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Maria Madalena também revela sua verdadeira face

00:00 · 28.04.2018
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O rosto de Maria Madalena foi remontado a partir de um crânio preservado na França, que seria dela, segundo a Igreja Católica

Sobral. Um dos trabalhos de pesquisa e execução de Cícero Moraes e José Luís Lira, que teve grande repercussão, foi apresentado ao mundo em 2015. O rosto de Maria Madalena, uma das personagens mais polêmicas entre as figuras femininas descritas na Bíblia, foi remontado a partir de um crânio preservado na França, que seria dela, segundo a Igreja Católica.

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A relíquia é guardada na basílica de Santa Maria Madalena, 800 quilômetros ao Sul de Paris. A primeira mulher que viu Cristo ressuscitado teria deixado Jerusalém com a família, permanecendo numa gruta na região de Marselha, na França, até o fim da vida. Seus restos mortais teriam sido encontrados por volta do ano 1.200.

História

Retratada por artistas de todas as épocas e representada de diversas formas, ao longo da história, há mais de 2 mil anos, Maria Madalena sempre chamou a atenção de José Luís Lira. "Quando soube dessa possibilidade da existência do crânio dela, logo pensei nessa reconstituição. Contatar o Cícero Moraes e, após isso, convencer o padre da Basílica de Santa Maria Madalena, Florian Racine, a acreditar na importância da pesquisa, foram os passos seguintes", empolga-se.

A reconstituição facial, apresentada por meio de uma imagem tridimensional, utilizando a fotografia do crânio como base, é uma das técnicas empregadas nesse tipo de trabalho, que também pode ser feito com ajuda de tomografia computadorizada, digitalização em 3D com scanner, ou fotogrametria, uma sequência de fotos simultâneas que permite uma visão tridimensional do objeto estudado.

Escultura

Na técnica empregada foi utilizado um crânio virtual (digitalizado) sobre a imagem original capturada. A partir daí, o crânio foi reconstruído com a reposição de marcadores de tecidos moles (níveis com espessuras diferentes, ao longo da base), ao soltar a "massa", se tem uma aproximação da face. Em linhas gerais, com o cruzamento dos dados entre os marcadores de profundidade e projeções no nariz, olhos e outras linhas, ao longo da face, é possível traçar as características principais do rosto da personagem remontada.

"Assim, podemos estabelecer a volumetria da face. Depois, modelamos em 3D, por meio de escultura digital, utilizando como parâmetro a colocação dos músculos principais do rosto, e, por fim, fazemos uma pigmentação, finalizando com a colocação dos cabelos e indumentária", explica Cícero Moraes, o designer responsável, também, por remontar os rostos de São Valentim, padroeiro dos namorados, e Madre Paulina, a primeira santa canonizada no Brasil.

Digitalização

O trabalho realizado por Cícero Moraes é todo em processo digital. "A impressão 3D, em tamanho natural, ajuda as pessoas a terem uma ideia de como era o indivíduo reconstruído", diz o designer catarinense, que aponta a falta do crânio, em alguns casos, como a maior dificuldade na montagem dos trabalhos de reconstrução facial.

"A participação de parceiros, que atuam bem nessa parte diplomática de possibilitar o acesso a esses crânios, como nesse caso, o professor Lira, ajudam muito no desenvolvimento e finalização de cada projeto e início de outros. Já estamos trabalhando com uma santa italiana e, se tudo der certo, outras faces serão reveladas, pois é na face que trazemos o indicador de identidade dos indivíduos. Quando a reconstruímos, nós humanizamos esses crânios, e esse é o objetivo principal deste projeto, trazendo, ainda, dados ocultos acerca desses personagens históricos", revela.

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