CENTRO-SUL

Dificuldade é comum na atuação de Conselhos

03:59 · 14.09.2009
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Iguatu. Falta de veículo de uso exclusivo, baixo salário e incompreensão sobre o serviço de apoio às crianças e adolescentes. Esse é um quadro comum na maioria das cidades da região Centro-Sul que dificulta o trabalho do Conselho Tutelar. Apesar das dificuldades, o que se observa no dia-a-dia é o esforço dos conselheiros em cumprir o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) numa realidade social e econômica cada vez mais adversa para as famílias de baixa renda, moradoras da periferia dos centros urbanos.

As principais ocorrências atendidas pelos conselheiros referem-se aos problemas familiares. Abandono, maus tratos, violência psicológica, evasão escolar, consumo de bebida alcoólica, droga e agressão sexual. A intensidade das ocorrências varia entre os municípios.

Nesta cidade, a principal queixa dos conselheiros é com a falta de um veículo exclusivo para atender as ocorrências diárias. "Infelizmente os problemas que envolvem os adolescentes são crescentes e nos falta estrutura adequada de trabalho", observa o conselheiro Francivaldo Silva. "Só temos veículo um período por dia e nas quartas-feiras não dispomos de carro", conta.

A concessão de um veículo ao Conselho Tutelar para atendimento das ocorrências depende da secretaria de Ação Social. "Temos pouco apoio e precisamos mendigar o carro", disse a conselheira Vera Lúcia Nunes. "A sociedade ainda não compreende a importância do nosso trabalho e até nos critica".

A questão salarial é outra queixa. "Há cinco anos que está congelado", disse. Em Iguatu, um conselheiro recebe R$ 530. Esse parece ser um problema comum. Em Acopiara e em Várzea Alegre, o salário dos conselheiros corresponde ao valor do salário mínimo.

Acopiara
Em Acopiara, a Câmara de Vereadores já aprovou o projeto de reajuste salarial para R$ 800 e agora os conselheiros aguardam a sanção do prefeito. "Temos apoio, um veículo cedido exclusivamente, mas o salário ainda permanece abaixo", observa o conselheiro, Francisco Batista Filho, o popular Dário.

Em seu segundo mandato, Batista Filho, mostra-se preocupado com a situação social e econômica das famílias moradoras de bairros da periferia. "São as mais afetadas com as questões de desajuste, agressão e abandono. O governo precisa implantar políticas públicas de assistência e promoção social para modificar esse quadro".

Em Várzea Alegre, o Conselho Tutelar foi beneficiado com uma unidade móvel que faz atendimento nas festas populares, como a recente do padroeiro do município. A maior demanda é por segunda via de registro de nascimento, numa média de oito solicitações diárias. "Os outros problemas ocorrem, mas não é no dia-a-dia", observa o conselheiro, Ilário Benjamin. Há um carro à disposição, cedido pela secretaria de Ação Social do município.

ELIZÂNGELA SANTOS
REPÓRTER

CARIRI
Demanda é elevada para servidores


Juazeiro do Norte. As estruturas de funcionamento das sedes do Conselho Tutelar de Crato e Juazeiro do Norte têm melhorado nos últimos, mas a demanda tem sido grande para o número de agentes de cada órgão. Pelo menos é o que tem chamado a atenção, já que o número de atendimentos tem aumentado e cada município possui apenas um conselho.

No Crato, até o meio do ano, foram contabilizados mais de 600 atendimentos, enquanto que em Juazeiro, foram 700 casos. Os conselheiros, no município cratense, têm recebido benefícios para atuarem com o telefone celular e em plantão de 24 horas. Segundo a coordenadora Marta Veneranda Gomes, um dos problemas que mais tem causado preocupação está relacionado ao uso de drogas na infância e na adolescência. Outro problema está relacionado aos casos de gravidez precoce. Em Juazeiro do Norte, o membro do conselho, Ariosto do Nascimento - Ari, chama atenção para os casos de pedofilia.

Somente este ano, foram registradas 18 denúncias. O último deles aconteceu com uma criança de 9 anos. No caso das crianças e adolescentes viciadas em drogas, ele afirma que tem sido feito um trabalho importante de informação junto às escolas e outras repartições, além dos semáforos, onde alguns jovens permanecem. Mas o problema é o mesmo, a falta de lugar para encaminhar os jovens viciados para tratamento.

HONÓRIO BARBOSA
REPÓRTER


Mais informações

Conselho Tutelar de Iguatu
(88) 3510. 1666
Disque - Denúncia
0800.280 3734
Conselho Tutelar em Acopiara
(88) 3565. 1615
Conselho em Várzea Alegre
(88) 9217. 6612


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