sobre as condições de funcionamento do lixão e a possibilidade de contaminação do açude para decidir se ingressa com pedido de embargo do aterro.

ENQUETE
Prejudicados

"A gente teme que o açude e os poços fiquem imprestáveis, prejudicando as comunidades no entorno do lixão"
Edésio Barros, Agricultor

"Estamos prejudicados e não usamos mais a água do açude para beber e cozinhar. Agora depende de carro-pipa"
Francisco Ferreira, Agricultor


MAIS INFORMAÇÕES
Prefeitura de Cedro
Rua Dep. Liberato Moacir Aguiar, 299 Centro/ Telefone: (88) 3564. 0120
Promotoria de Justiça: (88) 3564. 0561

Honório Barbosa
Repórter

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