Chuvas tiveram redução de mais de 56% em fevereiro - Regional - Diário do Nordeste

Seca

Chuvas tiveram redução de mais de 56% em fevereiro

06.03.2013

No primeiro mês da quadra invernosa, a Funceme registrou apenas 69 milímetros de precipitações

Fortaleza Em todo o Ceará, o baixo índice pluviométrico desse início de inverno, no mês de fevereiro, tem preocupado produtores rurais e também a população do Estado. Para se ter uma ideia, em fevereiro do ano passado choveu158,8 milímetros. Já no mesmo mês deste ano, só choveu 69 milímetros, o que significa que as precipitações reduziram cerca de 56,5%. Com o objetivo de esclarecer os produtores rurais sobre a previsão de chuvas para os próximos meses, o presidente da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Eduardo Sávio Martins, foi o palestrante do Encontro Semanal do Pacto de Cooperação da Agropecuária Cearense (Agropacto), que aconteceu na manhã de ontem, em Fortaleza.

O presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins, apresentou, na reunião do Agropacto, as probabilidades de ocorrência de chuvas no Estado. O prognóstico permanece sendo de 40% de precipitações abaixo da média em março e abril


Segundo o presidente da Funceme, o prognóstico de chuvas para março e abril deve permanecer de acordo com o já anunciado. "Poderemos ter chuvas abaixo da média para o restante desse inverno", anuncia. Durante o encontro, também foi reforçado que a probabilidade de chuvas acima da média histórica para o período é de apenas 25%, de 35% para chuvas na média e 40% de chuvas abaixo da média, conforme atualização do prognóstico já divulgado.

Eduardo Sávio Martins explica que essa previsão se deve ao fato de o Oceano Pacífico ainda estar pouco frio para o período e o Oceano Atlântico, que é o responsável pelas chuvas no Nordeste, só estar aquecido em sua parte Norte. "Para que o Nordeste recebesse mais chuvas deveria estar acontecendo esse aquecimento na parte abaixo da linha do Equador do Oceano Atlântico. Por isso, está chovendo no Oceano, na parte Norte do Atlântico", explica.

Para socorrer os produtores, que de acordo com o presidente da Funceme, já estão esperando o pior prognóstico, o Comitê Integrado de Combate às Secas, ligado à Secretaria de Desenvolvimento Agrário, tem apresentado soluções. "Sexta-feira, participamos de audiência pública, com o Comitê e a Cogerh para tentar amenizar a situação em Tauá".

Outro problema dessa irregularidade nas chuvas, para o presidente da Funceme, são os veranicos. "Em regiões em que as chuvas são mais abundantes, como no Litoral e na Serra da Ibiapaba, os veranicos, que deixam esse locais vários dias sem chuvas, também são preocupantes, porque atrapalham a produção. Já nos locais em que a média é baixa, como no Sertão Central e nos Inhamuns, isso gera reflexos no abastecimento", afirma.

A grande esperança, considera Eduardo Sávio Martins, é que, mesmo com essas chuvas abaixo da média, aconteçam precipitações mais intensas nos locais em que existem reservatórios de água. "O que nós queremos mais é que tenham eventos fortes de precipitação para dar recarga nos açudes", destaca.

Produtores rurais

Para o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Flávio Saboya, o Estado precisa elaborar um projeto emergencial para salvar o rebanho. "Nós vamos elaborar uma ação envolvendo, além da Faec, o Governo do Estado, sindicatos e as prefeituras. A nossa maior preocupação é sobre o que fazer quando essa seca acabar, porque hoje, quem vive no semiárido, tem a pecuária como principal atividade e, se a situação permanecer como está, poderemos perder 50% do rebanho, ou até mais".

O presidente da Faec ainda acrescenta que, mesmo com a seca, a categoria foi surpreendida com mais uma medida que prejudica os empresários do setor. "Após a aprovação da resolução 4.190 do Banco Central, o Governo Federal suspendeu o crédito de emergência para os pequenos e médios produtores rurais. Isso significa que o produtor não terá mais como custear o alimento para o seu rebanho. Só o agricultor familiar, que é quem tem um ganho anual de até R$ 12 mil, é que terá acesso a esse benefício. Nós estamos revoltados com essa discriminação do governo", afirma.

Para tentar reverter essa decisão, os diretores das Federações da Agricultura e Pecuária dos outros Estados do Nordeste deverão se reunir na próxima segunda-feira em Brasília, para tentar marcar audiência com os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados. "Os dois presidentes são nordestinos e não entendemos como eles, sendo da região, não estão vendo a situação da pecuária no Nordeste com essa seca", ressalta.

Perímetro Alagamar

O Programa Nacional do Crédito Fundiário (PNCF) liberou R$ 2,05 milhões para atender 82 famílias que moram e produzem no Perímetro Irrigado Alagamar, que tem se destacado na produção de frutas, em Jaguaretama. Os recursos são oriundos do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e garantem acesso à terra aos agricultores familiares que têm pouca ou nenhuma terra. No caso do Alagamar, cada família receberá R$ 25 mil e três hectares de terra, sendo que 2,5 hectares deverão ser usados para a produção de mamão, goiaba e acerola e meio hectare para produzir culturas diversas.

Segundo o secretário Nelson Martins, os beneficiados com PNCF em todo o Ceará têm apresentado resultados positivos. "É mais uma forma de incentivar a geração de trabalho no campo, pois além dos recursos nós garantimos assistência técnica para a produção", afirmou.

FIQUE POR DENTRO

Quadras invernosas de 2012 e 2013

De acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), em janeiro de 2012, que ainda faz parte da pré-estação chuvosa, choveu 54,6 milímetros e no mesmo mês de 2013, 47,5, o que representa uma redução de 13%.

Já em fevereiro, a diferença foi ainda maior. Em 2012, as precipitações nesse mês foram de 158,8 mm e em 2013, os pluviômetros só registraram 69 milímetros, com uma redução de 56,5%.

Ainda segundo a Funceme, a macro região do Cariri, em janeiro de 2013, teve precipitações acima de 200 mm em algumas áreas. Entretanto, nas demais regiões, os índices foram menores, como Inhamuns, que teve registros entre 100 mm e 140 mm, além do Litoral Norte e Serra da Ibiapaba com índices entre 80 mm e 120 mm.

Nas demais regiões do Estado os índices foram inferiores a 60 mm e em alguns locais, no Sertão Central, as chuvas ficaram abaixo dos 5 mm de precipitação.

Mais informações

Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará
Telefone: (85) 3535.8000
Funceme
Telefone: (85) 3101.1117

KELLY GARCIA
REPÓRTER



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