Em Fortaleza

Evento discute o combate à desertificação no mundo

A erosão do solo, por falta de cobertura vegetal, é um dos principais problemas a serem enfrentados nas áreas em processo de desertificação ( Foto: Kid Júnior )
00:00 · 10.04.2018

Fortaleza. Para capacitar os países membros da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD) a participar dos novos processos de formulação e envio de relatórios, está sendo realizado o Workshop de Capacitação Regional para a América Latina e o Caribe, no Ponta Mar Hotel.

"Isso aqui representa uma convenção mundial de combate à desertificação. Em uma reunião na China, foi tomada a decisão de que os informes nacionais para a preparação do relatório informando à Convenção de como cada país está cumprindo suas obrigações para o combate à desertificação passariam a ser dentro de um programa chamado de Degradação Neutra da Terra", explica Valdemar Rodrigues, diretor do Departamento de Desenvolvimento Rural Sustentável e de Combate à Desertificação, do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

O evento, que começou ontem (9) e se estenderá até a quinta-feira (12), reúne representantes de 33 países da América Latina e do Caribe, além de instituições internacionais e regionais que atuam no tema da desertificação. A ação foi promovida pelo MMA, Governo do Estado do Ceará e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis no Ceará (Ibama-CE).

Protagonismo

"A gente sempre foi liderança na Convenção da Desertificação. Historicamente, há 20 anos, o Brasil sempre foi líder, os grandes eventos de combate à desertificação foram feitos aqui em Fortaleza, então nada mais justo do que retornar à cidade, não só porque o Estado tem uma das maiores áreas de seca, mas por tudo que Fortaleza representa no combate a esse fenômeno", afirma Valdemar Rodrigues. Segundo ele, nos últimos anos, o Brasil perdeu um pouco do protagonismo dentro da UNCCD. Anteriormente, discutiu-se qual país poderia receber o treinamento, e o Brasil foi o anfitrião favorito para o workshop da América Latina. A decisão foi aprovada, uma vez que "seria positivo também para o Brasil receber esse evento para assumir um pouco do protagonismo", diz. A pedido dos países caribenhos, Fortaleza recebeu simultaneamente os convidados da América Latina e do Caribe.

A principal mudança a ser notada nos novos informes que serão enviados à UNCCD é de que, antigamente, o modelo de relatório era inteiramente descritivo. Agora, será formulado a partir de uma nova visão de quantificação, que medirá o que é feito na área degradada e como esta é recuperada.

Assoreamento

Um dos maiores problemas do Nordeste, de acordo com o diretor membro do MMA, é o assoreamento das represas e dos rios. "O Brasil sempre teve a estratégia de armazenar água em represas. Hoje, ao invés de estarmos armazenando água, temos 50% de areia. Existe a erosão e ninguém faz curva de nível, nem a proteção do solo. Nos locais onde o solo era uma base produtiva, quando vêm as chuvas e a erosão, por conta do desmatamento, faz com que o solo produtivo vire areia. Isso entope os nossos rios e as nossas barragens, e faz com que qualquer chuva cause inundação", revela Valdemar Rodrigues. Esse processo foi um dos fatores que motivaram a mudança de estratégia e metodologia da Convenção.

Objetivos

Durante o workshop, cinco objetivos estratégicos deverão ser trabalhados: o primeiro refere-se aos ecossistemas; o segundo, às populações humanas; o terceiro, à seca; o quarto visa fazer com que o trabalho da UNCCD seja importante para o bem mundial; e o último objetivo diz respeito ao aspecto financeiro.

O primeiro objetivo será o foco das reuniões do evento ora em curso, segundo Valdemar Rodrigues. A partir deste, deverá ser medida a recuperação de áreas degradadas, ou seja, monitorar o que está sendo degradado e reparar os danos. Para tal, serão utilizados três indicadores: a cobertura vegetal, a produtividade primária e o estoque de carbono orgânico.

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