Cisterna calçadão garante água para o semi-árido - Regional - Diário do Nordeste

RECURSOS HÍDRICOS

Cisterna calçadão garante água para o semi-árido

21.01.2008

O Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) objetiva melhorar a segurança alimentar no semi-árido brasileiro

Santana do Acaraú. “Se o inverno for bom, vai ser uma beleza. Vai jorrar água daí de dentro e ainda ficar por um bom tempo”. Na esperança de que, a partir desse ano, a escassez de água do sertão onde mora será amenizada, dona Rosa Maria Amâncio, da comunidade São Luiz, distante 12km da sede de Santana do Acaraú, mostra o reservatório de água da chuva construído na frente de sua casa.

A alternativa simples e barata, chamada de “cisterna calçadão”, está pronta e esperando chuva há cerca de seis meses. Esta semana, depois das poucas, mas boas chuvas, que caíram na região, já dá para ver água acumulada. “Pra trazer água do Ingá pra cá, no verão, só em lombo de jumento. Quando parar as chuvas essa água vai ser uma beleza”, diz Rosa Amâncio.

A articulação para construir a área pavimentada de captação de chuva, que acumula água, depois joga em reservatório, para mais tarde a população regar mudas de verduras ou dar água para animais, é da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA), Fundação Banco do Brasil, Petrobras, executada no Ceará pela Organização Não Governamental (ONG), Centro de Estudos e Apoio ao Trabalhador e à Trabalhadora (Ceat), sediada em Sobral.

Batizado de “Programa Uma Terra e Duas Águas” (P1+2), a iniciativa objetiva, segundo destaca o informativo da ONG Ceat, melhorar a segurança alimentar de comunidades do semi-árido, além de gerar emprego e renda a partir do manejo da terra e da água. Além da cisterna calçadão, o programa contempla, também, a construção de barragens subterrâneas, espécie de parede feita dentro da terra, que barra águas de chuvas que escorrem no interior do solo, com isso formando vazante artificial.

O que está acontecendo nas terras de Rosa Amâncio é um exemplo da fase “demonstrativa” do projeto. Além dessa, outras 144 experiências de captação de água foram implantadas em 59 municípios, de 10 Estados diferentes. No Ceará, foram concluídas 17 experiências com o mesmo objetivo, sendo sete barragens subterrâneas e dez cisternas calçadão.

De acordo com a assessora técnica do Ceat, Paula Vanessa Queiroz, o programa “Uma Terra e Duas Águas” valoriza o conhecimento popular do agricultor, mostrando que é possível conviver com o semi-árido por meio de tecnologias viáveis e sustentáveis à região.

“O custo da cisterna pode chegar a até R$ 4 mil. Há economia com a mão-de-obra da comunidade. Muda a nossa realidade”, disse Vanessa.

Outra ação positiva que a construção da cisterna vem gerando entre as comunidades é a integração de vizinhos para troca de experiências.

Para isso, agricultores visitam propriedades uns dos outros e trocam conhecimentos relacionados à convivência com o semi-árido.

Natercia Rocha
Repórter

Mais informações:

Assessoria Técnica do Ceat
(88) 3611.1043

Assessoria de Imprensa da ASA
(81) 2121.7666
www.asabrasil.org.br

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