RAÇA EM DESTAQUE

Coragem e inteligência são vantagens do Pastor Alemão

10:05 · 30.11.2010
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Imponentes e corajosos, os Pastores Alemães atraem a atenção de todos. Criar um exige dedicação

Fortaleza. Proteção e amizade. Este é o slogan do Pastor Alemão e os motivos que qualificam a raça entre muitos criadores no Ceará. Quando filhotes, assemelham-se a lobinhos e atraem a atenção de todos. Mas a decisão de ter um em casa não é para qualquer pessoa. A raça requer cuidados especiais desde a seleção para ninhadas, até o desenvolvimento do futuro adulto, que só é autorizado para reprodução após comprovações de saúde física e testes de adestramento para obediência e coragem. Há mais de 20 anos como criador da raça, o vice-presidente do Clube Cearense do Pastor Alemão, Alberto Botelho, diz que em Fortaleza e Região Metropolitana há cães com padrão internacional. São cerca de 25 sócios e 11 canis registrados na entidade.

Mesmo que imponha medo para muitos, o Pastor Alemão com temperamento normal não é um animal agressivo, mas também não é medroso diante de sons como fogos, gritos ou barulhos estridentes. É um verdadeiro amigo do dono e demais pessoas de sua convivência. Para Botelho, um dos grandes erros de quem se arrisca na criação da raça é adquirir um animal sem procedência ou criá-lo amarrado em fundo de quintal. Para evitar erros que podem resultar em outros mais graves, alguns cuidados são essenciais.

O primeiro deles é adquirir o filhote entre 45 dias de nascido, após desmame feito corretamente, e quatro meses, junto a criadores habilitados. Isto significa que os pais têm controle da displasia coxo-femural, uma doença que vitima muitos cães de grande porte, causando dor e atrofiamento das patas. Esta comprovação é feita por meio de Raio-X. Com pais saudáveis, as chances são mínimas de que o pequeno animal terá problemas na fase adulta.

Até o primeiro ano de vida, o filhote Pastor é igual às demais raças, uma "verdadeira criança". Botelho explica que, a partir dos 8 meses, o cão já está mais adequado para iniciar as aulas de adestramento. O tempo de aprendizagem para os comandos básicos de obediência ("junto", "senta", "fica" e "deita") e as provas de coragem variam conforme cada animal. Porém, em média, pode durar seis meses, com aulas de duas a três vezes por semana. Os adestradores desta raça devem ser credenciados pelo Clube Brasileiro de Pastor Alemão, que emite certificado por meio de um juiz de criação e adestramento. "Durante as exposições de cães, aproveitamos para credenciar os novos candidatos a adestrador", afirma ele. Sobre as provas de coragem, Botelho explica: "Os cães da categoria sênior são obrigados a fazer a prova de coragem que consiste em atacar um figurante. No ataque surpresa, o figurante se protege atrás de uma barraca. Já no ataque lançado, o figurante sai por trás de uma barraca e o cão é solto a uma distância de 50 metros".

INVESTIMENTO

Custo mensal com o cão é de R$ 1,5 mil

Fortaleza. Para o Pastor Alemão ter pedigree (documento de comprovação da genealogia ou da pureza da raça), a seleção dos reprodutores deve acontecer a partir dos 18 meses e um dia, tanto para machos quanto para fêmeas. O registro da ninhada é enviado ao Clube Brasileiro do Pastor Alemão, entidade responsável pela emissão do documento.

Alberto Botelho calcula que o custo médio mensal de um Pastor saudável fica na média de R$ 1,5 mil, o que inclui cuidados veterinários, adestramento, alimentação e tratador. As instalações devem contar com canil de, no mínimo, área de dois metros quadrados. Diariamente, o cão adulto necessita de, pelo menos, uma hora de caminhada.

