Interior amplia vendas para Norte-Nordeste - Regional - Diário do Nordeste

CADEIRAS DE BALANÇO

Interior amplia vendas para Norte-Nordeste

00:40 · 25.02.2008
Produção de cadeiras de balanço, em Iguatu, consolida mercado para outros ( Honório Barbosa )

Empresas de Iguatu produzem cadeiras de balanço para diversos Estado do Nordeste, além de Tocantins e Pará

Iguatu. É costume nas cidades pequenas do Interior, nos sítios e vilas rurais o uso de cadeiras de balanço. Nas calçadas das casas e nos alpendres, a roda de conversa entre parentes e amigos é convidativa para o sentar-se nesse tipo de mobiliário. A modernização chegou aos mais distantes lugares, mas essas tradicionais cadeiras não perderam espaço. Ao contrário, nos últimos anos cresce a demanda por este produto.

Na cidade de Iguatu há duas pequenas fábricas que produzem uma média de sete mil unidades por mês. O crescimento constante das vendas para lojistas e crediaristas é um reflexo de que o consumo vem aumentando. O produto caiu no gosto popular. O clima quente do sertão favorece a utilização das cadeiras de balanço que usam tiras de plástico (macarrão) no encosto e tubos de metalon curvos que permitem o balanceio e o relaxamento do corpo. Embalados por bons negócios, os fabricantes locais projetam ampliar as unidades produtoras.

A maioria das vendas é feita por crediaristas que enchem caminhões e saem comercializando nas cidades e vilas do sertão. Mas nos últimos anos, o produto também passou a ser exportado para outros Estados do Nordeste e até para Tocantins e Pará. O preço médio da unidade varia entre R$20 e R$60, conforme o modelo e tamanho da cadeira.

Pioneirismo

O pioneiro na produção das cadeiras de ferro, com balanço, foi o empresário Glaudério Rodrigues Nascimento, 37. Depois de alguns anos com experiência numa indústria de metalurgia e fundição de equipamentos agrícolas e bombas hidráulicas, ele teve a idéia de implantar uma unidade de produção de portões e grades de ferro em parceria com o pai, em 1997. O investimento inicial foi feito com apenas R$ 1.045, com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e do Seguro Desemprego. A unidade produtora dois anos depois transformou-se na fábrica de móveis tubulares Rei do Balanço. “No início encontrei dificuldades e resolvi fabricar cadeiras de balanço”, contou. “Vi que os crediaristas vendiam bem esse tipo de produto”, diz. O empresário pesquisou e observou que ainda se fabricavam as cadeiras como há 50 anos.

Glaudério Nascimento inovou e ampliou a produtividade. Com 18 funcionários produzia mil peças por mês, mas graças às modificações tecnológicas, hoje, com apenas 12 operários, produz uma média de 3.500 unidades mensais. Ainda este ano, quer ampliar a unidade de produção e implantar uma estufa para pintura. “O nosso projeto é continuar aumentando a produtividade das cadeiras”, disse. O galpão também deverá ser ampliado.

O empresário Edival Lima Pereira, 37 anos, mais conhecido por Edilson, também tem uma história de sucesso empresarial. No período de 1995 a 2002, fabricava mesa e cadeiras de madeira, além de vender para crediário nas cidades da região. Também observou que havia boa aceitação dos clientes com relação às cadeiras de balanço. O irmão, Genival Pereira, convidou Edilson para montar uma unidade produtora. Em 2003, começaram a fabricar as cadeiras de balanço.

Nascia a indústria Cia. da Cadeira. A idéia deu certo e o negócio não pára de crescer. “No começo ainda fabriquei móveis tubulares, mas não conseguimos enfrentar a concorrência”, contou Pereira. Há quase cinco anos no mercado, produz uma média de 3.500 unidades por mês e gera 20 empregos diretos.

Os irmãos Pereiras pretendem investir mais na produção do modelo de balanço, mas com molas numa base fixa que evita arranhar o piso. “Vamos implantar ainda este ano um novo galpão para esse tipo de cadeira”, anunciou. Os quatro modelos das cadeiras são vendidos para o Ceará e também para o Pará e Tocantins.

São usadas seis cores básicas da borracha que reveste as cadeiras: vermelha, azul, verde, amarela, branca e violeta. O gosto varia de acordo com a região, mas quem mora na área rural tem algo em comum, não quer a cor branca. Embalados nos bons negócios, os empresários locais sonham em ampliar a fabricação das cadeiras de balanço. O empreendimento gera emprego e renda na cidade e é um referencial de que iniciativas locais podem dar certo no amplo espaço de oportunidades que o mercado oferece.

HONÓRIO BARBOSA
Repórter