Setor está se organizando

Iguatu quer ser polo produtor de lingerie

Pela primeira vez, produtores do segmento se reuniram e discutiram visando a união e a qualificação

A indústria de peças íntimas do Centro-Sul do Ceará já é referência em qualidade e, a cada ano, vem conquistando mais clientela, tanto no Interior do Ceará, quanto no Norte do Brasil ( Fotos: Honório Barbosa )
00:00 · 18.08.2018 por Honório Barbosa - Colaborador

Iguatu. No Centro-Sul cearense, há dezenas de pequenas e médias indústrias de confecções especializadas em moda íntima. O setor têxtil contribui para a geração de emprego e movimenta a economia regional, mas falta organização do setor. Pela primeira vez, produtores do segmento se reuniram e discutiram ideias visando a união, qualificação e a formação de um polo de produção de lingerie.

Os empresários estão de olho no potencial da região e têm o desafio de formar, nesta cidade, um polo têxtil especializado em produção de peças íntimas do vestiário feminino e masculino. Um segundo encontro ficou agendado para o próximo dia 22 de setembro. "Temos um diferencial que é a produção de peças de qualidade e podemos crescer ainda mais se trabalharmos de forma coletiva", pontuou o empresário Carlos Fernandes, idealizador do movimento.

O articulador do escritório regional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Ceará (Sebrae-CE), em Iguatu, Jonny César de Oliveira, frisou a força econômica da região, com 18 municípios e várias fábricas de confecções, a maioria voltada para o segmento da moda íntima. "Há um potencial extraordinário. Muitos estão produzindo, vendendo, mas não adianta ter só volume, é preciso organização e qualidade", disse. "Os empresários entre si não são inimigos, são competidores e podem ser parceiros".

Jonny Oliveira acredita na possibilidade de formação de um polo têxtil na região Centro-Sul do Ceará, porquanto já existem dezenas de unidade produtoras e mercado. "Se houver união, associativismo e modernização das unidades produtoras, e a busca de mercado, claro que podemos sim ser um polo de destaque, atraindo consumidores de outras regiões e também de outros estados", afirmou.

O Sebrae não tem um levantamento sobre o número exato das unidades produtoras. Há pequenas empresas, sem fachada, difíceis de serem encontradas, observa Jonny Oliveira. Algumas funcionam no anexo da casa ou mesmo na garagem. O empresário Carlos Fernandes, inquieto com a questão, solicitou que um funcionário dele fizesse o levantamento, que deve ser concluído até o fim deste mês.

"Fiquei surpreso com o número de participantes do primeiro encontro, mais de 50 produtores, vindos de dez cidades", observou. "Sozinho ninguém consegue chegar a lugar nenhum". O empresário destacou que o esforço de todos é para atender a necessidade do cliente. "Ele é a razão de tudo".

O empresário Roseli Ricarte destaca que a união dos empresários pode favorecê-los com redução de preço no momento da compra de matéria-prima. "A aquisição de tecidos, de outros insumos e a venda em conjunto podem acontecer, favorecendo a todos", disse. "Espero que esse movimento dê certo".

Consultores da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) participaram do encontro, avaliaram o potencial da região e possibilidade de crescimento no segmento têxtil. "Para isso, os produtores precisam estar legalizados e organizados", observou Tiago Guerreiro. Segundo o Radar da Fiec, na região, estão cadastradas 306 indústrias. No período de 2011 a 2015, houve um crescimento de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) regional. O Centro-Sul cearense ocupa o 5º lugar no ranking das 14 regiões com o melhor PIB no Estado.

O articulador do Sebrae Jonny Oliveira observou que a entidade já realiza consultorias com pelo menos duas empresas de médio porte do segmento de lingerie. "Os técnicos observam equipamentos, desenho da fábrica, logotipo, gestão financeira, de pessoal e busca abertura de mercado", pontuou. "O Sebrae participa com 70% dos custos".

Oliveira fez questão de destacar que é necessária a mudança de mentalidade de muitos empresários, que ainda acham que o concorrente é um adversário. Outro aspecto observado refere-se aos que ficaram desempregados e começaram a empreender, mas sem experiência, visão moderna de empreendedorismo. O desafio é transformar a região em um polo de produção têxtil especializada em moda íntima.

Exemplos

Rosely Ricarte e a esposa começaram, em 2011, com uma pequena unidade de produção de peças íntimas. "A gente só tinha uma funcionária", contou ele . "A minha mulher tinha experiência em indústria e me motivou a colocar o próprio negócio, pois eu vivia de venda de carros e motos usados", contou. Atualmente, a Erô Lingerie tem 18 funcionários.

A Carval Confecções, instalada há 15 anos em Iguatu, alcançou um crescimento considerável, passando da produção de cinco mil peças íntimas por mês para 150 mil. Hoje, o foco é a fabricação de lingerie (calcinha e sutiã) de vários modelos e cores. A indústria é referência de qualidade e a cada ano conquista novos clientes no Interior do Ceará e no Norte do Brasil.

Antes de começar a produção, o empresário Carlos Fernandes trabalhou por três anos como vendedor de peças íntimas, no Centro-Sul. "Comprava em Fortaleza e repassava para as revendedoras, sacoleiras. Mas havia muita reclamação sobre a qualidade dos produtos", lembrou. As queixas das revendedoras o deixaram inquieto. Daí, resolveu iniciar a produção própria. "Houve a oportunidade de comprar seis máquinas de uma empresária que estava deixando o ramo". Ele usou uma estratégia que deu certo. Buscou parceiras, costureira que produzem as peças em casa. Hoje são cerca de 100, além de dispor de 70 funcionários e de uma sede própria que está em ampliação.

Polo têxtil

"Iguatu tem potencial para ser um polo de produção de peças íntimas, mas é preciso união, organização e conhecimento"

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Carlos Fernandes (empresário)

"Já produzimos, vendemos, mesmo na crise e temos condições de crescer ainda mais com a união dos empresários"

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Rosely Ricarte (empresário)

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