Camarão

Descoberta reforça a presença do mar no Cariri

O sumé marcose, da família Luciferidae, chegava a 2 cm de cumprimento ( Foto: Antonio Rodrigues )
00:00 · 03.05.2018 / atualizado às 09:44 por Antonio Rodrigues - Colaborador

Crato. Em outubro de 2015, enfrentando temperaturas de quase 43º C, uma equipe de pesquisadores da Universidade Regional do Cariri (Urca) encontrou um novo gênero e uma nova espécie de camarão em Trindade (PE). Apresentado na manhã de ontem, o crustáceo da família Luciferidae foi batizado de sumé marcose. O animal fossilizado pode ser uma evidência de que na região do Cariri ocorreram tsunamis há mais de 110 milhões de anos.

Dois exemplares foram encontrados pelos pesquisadores. As principais características do grupo são a sua bioluminêscencia (corpo iluminado), ausência de brânquias e redução de pereiopodes (patas). O sumé marcose chegava a 2 cm de cumprimento. Esta descoberta representa o primeiro achado de fósseis desta família no mundo. Por serem animais pequenos e delicados, são de difícil preservação.

Segundo o professor Álamo Feitosa, chefe do Laboratório de Paleontologia da Urca (LPU), a Bacia do Sedimentar do Araripe teve um período sob influência marinha. Mas a presença de fósseis tipicamente de mar aberto - como este crustáceo - é um fato que ainda não tinha sido registrado na área. "A descoberta abre duas perspectivas. Uma para o estudo da evolução espécies de camarão; outra para como se deram as transgressões e ocorrências destes tsunamis. Temos as evidências biológicas, agora falta ir a campo encontrar as evidências físicas ao longo das formações geológicas, como erosões pela ida e vinda de água", conta.

O professor Alysson Pinheiro, que também participou da descoberta, afirma que a pesquisa não está isolada e faz parte de uma linha de pensamento que trabalha a Paleontologia na região.

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