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Iguatu oferece ensino pioneiro em Libras no CE

O curso de Formação de Instrutores de Libras começou em agosto de 2017 e será concluído neste mês de março

O curso de Formação de Instrutores de Libras para os surdos da região está em andamento no Campus Multi-institucional Humberto Teixeira ( Foto: Honório Barbosa )
00:00 · 17.03.2018 por Honório Barbosa - Colaborador

Iguatu. Um trabalho pioneiro no Interior está sendo realizado, há mais de 15 anos, nesta cidade, em apoio aos surdos e ofertando cursos de formação de intérpretes e de instrutores de Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) por meio da Associação dos Surdos de Iguatu (ASI) e parcerias com instituições de ensino. Apesar dos avanços, há desafios a serem alcançados: a oferta de uma licenciatura em Letras com habilitação em Libras e a colocação no mercado de trabalho de jovens surdos.

A luta é encabeçada pela Associação dos Surdos de Iguatu (ASI), que promove ações pioneiras no Interior do Estado. A entidade reúne cerca de 85 surdos e luta para obter uma sede própria, que possa oferecer maior quantidade de cursos, capacitações diversas e outras atividades aos seus associados.

Isolados

Se não fosse o trabalho realizado pela ASI, a maioria dos deficientes estariam em suas casas, isolados. Essa foi a realidade de jovens surdos durante muitos anos, segundo observam os diretores da entidade.

Entre a família, a comunidade local e os amigos não se observam discriminações de acordo com o sentimento dos associados. Há apoio e compreensão na maioria das vezes.

Com o objetivo de fomentar uma formação específica para os surdos da região está em andamento no Campus Multi-institucional Humberto Teixeira, em Iguatu, um Curso de Formação de Instrutores de Libras por meio da Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Iguatu (Fecli) e do Instituto Federal de Educação (IFCE), campus local, em parceria com a ASI. A iniciativa conta com a participação de 25 alunos surdos.

O curso começou em agosto de 2017 e será concluído neste mês de março. Os idealizadores desta iniciativa são a professora de Libras da Uece, Diná Souza, o professor de Língua Portuguesa do IFCE, Cristian Santos, e o presidente da ASI, Antônio Nelson Moreno. "Há demanda e uma parte dos alunos já está selecionada para ensinar na rede pública municipal de ensino", observa a docente, Diná Santos.

Alegria

Estima-se que cerca de 2000 pessoas em Iguatu têm formação básica em Libras e cerca de 180 devem estar em sala de aula aprendendo a linguagem dos sinais, através de cursos básicos oferecidos pelo Município. Entre os alunos, que terão oportunidade de ter o primeiro emprego o clima é de alegria e de muita motivação.

"Será um momento de superação", observa Inácio Neto. O curso de formação de instrutores em Libras tem duração média de 180 horas/aulas, semanalmente aos sábados e domingos. No decorrer dos últimos 15 anos, a ASI vem ofertando esses espaços para surdos, pais, amigos e comunidade em geral.

Atualmente, há 13 alunos que cursam o Ensino Fundamental na rede municipal de ensino e cinco que fazem o Ensino Médio. Por lei, todos têm o direito a ter o trabalho de um intérprete de Libras nos espaços escolares (Decreto Federal nº5626/2005).

Em Iguatu, graças ao apoio da ASI, cerca de 30 jovens surdos já concluíram Ensino Médio e agora querem ingressar no Ensino Superior. "Antes do nosso projeto não havia surdo na escola em Iguatu", frisou o presidente da ASI, Antonio Nelson Teixeira.

Reconhecimento

A Câmara Municipal de Iguatu, em setembro de 2008, deu um importante passo em favor da inclusão social dos portadores de deficiência auditiva, aprovando lei que reconhece oficialmente no âmbito municipal a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio legal de comunicação e expressão entre as pessoas com deficiência auditiva.

No plenário do Legislativo Municipal, pela primeira vez, a sessão contou com intérpretes de Libras que transmitiram por meio de sinais as discussões e pronunciamentos dos vereadores acerca do projeto.

"Foi um passo importante para garantir o apoio e o uso de Libras nas escolas, em repartições e empresas concessionárias de serviços públicos", observou Antônio Nelson Moreno. De acordo com a lei, o município deve garantir o apoio para o uso e difusão da Libras, em órgãos públicos e concessionárias de serviços públicos, oferecer capacitação para servidores e firmar convênios com instituições para ampliação da linguagem de sinais. Entretanto, decorrida uma década ainda falta efetivação da legislação.

Recentemente, a aluna do Ensino Médio Bruna Fenelon foi aprovada para o curso de Pedagogia Bilíngue na Universidade Federal do Ceará (UFC), em Fortaleza. Está se preparando para a mudança e disposta aos novos desafios na Capital cearense.

Viver regularmente

A professora Diná Souza observa que "o deficiente auditivo é pessoa normal que precisa trabalhar e viver e, para isso, precisamos assegurar a sua inclusão social". A docente conclui: "São direitos garantidos pela Constituição de estarem inseridos no contexto socioeconômico do País".

A luta recente da ASI é a para sensibilizar a reitoria do Instituto Federal de Educação do Ceará (IFCE) a implantar no campus local um curso de licenciatura em Letras com habilitação em Libras e um curso técnico de Tradução e Interpretação de Libras.

Enquete

Como encara a oportunidade?

'Para mim foi uma surpresa muito grande ser aprovada, selecionada e começar a trabalhar na rede municipal de Educação como instrutora de Libras. É uma experiência nova que vou enfrentar"

Fabíola Alves. Estudante

"Será meu primeiro trabalho como instrutor de Libras e estou muito feliz, empolgado, e pronto para enfrentar esse novo desafio em minha vida. Tenho certeza que irei superar as dificuldades que surgirem"

Sebastião Inácio Neto. Aluno

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