SERRA DO ARARIPE

Começa colheita do abacaxi

03:21 · 21.11.2009
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Cerca de 13 mil abacaxis por hectare estão sendo colhidos na Serra do Araripe, para alegria dos produtores

Santana do Cariri. A Serra do Araripe é cenário de fartura com o início da colheita do abacaxi na região. O fruto doce e saboroso da serra, sem a acidez dos produzidos na Paraíba, está chegando aos mercados da região. O preço da unidade, na área de plantio, varia de R$ 1,00 a R$ 1,50, dependendo do tamanho do fruto. É o chamado abacaxi pérola, uma variedade exclusivamente nacional, que apresenta frutos com excelentes características para consumo "in natura".

A variedade pérola, segundo o extensionista da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), Sérgio Linhares, é uma alternativa para a conquista de espaço do mercado internacional, apesar de o fruto apresentar alguns aspectos negativos, tais como forma cônica, presença de espinhos na coroa e, sobretudo, colorações externa (mais verde do que amarela) e interna (mais branca do que amarela), tornando-o menos atraentes.

No município de Santana do Cariri, onde foi ocupada a maior área (180 hectares), serão colhidos 13 mil abacaxis por hectare. Esta safra renderá aos produtores uma renda total de R$ 2,6 milhões. Ali, 45 pequenos agricultores fazem parte do projeto que é acompanhado por técnicos da Ematerce.

Manejo adotado

Controle de pragas e doenças, correção de solo com calcário, indução floral e adubação orgânica fazem parte do manejo. Estas medidas implementadas pelos técnicos da Ematerce em Santana do Cariri, contribuindo, de forma significativa, para a revitalização da cultura do abacaxi no município. De acordo com o agrônomo Francisco Novaes Tavares, a média geral do município é de 13 mil plantas por hectare de área cultivada do abacaxi.

"A procura é muito grande, o mercado está muito bom", comemora o produtor Lucíolo Costa Silva, destacando que a sua produção está sendo destinada a um grande mercantil do Crato. O agricultor José Ferreira Maciel garante que, após a assistência técnica efetiva da Ematerce, a sua atividade está bem mais rentável. "Os agentes rurais analisam o solo, ensinam a gente a ter mais zelo, mais cuidado com a plantação. E essa adubação orgânica deixa a planta muito mais bonita, bem nutrida e saudável para o consumo", enfatiza Maciel.

O veterano produtor Cícero Soares da Silva, conhecido por "Paizinho", que também planta mandioca, diz que o abacaxi está mudando o perfil econômico e social da serra, que era conhecida como uma área pobre, de onde se extraía carvão, lenha e mandioca. "O fluxo de veículos que, nesta época de colheita, sobem a serra para comprar abacaxi é o reflexo da mudança", diz o produtor.

A avaliação do produtor é confirmada pelo agrônomo Francisco Novaes, quando afirma que a cultura do abacaxi tem "o objetivo de revitalizar a colheita de um fruto que se adapta ao solo da serra e gera emprego e renda para os serranos que antes sobreviviam da exploração de lenha e carvão, uma atividade degradante".

Novaes lembra que Santana do Cariri já foi o maior produtor cearense de abacaxi, mas o surgimento da doença vegetal "fusariose" praticamente dizimou as áreas de plantio, na década de 70. Além dos prejuízos amargados, os produtores tiveram que mudar de cultura. "Hoje, ocorre uma situação inversa na Chapada do Araripe. Algumas culturas da região, como, por exemplo, a mandioca, estão sendo trocadas pelo abacaxi", diz Adonias Sobreira, gerente regional do Instituto Agropolos.

Doença do abacaxizeiro

O agrônomo explica que a fusariose do abacaxizeiro, causada pelo Fusarium subglutinans, destaca-se pela frequência com que ocorre e pelos graves danos causados nas principais áreas produtoras. As perdas são variáveis e podem atingir índices superiores a 80% caso a frutificação ocorra em épocas chuvosas e de temperatura amena.

Os sintomas são caracterizados, principalmente, pela exsudação (transpiração) de goma, que pode aparecer nas mudas, plantas e frutos. Os mais conhecidos sintomas ocorrem nos frutos, durante a fase de maturação. A exsudação gomosa ocorre através das cavidades florais, e a parte afetada diminui de tamanho por causa da eliminação de líquido dos tecidos internos, que exibem uma coloração avermelhada. O fruto pode ser parcial ou totalmente afetado pelo microrganismo e adquirir, no estágio final de evolução da doença, um aspecto mumificado.

OTIMISMO

"A cultura deve ter um acompanhamento diário para evitar doenças"
FRANCISCO TAVARES NOVAIS
Engenheiro agrônomo

"A serra está voltando aos velhos tempos, como maior produtora de abacaxi"
JOSÉ FERREIRA MACIEL
Produtor rural

"Todo dia chega um carro aqui em cima da serra para comprar nossos abacaxis"
Cícero Soares
Produtor rural

MAIS INFORMAÇÕES
Empresa de Assistência Técnica e Extensão do Ceará (Ematerce)
Praça Filemon Teles S/N, Crato
(88) 3102.1293


ANTÔNIO VICELMO
Repórter

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