Um bom filhote pode ser adquirido junto aos criadores credenciados por preço que varia de R$ 1,2 mil a R$ 1,5 mil. Animais adultos importados podem custar de US$ 4 mil a até 50 mil euros. Por este preço, o cão Parker Semper Victhor foi adquirido da Itália pelo criador de São Paulo, Marcos Fonsiano. Em Fortaleza, também há excelentes exemplares, como cinco cães do Canil Cachinauá, trazidos da Alemanha, pelo criador André Pierre.

DOUTOR VET RESPONDE

Epilepsia em caninos

PAULO FERREIRA BARBOSA*

Os criadores de cães Jesse James e Márcia Fernandes, enviaram e-mail relatando possíveis casos de epilepsia em seus animais. Jesse tem um Pastor Alemão, de 2 meses, que apresentou convulsões e baba. Já Márcia está com uma ninhada de filhotinhos e um deles teve uma crise, se contorcendo e espumando pela boca. Querem saber se pode ser ataque de epilepsia e qual o tratamento para o caso.

As convulsões são período de atividade anormal causada por descarga elétrica súbita e excessiva do cérebro. Nos animais, existem dois tipos de causas que levam a convulsão: A primeira são as de origem extracraniana e a segunda as de origem intracraniana. Com relação à primeira, os filhotes geralmente costumam comer coisas que não devem e, com isso, ingerir toxinas que podem causar convulsões. Entre elas, venenos como os organofosfastos ou organoclorados e venenos de plantas.

Também podem nascer com alterações metabólicas que começam a se manifestar em filhote com idade descritas na cartas. Hipoglicemia, causada por vários fatores, entre eles, um jejum prolongado; doenças hepática, a mais comums são o desvio portossistêmico com hiperproteinemia e as hepatites (bacteriana, virais, fúngica ou tóxica); hipocalcemia; distúrbios eletrolíticos e parasitose, como babesiose ou infestação por nematódeos.

As causas intracranianas mais comuns em filhote são a hidrocefalia, lissencefalia e doenças infecciosas sendo a cinomose, uma doença causada por vírus, a mais comum.

Predisposição

Quando a causa é epilepsia idiopática, ou seja, quando nenhuma das causas acima citadas forem diagnosticadas, existem algumas raças caninas que parecem ter uma base (predisposição) hereditária em potencial para a epilepsia. Aqui se incluem o Beagle, o Pastor Alemão e Belga, o Dachshunds e o Keeshound. Todavia esse tipo de epilepsia é comum entre cães com a idade entre 3 meses a 3 anos. A maioria das convulsões em cães é do tipo tônico-clônica, generalizada e motora, nas quais o animal passa por um período em que o tônus muscular extensor cai em recumbência lateral e depois apresenta tônus e ralaxamento, alternadamente, levando a contrações musculares rítmicas, manifestações como espasmo ou miovimentação dos membros e da mandíbula.

Pelo o que foi relatado nas perguntas, faltam dados, exames clínicos e laboratoriais para afirmar a causa das convulsões dos filhotes. O uso do fenobarbital (gardenal) é um método seguro e eficaz, quando as convulsões são de origem intracraniana. Entretanto, esse medicamento é hepatóxico, se a convulsão for causada por alterações no fígado. Usá-lo pode não ser uma boa medida.

O ideal nos casos relatados seria levar os seus filhotes o quanto antes para uma avaliação do seu médico veterinário, já que convulsões são consideradas emergências e podem levar à morte do animal.

*Professor doutor da Disciplina de Clínica Médica de Pequenos Animais, na Faculdade de Veterinária da Uece. Esta coluna é mantida em parceria com a Favet-Uece. Criadores interessados em tirar dúvidas sobre animais podem contatar o e-mail anavaleria@diariodonordeste. com.br ou pelos telefones (85) 3266.9790 ou 3266.9771.



MAIS INFORMAÇÕES

Clube Cearense do Pastor Alemão

Rua João Teófilo de Araújo, 354, Maracanaú (CE)

(85) 9108.9620

Bichos de Estimação

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Valéria Feitosa
Editora do Regional

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